domingo, 4 de novembro de 2012

“Comunicação Integrada” em destaque na RDP Antena 1


O blogue COMUNICAÇÃO INTEGRADA esteve em destaque no programa "Janela Indiscreta", do jornalista Pedro Rolo Duarte (na foto), na RDP Antena 1, a principal rádio pública portuguesa. Na “Janela Indiscreta”, programa que é transmitido de segunda a sexta-feira, às 18h20, Pedro Rolo Duarte faz uma crónica sobre a blogosfera e o que nela se escreve com interesse e atualidade. Como explica a sinopse do programa, a “Janela Indiscreta” traduz “o olhar de Pedro Rolo Duarte pelo universo dos blogues”.
Na sexta-feira, 2 de Novembro de 2012, Pedro Rolo Duarte dedicou os três minutos do seu programa ao blogue COMUNICAÇÃO INTEGRADA, o que constituiu uma grande surpresa para mim, agora que estou no Brasil, olhando com mais detalhe para a realidade brasileira, nas múltiplas matérias que tenham a ver com a comunicação, mas sem deixar de olhar para a realidade portuguesa.
Ser referenciado de modo tão rico e elogioso pelo grande jornalista Pedro Rolo Duarte é motivo de orgulho, mas sobretudo um forte incentivo para continuar a trabalhar na comunicação, almejando sempre a competência, o rigor e o profissionalismo, analisando e estudando o fenómeno comunicacional em todas as suas vertentes, para desempenhar cada vez melhor o meu trabalho como consultor e gestor de comunicação – através do qual ajudo empresas e instituições brasileiras e portuguesas a comunicar melhor.
Do programa resulta também a percepção clara de Pedro Rolo Duarte quanto à importância da visão integrada da comunicação e das suas múltiplas disciplinas para percebermos muitos dos fenómenos contemporâneos que afetam diretamente as nossas vidas. Fiquei muito contente com isso, porque vem justamente ao encontro daquilo que penso e que tenho transmitido no blogue (clicar aqui para ouvir o programa).
Para os leitores que não consigam ouvir o programa no link, deixo o conteúdo escrito da crónica de Pedro Rolo Duarte:

Num momento em que, um pouco por todo o lado, se afirma uma crise profunda no mercado da comunicação social, com o fecho de jornais e revistas, despedimentos, cortes a todos os níveis, faz sentido destacar um blogue que se dedica justamente à comunicação social, mas fá-lo de uma forma integrada, global, apanhando os universos do marketing e da publicidade, e olhando o mercado português com alguma relevante distância.
COMUNICAÇÃO INTEGRADA, assim se chama, pretende ser uma plataforma agregadora de ligações digitais a conteúdos do universo da comunicação. Nasceu há ano e meio e o seu autor, Luís Paulo Rodrigues, é consultor e gestor de comunicação no Nordeste do Brasil e é formado em Ciências da Comunicação. Diz ele: “Faço a comunicação de marcas portuguesas no Brasil e de marcas brasileiras em Portugal, nos meios tradicionais e digitais.”
O blogue tem, aliás, a morada do seu nome: luispaulorodrigues.blogspot.com.br. E o que lá podemos encontrar, além de inúmeros links de interesse para quem gosta desta área, é um olhar empenhado, porém, desapaixonado, sobre o que vivemos no mundo da comunicação. Um bom exemplo, este ‘post’ sobre a recente greve na agência Lusa. “É paradoxal”, diz ele, “mas, sem a Lusa, os jornais ‘online’ estão melhores. É certo que, por estes dias, as páginas dos vários jornais ‘online’ têm menos notícias do País e do mundo lusófono, mas todos eles têm assuntos diferentes e devidamente assinados pelos seus jornalistas. Cada jornal ganha, portanto, a sua identidade. Presumo que o mesmo aconteça nas edições impressas (…). Isto não significa que a greve da Lusa seja positiva para os jornais, ou que a Lusa não seja necessária. Pelo contrário. (…) As notícias da agência é que não deveriam ser utilizadas sem a mínima intervenção do jornalista-editor de cada edição digital, ao ponto de as notícias dos jornais ‘online’ serem todas iguais.”
Lá está, um olhar empenhado, mas crítico e bem observado. Como quando fala em geral sobre o que se passa neste mundo. “Com a concentração da propriedade da imprensa em mãos desconhecidas de outro País (…), é a saúde da democracia portuguesa que está em causa. (…) É evidente que o dinheiro não tem pátria, nem tem cor. (…) Mas no caso da propriedade dos meios de comunicação social, penso que a origem do capital é uma questão muito importante. Porque os meios de comunicação de massa têm a capacidade de influenciar e manipular a sociedade. (…) Os meios de comunicação social produzem jornalismo e têm obrigações de serviço público. Serviço público não é tornar público um interesse privado. É servir todo o público de um determinado território.”
Bom, se juntarmos a estas análises inteligentes informação relevante sobre o mercado, tanto em Portugal como no Brasil, com muita atualidade e boas fontes, este blogue da COMUNICAÇÃO INTEGRADA é, sem dúvida, um excelente meio de informação e Luís Paulo Rodrigues um dedicado ‘blogger’. Hoje, mais do que nunca, merece o destaque aqui da ‘Janela’.

Pedro Rolo Duarte, “Janela Indiscreta”, RDP Antena 1, 02-11-2012 (ouvir aqui)

sábado, 3 de novembro de 2012

“O modelo de Pernambuco”, segundo “The Economist”



Numa matéria intitulada "O modelo de Pernambuco", a revista britânica “The Economist” aponta Eduardo Campos como forte candidato à Presidência do Brasil, nas eleições de 2014. Figura em destaque na política brasileira, o Governador de Pernambuco é presidente do Partido Socialista Brasileiro (PSB), de Cid Gomes (governador do Ceará) e Roberto Cláudio, o novo prefeito de Fortaleza, que conquistou a capital brasileira mais próxima da Europa numa disputa taco-a-taco com um candidato do Partido dos Trabalhadores (PT), que teve o apoio ativo de Lula da Silva e Dilma Roussef.
Navegando nas águas da social-democracia e do socialismo democrático, o PSB, que conquistou bastante terreno nas eleições municipais deste ano – crescendo de 310 prefeituras para um total de 444 –, é, curiosamente, da base política de apoio ao Governo Dilma Roussef – o que é possível no complexo jogo de alianças no xadrez político brasileiro. 
Entretanto, o presidente de honra do PMDB nacional, o cearense Paes de Andrade, já veio defender a reeleição da presidente Dilma. “É uma mulher extraordinária. Espero que meu primo segundo não atrapalhe”, afirmou o dirigente histórico do PMDB, numa farpa tendo como destinatário precisamente o primo Eduardo Campos. Embora tenha perdido 169 prefeituras, o PMDB (Partido do Movimento Democrático Brasileiro) continua sendo o maior partido municipal no Brasil, com 1032 prefeituras (ver aqui o desempenho dos partidos brasileiros nas eleições municipais de 2012). 
Ora, segundo a revista inglesa, o pernambucano Eduardo Campos consegue ser, ao mesmo tempo, um administrador moderno e um político à moda antiga. Qualidades que são valorizadas no mercado político contemporâneo. Independentemente das propaladas qualidades do líder do PSB, e da sua ambição política, que é legítima, a verdade é que a colocação de Eduardo Campos, nesta altura do campeonato, no lote dos presidenciáveis é capaz de não ser mal vista por Dilma Roussef, em Brasília. Porque a popularidade do Governo Federal liderado pelo Partido dos Trabalhadores continua em alta junto do povo que decide as eleições. E, como avisam as leis não escritas da comunicação política, quem aparece antes do tempo certo pode acabar esturricado.
Por outro lado, além de Dilma Roussef, Lula da Silva também pode ter uma palavra a dizer; assim como Sérgio Cabral (PMDB), que nas eleições de 2010 foi reeleito governador do Rio de Janeiro com 66,08% dos votos, o que diz bem da aprovação do seu trabalho, mais a mais sendo ele líder de uma capital que está a preparar as Olimpiadas de 2016.
Para já estamos apenas a falar de possibilidades. De qualquer modo, partilho com os leitores a matéria da revista “The Economist” sobre Eduardo Campos, que lança internacionalmente um possível candidato à presidência do Governo brasileiro no ano mágico de 2014, o tal da Copa do Mundo (ver aqui).

Marketing 3.0 no jornal “Expresso”


O semanário “Expresso”, que rejuvenesceu desde que o jornalista Ricardo Costa, na imagem, assumiu a sua direção, voltou a ser, talvez, o jornal mais influente na política portuguesa, agora que o diário "Público" dá sinais de se encontrar numa situação interna difícil. Fundado em 1973, na fase decadente da ditadura, o “Expresso”, que continua a ser o jornal português fisicamente mais volumoso, contendo o caderno principal, uma revista e vários suplementos, está a celebrar 40 anos de existência com várias iniciativas editoriais.
Numa dessas iniciativas, o jornal fundado pelo antigo primeiro-ministro social-democrata Pinto Balsemão – “social-democrata” no sentido doutrinário da expressão – pretende reunir o maior número de fotografias dos últimos 40 anos. O objetivo é construir “a maior ‘timeline’ da História de Portugal e do Mundo das últimas quatro décadas”.
Para isso, o “Expresso” envolveu os leitores, desafiando-os a enviar para o jornal as fotografias que possuam e que se enquadrem no objetivo indicado. Porque “há fotografias que contam muito mais do que a imagem mostra à primeira vista”, que “são autênticos documentos históricos e, por isso, fazem História”. O acervo fotográfico está disponível no “site” do jornal e espero que continue (ver aqui).
Desconheço qual tem sido a adesão dos leitores a esta ideia, mas estamos perante um caso exemplar do designado marketing 3.0 – em voga nos mercados contemporâneos –, em que os consumidores participam na construção do produto, concriando valor para as duas partes. A marca jornalística “Expresso” sai fortalecida, pois os consumidores ficam a reconhecer o “Expresso” como um jornal de confiança, que está ao serviço dos leitores, que conta com eles, fornecendo-lhes informações e opiniões. E um jornal que também dá a cada leitor a oportunidade de ter a experiência de acrescentar ao “seu jornal” um ou mais documentos informativos que, de outro modo, o jornal jamais teria acesso. 
A concriação de valor, de que fala Philip Kotler, é isso mesmo. Os consumidores assumem o papel de parceiros das marcas e das empresas, gerando um processo de concriação de valor para que os produtos sejam cada vez melhores na satisfação dos desejos e expectativas de quem vai comprar. Ora, nos jornais, a interação com a comunidade de leitores passa muito por iniciativas deste género.

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Cachaça Ypióca gera milhões no Brasil



A marca de cachaça Ypióca, com sede em Fortaleza, está no centro de um negócio multimilionário no Brasil. A marca e a empresa, que registam a particularidade de terem sido fundadas por um imigrante português, no século XIX, tendo-se mantido na mesma família até agora, acabam de ser compradas pelos ingleses da Johnnie Walker
O grupo britânico de bebidas Diageo, produtor do wiskye Johnnie Walker e da vodka Smirnoff, pagou 900 milhões de reais (cerca de 342 milhões de euros) pela compra da fabricante brasileira de aguardente Ypióca aos descendentes de Dario Telles de Menezes – um imigrante português, que, em 1846, começou a produzir cachaça de cana-de-açúcar no Nordeste do Brasil. 
O negócio de milhões, que foi confirmado nesta quarta-feira, 31 de Outubro, pelo Conselho Administrativo de Defesa Económica (CADE) do Brasil, significa o regresso da Ypióca a mãos europeias, depois de ter sido fundada por portugueses, numa história, aliás, contada em linhas gerais no rótulo das garrafas que são vendidas em Portugal. A compra pelos ingleses é vista como uma excelente oportunidade para o aumento do consumo de cachaça no Brasil e no mundo. Os valores do negócio indicam isso mesmo, pois ninguém iria investir tanto dinheiro se não esperasse obter retorno. E a Diageo é a segunda maior companhia de bebidas alcoólicas do mundo.
Para além da marca Ypióca, os ingleses compraram uma destilaria, que produz a cachaça, localizada em Paraipaba, a 93 km de Fortaleza, a fábrica de engarrafamento, no bairro de Messejana, em Fortaleza, e o Centro de Distribuição Ypióca em Guarulhos (S. Paulo). Tendo como slogan “Paixão brasileira”, a Ypióca é a terceira maior marca do mercado de cachaça. Em 2011, as vendas da empresa somaram 300 milhões de reais. 
A prioridade de gestão da nova administração será assumir a liderança do mercado brasileiro: “A nossa prioridade é entender melhor como podemos adicionar valor ao produto e, assim, tornar a cachaça efetivamente um símbolo nacional e motivo de orgulho para todos os brasileiros”, explicou o novo presidente da Ypióca, o brasileiro Renato Gonzalez – um carioca que já trabalhou nos mercados do México, Jamaica e Holanda. Só depois será definida uma estratégia de marketing para o mercado internacional. A Ypióca, que tem um museu no terreno da primeira fábrica, em Maranguape, perto de Fortaleza, foi pioneira na exportação de cachaça para a Alemanha, em 1968.
A história da Ypióca começou em 1846, quando o imigrante português Dario Telles de Menezes, que chegara havia apenas três anos ao Brasil, iniciou a produção de cachaça. O seu conhecimento foi sendo transmitido de pai para filho e os negócios chegaram à quarta geração, estando em plena transição para a quinta. Mas a família Telles, sob a liderança de Everardo Telles, ex-presidente da Ypióca, continua no mercado como proprietária de três destilarias, ficando a produzir álcool e etanol para o grupo britânico. E tem negócios em outras áreas.

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Respostas a 20 perguntas sobre redes sociais nas empresas


Qual é o maior erro que as empresas cometem ao começar nas redes sociais? Como devemos agir nos casos de desvio dos funcionários no uso das mídias sociais? Como vamos controlar o que dizem sobre a empresa nas mídias sociais? As redes sociais podem mudar a cultura de uma empresa? Quais são os benefícios práticos que as redes sociais podem trazer para as empresas?...
Estas são algumas das 20 perguntas a que o brasileiro Mauro Segura, autor do blog “A Quinta Onda”, responde, na sequência de três anos de estudo e pesquisa sobre comunicação digital nas empresas. Mauro Segura é um profissional de comunicação e marketing com mais de 20 anos de experiência. Faz o blog, sobre comunicação e comportamento na era digital, e afirma gostar de compartilhar as suas ideias e opiniões sobre as transformações que as mídias sociais estão causando na sociedade e no ambiente de trabalho. Por isso, partilho as respostas para 20 perguntas sobre mídias sociais nas empresas (ver aqui).

terça-feira, 30 de outubro de 2012

A imprensa portuguesa e o capital angolano



Com os despedimentos no “Público” e consequente esvaziamento da sua redação – agora praticamente reduzida a Lisboa e mais focada na área digital –, com a venda do “Jornal de Notícias” e do “Diário de Notícias” a capitais angolanos e com o encerramento de revistas e outras publicações, em consequência da grave crise económica, a imprensa portuguesa, em particular no setor dos jornais diários, está a registar um enorme retrocesso, podendo estar comprometida a garantia de pluralidade política, social, económica e cultural no espaço público mediático.
Com a concentração da propriedade da imprensa em mãos desconhecidas de outro País, com a forte redução da informação local e regional na agência Lusa – cujos trabalhadores estão em litígio com a administração –, e com a fragilidade da generalidade das empresas que gerem os meios de comunicação, é a saúde da democracia portuguesa que está em causa. 
Antes de mais, para entender a dimensão e a gravidade do problema, é preciso conhecer a distinção entre o “público” e o “privado” – ou seja, o que é de natureza pública e o que é de natureza privada – e a evolução do significado dos conceitos ao longo dos tempos. O que, de resto, se trata de uma distinção polémica, como sublinhei num texto de investigação que já escrevi neste blogue (ver aqui).
Para um debate sério sobre a matéria, é conveniente saber em que contexto é que nasceram os jornais, criando um espaço público como lugar de mediação entre a sociedade civil e o Estado.
O que estamos a assistir em Portugal é deveras perturbador. Sobretudo quando o Governo, sob o argumento da eliminação da despesa pública – que é poderoso junto da população incauta ou menos informada –, também dá sinais de que quer acabar com a RTP Porto, ou seja, com o que resta da influência que o Norte pode ter junto do centralismo político, económico e social de Lisboa (ver aqui).
Num passado não muito distante, o "Jornal de Notícias" era do Norte, o "Diário de Notícias" era de Lisboa e a TSF era a rádio de notícias 24 horas por dia... Isso já passou à história. Em breve, esses meios de comunicação serão financiados e geridos por capital angolano. Com esta mudança de propriedade de alguns dos mais influentes meios de comunicação, Portugal prossegue a venda ao estrangeiro de posições estratégicas, que põem em causa a sua identidade milenar e a sua posição geoestratégica. Porque os meios de comunicação são um instrumento de poder.
É evidente que o dinheiro não tem pátria, nem tem cor. Como também parece evidente que os angolanos não terão comprado esses meios de comunicação para depois fecharem as suas portas. Mas no caso da propriedade dos meios de comunicação social, penso que a origem do capital é uma questão muito importante. Porque os meios de comunicação de massa têm a capacidade de influenciar e manipular a sociedade. Ora, os meios de comunicação social de um País não podem ter donos que não sabemos quem são, nem podem estar ao serviço de interesses privados de países remotos. Os meios de comunicação social produzem jornalismo e têm obrigações de serviço público. Serviço público não é tornar público um interesse privado. É servir todo o público de um determinado território. Não é por acaso que, em muitos países, há limites à participação de capital estrangeiro nos meios de comunicação social. É o que acontece no Brasil.
Temos em Portugal o caso do jornal “Sol”, que esteve para fechar, por dificuldades financeiras, e acabou por rejuvenescer sob o controlo dos angolanos da Newshold. Se analisarmos o caderno de economia do “Sol”, assim como os destaques que são dados às diversas notícias ou entrevistas, verificamos uma notória orientação editorial em defesa dos interesses angolanos, nomeadamente através de uma narrativa sedutora para eventuais investidores portugueses naquela ex-colónia portuguesa. Se este posicionamento editorial for adoptado pelos dois diários agora vendidos pela Controlinveste, qualquer dia não haverá no mercado português jornais que não defendam os interesses políticos e económicos de Angola. E esse domínio ameaça estender-se à televisão (ver aqui).
O empresário Joaquim Oliveira vendeu os seus jornais e a sua rádio a angolanos com toda a legitimidade. Livrou-se de um mau negócio. Porque os jornais em causa, na verdade, embora sendo privados, nunca deixaram, verdadeiramente, de depender do poder governamental de Lisboa, direta ou indiretamente. Sem um plano de negócios devidamente estruturado, no âmbito de uma estratégia editorial e comercial definida a longo prazo, tanto o “Diário de Notícias” como o “Jornal de Notícias” são hoje dois projetos fragilizados. Por isso, caem agora nas mãos angolanas. Mas poderiam ser chinesas, russas ou sul-coreanas. Tivessem as mãos estrangeiras a necessidade económica de entrar em Portugal para dizerem que são europeias.

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

A eficácia do marketing boca-a-boca



Em entrevista exclusiva ao portal Administradores, o norte-americano Andy Sernovitz, um dos maiores especialistas mundiais em marketing boca-a-boca (“buzz marketing”, em inglês), explica como utilizar essa estratégia para alavancar uma marca. Mas isso não está ao alcance de todos: “O marketing do boca-a-boca funciona para qualquer empresa que venda qualquer produto. Mas, apenas se essas companhias forem fantásticas e o produto valha a pena ser comentado. Se o seu produto ou serviço for ruim, pessoas ainda falarão sobre ele, mas não dirão coisas positivas. Essa é a beleza do boca-a-boca: os bons profissionais e produtos vencem e os ruins perdem”, afirma Andy Sernovitz. E qual deve ser a reação quando o boca-a-boca começa a ficar às avessas e as pessoas começam a falar mal sobre determinada utilidade de um serviço ou produto? Andy Sernovitz responde (ver aqui).
Entretanto, há dias, por ocasião do lançamento, no Brasil, do livro “Marketing Boca a Boca - Como as Empresas Inteligentes Levam as Pessoas a Falar Delas”, Andy Sernovitz, entrevistado pela revista Época, afiança que “somente 20% do boca-a-boca acontece online” (ver aqui).

domingo, 21 de outubro de 2012

As notícias da morte de Fidel Castro


Fico perplexo com a histeria de alguns jornalistas ou meios de comunicação quando está em causa o estado de saúde do antigo líder do Governo de Cuba Fidel Castro. São conhecidas as limitações impostas pelas autoridades cubanas no acesso à informação oficial. Mas não consigo entender como é possível que sejam noticiadas mentiras sobre o velho ditador comunista. Onde ficam os princípios e as regras do jornalismo?...
Nos últimos tempos, já mataram o homem não sei quantas vezes, sem que ele tenha morrido. Já lhe deram meses de vida, com base em alegadas revelações de médicos que estariam bem informados sobre a sua saúde, mas a verdade é que já passaram alguns anos e o político cubano, de 86 anos, continua vivo. Nos últimos dias, foi noticiado que Fidel teve morte cerebral, na sequência de um AVC (ver aqui). Afinal, parece que não está morto, encontrando-se, inclusive, consciente e aparecendo em público (ver aqui). A quem interessam as notícias falsas sobre Fidel Castro?...

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Como é que a "Avenida Brasil" injeta dinheiro na TV Globo



FONTE: Marcela Ayres, “Exame”, 19-10-2012 (ver aqui)

Os jornais digitais e a greve da Lusa



Sem o serviço de notícias da agência Lusa, cujos jornalistas estão em greve (ver aqui), as edições digitais dos vários jornais portugueses estão diferentes. Não basta consultar um jornal para ficarmos a saber o que trazem todos. É preciso consultar todos os jornais para ficarmos informados sobre tudo o que foi noticiado.
É paradoxal, mas, sem a Lusa, os jornais "online" estão melhores. É certo que, por estes dias, as páginas dos vários jornais “online” têm menos notícias do País e do mundo lusófono, mas todos eles têm assuntos diferentes e devidamente assinados pelos seus jornalistas. Cada jornal ganha, portanto, a sua identidade. Presumo que o mesmo aconteça nas edições impressas, às quais não tenho acesso no Brasil. Vejamos alguns: o "Público", o "Jornal de Notícias", o "Diário de Notícias" e o "i".
Isto não significa que a greve da Lusa seja positiva para os jornais, ou que a Lusa não seja necessária. Pelo contrário. A greve, independentemente da sua justeza, é negativa para os jornais e a Lusa é muito necessária para o bom serviço dos meios de comunicação portugueses, tanto em Portugal como em vários países do mundo. As notícias da agência é que não deveriam ser utilizadas sem a mínima intervenção do jornalista-editor de cada edição digital, ao ponto de as notícias dos jornais “online” serem todas iguais.