quarta-feira, 29 de maio de 2013

Livraria Cultura vive crise nas redes sociais


Um problema, por muito grave que seja, não passa de um problema enquanto é interno à organização. Mas quando atravessa as portas, quando chega à imprensa e ao espaço público midiático, de que toda a gente pode fazer parte através da Internet e das redes sociais, torna-se uma crise de efeitos incalculáveis.
No blog A Quinta Onda, Mauro Segura, especialista em comunicação e comportamento na era digital, escreve sobre um caso gerado nas redes sociais, que está acontecendo e afetando a imagem e reputação da Livraria Cultura, em Curitiba. Ele considera que o assunto “merece ser acompanhado pelos profissionais de comunicação, para aprendizado”.
Tudo começou numa funcionária descontente com as condições de trabalho, que resolveu escrever um e-mail ao presidente da Livraria Cultura, com conhecimento para todos os funcionários. Foi o suficiente para rebentar uma crise que vazou para o espaço público, com ex-funcionários da Livraria Cultura desabafando nas redes sociais. Confira nos links: http://migre.me/eMrxHhttp://migre.me/eMrAC.
Em minha opinião, à primeira vista, este caso representa um sério aviso para o setor de gestão de recursos humanos das empresas, que devem criar mecanismos de proximidade com seus funcionários, no sentido de facilitar a criação de canais de comunicação interna entre a base e a cúpula da organização – cuja distância é cada vez mais próxima, ou diluída, pois estamos na era da comunicação digital, que é horizontal por natureza. 

terça-feira, 28 de maio de 2013

O jornal regional como instrumento de cidadania


A imprensa regional desenvolve um importante papel informativo junto das populações, acompanhando a atualidade das comunidades através de um jornalismo de proximidade, cada vez mais necessário, como um dos veículos de transmissão das ansiedades e expectativas dos cidadãos, junto dos organismos de decisão política, em particular, junto da administração municipal.
A informação é um dos pilares de uma sociedade organizada. E quanto mais próxima a informação estiver da realidade do leitor, mais hipóteses terá a comunidade de se organizar e fortalecer, para melhor resolver seus problemas. Um jornal regional focalizado na informação de natureza local tem o propósito de unir, por meio da comunicação, uma região ligada geográfica e politicamente. Nessa perspectiva, toda a produção jornalística é pensada com o objetivo de atender à região, respeitando as características e os fatos locais que movimentam a cidade ou um grupo de cidades em que o jornal possa atuar.
Estudos e reflexões sobre jornalismo regional mostram que a informação é essencial para o desenvolvimento de uma comunidade – sendo objetivo de um jornal que a comunidade se identifique e se reconheça nas suas páginas. O jornal obtém essa identificação da comunidade ao focar sua linha editorial na informação local, nas características e nas peculiaridades do município e seus bairros – sem perder de vista um enquadramento regional, e, por vezes, até um enquadramento nacional da informação de natureza local, de modo a situar o público leitor. Assim, os leitores de um jornal regional bem estruturado têm uma visão dos acontecimentos que movimentam seu município dentro do contexto regional e nacional em que cada cidade está envolvida. A identificação do leitor com o seu jornal ocorre à medida que o jornal abre espaço para eventos, festas, manifestações populares, reclamações de bairro sobre problemas no espaço público e outras notícias ou assuntos de interesse para os moradores da localidade.
Ao levar a informação regional e local a seus leitores, um jornal estimula o debate dos problemas – e das soluções para os problemas – a nível regional. De um jornal regional, a comunidade espera mais notícias locais tratadas com maior profundidade, ou seja, uma visão jornalística voltada para a realidade de cada município.
Ao oferecer a notícia regional com foco local, um jornal regional abre um canal para a população reivindicar, mostrar seus problemas e cobrar soluções junto da administração da cidade, exercendo assim, sua cidadania, em benefício da comunidade. Isso acontece quando a comunidade se identifica com o jornal e absorve a importância de ter um veículo de comunicação preocupado e comprometido com as necessidades regionais e locais.

(Obs. – Texto baseado no estudo acadêmico intitulado “O ‘TodoDia’ e a comunidade: o jornal regional como instrumento de cidadania”, da autoria de Ivone Moreira da Silva, jornalista, especialista em Jornalismo e Segmentação Editorial pela PUC-Campinas, e Bruno Fuser, jornalista, doutor em Ciências da Comunicação pela ECA/USP e professor titular da PUC-Campinas. Estudo completo aqui: http://migre.me/eKYQa)

segunda-feira, 27 de maio de 2013

Morreu Roberto Civita, o criador da "Veja"


A “Veja”, que é a revista semanal de informação geral em língua portuguesa mais lida do mundo, perdeu ontem o seu timoneiro, o empresário Roberto Civita, que estava internado desde março, tendo morrido neste domingo, aos 76 anos. Ele era filho de Victor Civita, fundador do Grupo Abril, e estava no comando da companhia há mais de duas décadas, período em que a empresa diversificou seus negócios, tornando-se um dos maiores conglomerados de comunicação da América Latina.
Roberto Civita era um homem de estratégia. Ele foi criador da revista “Veja” – a “newsmagazine” mais vendida no Brasil e a segunda mais vendida no mundo, atrás da “Time” – e diversificou negócios da editora Abril, a cujo conselho de administração presidia. "Ninguém é mais importante que o leitor, e ele merece saber o que está acontecendo", costumava lembrar Civita, segundo um texto publicado no site da “Veja”.
Roberto Civita nasceu em Milão, na Itália, em 1936. Estudou Física Nuclear em Rice, no Texas, formou-se em jornalismo na Universidade da Pensilvânia e em economia pela Wharton School, da mesma universidade. Fez ainda pós-graduação em sociologia pela Universidade de Columbia. Em 1939, a família foi morar nos Estados Unidos, onde permaneceu por dez anos. Em uma visita ao Brasil, o seu pai, Victor Civita, entusiasmou-se com a possibilidade de fazer negócios no país e chamou a mulher e os filhos para se mudarem para São Paulo. Confira mais informações: http://migre.me/eK2Zq.

terça-feira, 21 de maio de 2013

Comunicação de Ciência e Tecnologia pela primeira vez no Brasil


São inúmeros os eventos que estão acontecendo no Brasil pela primeira vez. Em diversas áreas de atividade. A cidade de Salvador, na Bahia, por exemplo, sediará entre 5 e 8 de maio de 2014 a 13ª Conferência Internacional sobre Comunicação Pública da Ciência e Tecnologia (PCST, na sigla em inglês). É a primeira vez que o evento ocorrerá em um país da América Latina.
Organizada pela Rede Internacional PCST, pelo Laboratório de Estudos Avançados em Jornalismo (Labjor) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e pelo Museu da Vida, ligado à Casa de Oswaldo Cruz/Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), a conferência PCST 2014 tem como tema central “Divulgação da Ciência para a inclusão social e o engajamento político”.
“Ter o Brasil como sede do congresso PCST será uma grande oportunidade para dar foco e dividir experiências, desafios e diversidade sobre o crescente tema comunicação e ciência na América Latina, motivando a participação de estudantes e pesquisadores que, de outra forma, não teriam a oportunidade de participar desse evento internacional”, destacam os organizadores do evento. Confira mais informações: http://migre.me/eDRNi.

segunda-feira, 20 de maio de 2013

Como surgiu a cor laranja na identidade do Itaú


Em comunicação a simplicidade e a objetividade são o caminho mais curto para o sucesso. Construções muito complexas, ainda que geniais, podem dar maus resultados. A introdução da cor laranja na imagem corporativa do Banco Itaú é um bom exemplo de como as grandes decisões de comunicação podem surgir do nada. Os responsáveis de comunicação do Itaú contam como tudo aconteceu. Confira no vídeo: http://youtu.be/g1xMSRqBx9o.

segunda-feira, 13 de maio de 2013

Mino Carta, a sociedade brasileira e o jornalismo

 

“O que realmente mudou a minha visão do jornalismo foi a ditadura, com a chegada da censura. Isso corresponde à minha ida para a revista ‘Veja’, que foi submetida a uma censura feroz. Foi quando me dei conta da importância do jornalismo, me dei conta da serventia dele.”

“O jornalismo é de uma enorme utilidade. No Brasil, então, nem se fala. No Brasil ainda estão de pé as casas grandes e as senzalas, então, contribuir de alguma forma para a demolição delas, algo que não enxergo como uma coisa próxima, me parece ser uma tarefa brilhante, que a mídia brasileira não cumpre.”

“Primeiro, inventa-se. O caso do tomate é um exemplo clássico, já que foi uma invenção, uma coisa sem base alguma. O que é grave, pois o jornalista não tem que inventar. Pior ainda é quando você mente, ou, omite. Olha, eu fundei tudo que de mais importante aconteceu nesse Brasil em termos de imprensa nos últimos 40 anos, escrevo um livro e, em qual país do mundo um livro deste seria ignorado pela mídia? Não existe, só aqui! É o único lugar do mundo onde os jornalistas chamam o patrão de colega. Patrão é patrão, jornalista é jornalista. Quando fui trabalhar na Itália, com meus 22 anos, existia uma lei, que até hoje perdura, pela qual o dono não pode ser diretor de Redação.”

“A Carta Capital é uma tentativa literal de sobrevida, de sobrevivência. Digo-lhe mais: não tenho interferência alguma na administração da empresa, nenhuma. Faço o meu trabalho, dirijo a Redação. E, claro, ganho meu salário que, comparado ao dos rapazes que dirigem redações por ai, sequer falo do pessoal das televisões, chega a ser ridículo. Trata-se da única coisa que ganho, dividendos nunca vi.”

“Quanto à chamada classe média, que não é média coisa nenhuma, claro que há influência [da mídia] sobre ela. Quanto ao povo, não! O povo, apesar de tudo isso [em relação ao governo], se a eleição fosse hoje a Dilma [Rousseff] ganharia. Apesar do tomate, apesar dos juros, apesar de tudo, assim como o Lula ganha, e ganhou. Essa mídia não chega ao povo brasileiro, à senzala. A senzala, eventualmente, vê o Faustão, uma coisa do tipo, mas o “Jornal Nacional” não. Ela não lê o editorial do ‘Estadão’, não lê a revista ‘Veja’, diferente da classe A, B, que acredita naquilo, repete as mesmas frases. Além de tudo, a ofensa diária contra a língua portuguesa é inominável, as pessoas não sabem falar, orgulham-se de usar 100 palavras, os próprios jornais. É a regra dentro da ‘Folha de S. Paulo’, por exemplo: diga tudo com cem palavras. Esta é a situação!”

“Temos uma mídia que funciona de um lado só e que se destina, em última análise, a um público muito restrito. Pensemos na imprensa dos países mais democráticos, onde há jornal de direita, de esquerda, de meia-direita, de meia-esquerda, de todas as tendências possíveis representadas na mídia. Isso cria um debate natural. Aqui é tudo de um lado só. Moro num prédio em que sou olhado como um perigosíssimo subversivo!”

“Se a ‘The Economist’ escolheu a ‘CartaCapital’ para ser sua parceira no Brasil, escolheu, não em nome de uma identidade, de uma afinidade ideológica, porque temos posições diferentes. A escolha foi em função da seriedade e da qualidade. Eles acham a imprensa brasileira uma tragédia e têm razão. Eles nos escolheram, mesmo que eu não tenha as mesmas posições da ‘The Economist’, nem a ‘Carta Capital’ tenha essas posições. A ‘Economist’, por exemplo, pede a demissão de [Guido] Mantega porque mexe com os interesses deles, de quem cujas causas advoga. Se a ‘The Economist’ fosse brasileira estaria perdida, coitada, porque na Inglaterra distribui 200 mil exemplares, menos do que distribui no Brasil a revista ‘Isto É’. Muito menos do que distribui a ‘Época’ e infinitamente menos do que a ‘Veja’. Os publicitários brasileiros aplicam febrilmente, e safadamente, critérios que chamam de técnicos. Nós temos uma revista que tira 70 mil exemplares por edição e, acho, se conseguirmos aplicar um pouco em autopromoção, poderemos sim multiplicar essa tiragem. Mas, qual é o limite extremo? Dobrar a tiragem? Seria sucesso total porque praticamos um vernáculo decente, porque não é fácil ler a ‘Carta Capital’. É uma revista séria, embora às vezes se permita lances de ironia. Razão pela qual será lida sempre por um público reduzido, como na Inglaterra, que é um país onde os índices de leitura são superiores aos nossos e você vê que a ‘The Economist’ distribui 200 mil exemplares.”

“Havia um contrato com os Civita, na minha época, no qual constava que eles definiam o tipo de revista [‘Veja’] que queriam, mas depois seriam leitores da revista. A discussão seria sempre ‘a posteriori’, nunca ‘a priori’, ou seja, não poderiam influenciar a pauta e coisa e tal. O Victor Civita cumpriu essa cláusula durante todo o tempo, ele tinha sua falta de escrúpulo, eventualmente, mas, ao mesmo tempo, era um fazedor, era um homem de realizações, um empresário dedicado. Quanto aos filhos, um era bastante claro em relação às suas pretensões, mas não se metia, enquanto o outro, o Roberto, era metidíssimo e calhorda.”

“A ‘Isto É’ tenta sobreviver, mas a editora Três está carregada de dívidas, uma coisa monstruosa. (…) A ‘Isto É’ tem uma posição ambígua, digamos, não é o delírio da ‘Veja’, não é a mesma coisa. Mais próxima da ‘Veja’ tem a ‘Época’, como postura ideológica.”

“[O processo de imbecilização] é um fenômeno mundial, acho, embora [no Brasil] seja mais acentuado porque a senzala continua de pé e os moradores da senzala apresentam uma certa diferença, em termos culturais. Nosso povo é especialmente ignorante. Não existem povos melhores ou piores e, lhe digo mais, a tragédia é que o Brasil poderia ser o paraíso terrestre. Acho, sinceramente, porque não existe no mundo um País tão favorecido pela natureza. A nossa elite é culpada, sim, muito culpada, pelo atraso que começa nesse ponto, exatamente, na permanência da Casa Grande e da Senzala, que é a herança de três séculos e meio de escravidão. Uma herança terrível, visível, tangível, você toca nisso diariamente. É doloroso porque o Brasil poderia ser o paraíso terrestre. As nossas circunstâncias históricas sempre foram ruins por causa de uma elite calhorda, prepotente, feroz, vulgar, ignorante, primária. É isso.”

Mino Carta, jornalista italo-brasileiro, em entrevista ao jornal “O Povo”, 13-05-2013 (ver texto integral aqui:  http://migre.me/ex2mZ). Mino Carta, de 79 anos, vive no Brasil desde 1946 e esteve na função e na direção de grandes meios de comunicação do país, tais como as revistas “Veja”, “Jornal da Tarde” e “Isto É”. Também fundou a revista “Carta Capital”, de que ainda é diretor de redação. É autor do livro “O Brasil”, em fase de lançamento.

quinta-feira, 9 de maio de 2013

Avianca esconde informação após pouso de emergência



O avião do voo 6371 da companhia Avianca – dos colombianos que estiveram perto de comprar a portuguesa TAP – apresentou problemas logo após levantar voo no Aeroporto Internacional Pinto Martins, em Fortaleza, às 7h05 desta quinta-feira, e fez pouso de emergência, seis minutos depois. O avião levava 83 passageiros e dirigia-se para São Paulo.
De acordo com o Blog do Eliomar, do jornalista Eliomar de Lima, do jornal “O Povo”, de Fortaleza, houve gente que não ganhou para o susto. “Deu pra gente ver fumaça numa das turbinas”, contou o empresário da área de shows Herbert Santos, que estava na aeronave ao lado da cantora Solange, da banda “Aviões do Forró”. “Foi um susto grande. Vimos fumaça na turbina e dentro da aeronave”, disse Herbert Santos, que era um dos 83 passageiros.
De acordo com a edição digital do jornal “Diário do Nordeste”, também de Fortaleza, ao ser procurada pela reportagem, a Avianca limitou-se a dizer que não poderia passar informações e que “não tinha tempo para isso”.
No tempo da informação instantânea, em que todas as pessoas podem ter acesso à informação por múltiplos meios e em qualquer lugar, e acreditando no relato do “Diário do Nordeste”, a Avianca demonstrou neste episódio um exemplo muito mau de comunicação, impróprio de uma companhia aérea. Demonstrou que não sabe atuar em situações de crise. E  demonstrou que não está preocupada com o bem-estar de seus clientes e seus familiares, amigos e conhecidos. Lamentável, numa companhia que quer dominar o negócio da aviação comercial entre a América Latina e outras regiões do planeta, nomeadamente a Europa.

quarta-feira, 24 de abril de 2013

A importância da verdade na comunicação territorial



Comunicar uma boa imagem de um País, de um Estado ou de uma cidade é muito mais do que encontrar um bom slogan. Uma frase bem achada até pode chamar a atenção da maioria das pessoas, mas será incapaz de realizar todo um trabalho de comunicação e de marketing de imagem. Porque, numa frase tão simples e tão curta, como deve ser um bom slogan, é impossível transmitir a dimensão multidimensional de um território.
Para ser bem-sucedida e se firmar na esfera pública e, em especial, na cabeça das pessoas, a imagem de uma localidade tem de ser transmitida de diversas maneiras e distribuída por diversos meios e plataformas à disposição dos agentes de comunicação, marketing e relações públicas. Tal como acontece com um produto de supermercado, a imagem de uma localidade tem de ser verdadeira, para que as pessoas acreditem e tenham confiança.
Se uma cidade ou um município divulgar uma nova imagem, mas continuar a ser o local diferente que dera origem à antiga imagem, a estratégia de comunicação será um fracasso. E os prejuízos para a gestão municipal serão, provavelmente, irreparáveis. Porque as pessoas não gostam de ser enganadas. Vivemos na era da comunicação, o que significa transparência, por oposição a um passado de opacidade, em que a informação não ia ao encontro das pessoas. Por isso, a verdade é muito importante na comunicação territorial de países, estados e cidades. 

terça-feira, 23 de abril de 2013

Repórter de jornal é a pior profissão dos EUA



O jornalismo como um negócio começou nos Estados Unidos, no século XIX. Enquanto na Europa, particularmente em França, o jornalismo era mais reflexivo, sendo visto como um meio de debate de ideias na esfera pública, e não como um negócio, foi o sentido mais empreendedor e comercial da sociedade norte-americana que vislumbrou no jornalismo um novo modelo de negócio, que estaria na origem de grandes impérios da comunicação à escala planetária. O mesmo aconteceu na Inglaterra. É por isso que alguns investigadores falam do jornalismo como uma invenção anglo-americana.
Os jornalistas americanos e britânicos inventaram a concepção moderna de notícia e organizaram os jornais com mais notícias e informação que quaisquer outros jornais franceses contemporâneos, por terem melhores serviços de recolha de informação. Há quem diga que práticas jornalísticas como reportagem e entrevistas se devem também a jornalistas americanos.
Foi nos Estados Unidos da América que a profissão de jornalista se desenvolveu, sobretudo depois da Guerra Civil (1861-1865), com uma nova geração de jornalistas, em que se destacaram Joseph Pulitzer – pioneiro na diversificação de conteúdos de um jornal, pois considerava que a apresentação era tudo – e William Randolph Hearst, entre outros nomes vindos da costa oeste americana, tais como Mark Twain e Adolph Ochs (que seria o futuro proprietário do “New York Times”). A deslocação para leste deveu-se ao facto de Nova York ser, já nessa altura, a capital de meios dos EUA. Era lá que estavam as principais empresas, era lá que estavam a mais importantes companhias de comunicações (telégrafo, telefone, etc.).
A história diz, portanto, que a profissão de jornalista já foi muito respeitada e já teve maior reputação, em especial nos Estados Unidos das América, onde começaram as primeiras empresas de comunicação, a partir de títulos de jornais nascidos no século XIX. Ora, nesta segunda década do século XXI, é também nos Estados Unidos da América que a percepção que os americanos têm da profissão de jornalista está nas ruas da amargura.
Estar sempre de plantão, enfrentar prazos curtos, trabalhar em um ambiente de alta-tensão e ganhar pouco são os pontos que caracterizam aquela que muitos consideram já a pior da América. Redações cada vez menores, orçamentos pequenos, concorrência de notícias “online” e organização dos veículos de comunicação fazem da profissão de repórter de jornal o pior emprego do país, segundo indica uma pesquisa agora divulgada (ver aqui). Um perigoso sinal dos tempos.

terça-feira, 16 de abril de 2013

Susan Fournier e o amor às marcas


Os estudos sobre o amor às marcas ainda são recentes. Eles decorrem das propostas para relacionamentos com marcas apresentadas pela investigadora norte-americana Susan Fournier, em finais da década de 1990.
O amor e a fidelidade dos consumidores às suas marcas preferidas é uma das questões mais fascinantes do universo do marketing e da comunicação. As conexões com as marcas e os laços afetivos tornam-se diferenciais difíceis de copiar porque tendem a ser únicos. É possível fazer uma calça igual a uma Levis ou uma bolsa parecida com a Louis Vuitton, mas com marcas desconhecidas e sem laços afetivos a atratividade e o preço ficam aquém das marcas mais admiradas.
Com base em estudos sobre o comportamento de clientes de bens de consumo, e utilizando uma metodologia de base etnográfica, Susan Fournier, professora de Marketing na Universidade de Boston, sugere tipos de relacionamento entre a marca e o consumidor, envolvendo relações que vão desde casamentos duradouros a encontros ou amizades casuais, passando por melhores amizades, amizades de infância e relações secretas, entre outros.
Nesta perspectiva, Susan Fournier questiona muitas das teorias de marketing de relacionamento estabelecidas, salientando que todos nós somos indivíduos, com propósitos completamente diferentes. Por isso, uma marca não pode partir do princípio que todos os clientes querem o mesmo tipo de relacionamento. Porque todos os seres humanos são diferentes. Na opinião de Susan Fournier, as relações com os clientes devem ser assumidas numa perspectiva psicológica e sociológica, tendo em conta os diferentes tipos de relações humanas, que, segundo ela, têm paralelos no mundo dos relacionamentos com os clientes.
A ideia central de Susan Fournier é que os consumidores estabelecem relações com as marcas porque elas proporcionam benefícios funcionais e porque, pura e simplesmente, gostam delas. Ou seja, estamos perante um caso de amor. Os clientes tendem a estabelecer relacionamentos com as marcas na medida em que as associações mentais que a elas fazem acrescentam valor e significado à sua vida.
Alguns desses significados podem ser de cariz funcional, uma vez que resultam da componente utilitária das marcas. Mas outros podem ser emocionais em virtude dos sentimentos que proporcionam aos consumidores. No fundo, os clientes também são pessoas!... Assim, o amor à marca corresponde a extremos, tal como o ódio. Quando amamos uma marca, escolhendo-a em detrimento de outra, como nas relações humanas, isso significa a existência de laços afetivos fortes e positivos com os fabricantes da marca eleita, os quais representam o sonho de qualquer agente de marketing.

Leituras complementares: