A
boa comunicação produz sempre bons resultados. Uma empresa que comunica bem os
seus produtos ou serviços é uma empresa que ganha boa reputação no mercado,
podendo vender mais e gerar mais lucros. Do mesmo modo, o candidato a uma eleição
que comunica bem é um candidato que se torna mais conhecido e com mais
possibilidades de vencer.
sexta-feira, 12 de setembro de 2014
terça-feira, 9 de setembro de 2014
A sociedade hedonista
A
capa da revista “Visão”, de 4 de setembro de 2014, na imagem, é bem
demonstrativa da sociedade hedonista e narcisista em que vivemos. A cultura
hedonista encara o prazer como o bem supremo, como a finalidade e o fundamento
da existência humana. Pessoas que querem o prazer a todo custo são pessoas
eminentemente egoístas, que se colocam em primeiro lugar para tudo, revelando
falta de percepção do outro em todos os momentos e em todas as relações, sejam
elas afectivas, profissionais, sociais e até sexuais.
Um
ser humano narcisista é pressionado pelo individualismo competitivo, que gera
ansiedade e insatisfação, as quais empurram a vítima para o consumo desenfreado.
É por isso que o hedonismo medrou na sociedade de consumo pós-moderna.
Numa
sociedade hedonista, as pessoas vivem para o prazer ou são induzidas a viver
para o prazer. É por isso que o regresso ao trabalho ou às aulas, depois de
férias, é motivo de stress, como aponta o tema de capa da revista “Visão”. O
regresso ao trabalho e às aulas é motivo de stress porque, numa sociedade
hedonista, trabalhar e estudar não dão prazer.
Além
disso, também é preciso alimentar a indústria da depressão. Quando a vida está
desagradável tem que haver um comprimido que a torne agradável. E o sistema
mediático promove esta cultura, sem que as pessoas, passivas, se apercebam.
segunda-feira, 1 de setembro de 2014
As pessoas querem proximidade e interacção
Na
semana passada, Marina Silva, candidata do Partido Socialista Brasileiro (PSB) à
liderança do Governo do Brasil, desembarcou no aeroporto de Ribeirão Preto, no
Estado de São Paulo, num voo comercial.
Apesar
de a organização da sua campanha ter colocado um veículo à sua espera na pista
do aeroporto, Marina preferiu demorar mais tempo saindo pela área de
desembarque comum. Ainda dentro do aeroporto, ela conversou e tirou fotos com
eleitores, mostrando-se como uma mulher normal. Ela que, onde chega, tem fama
de provocar um silêncio reverente e sepulcral. Mas uma campanha eleitoral faz
milagres e, agora, tal como Dilma Rousseff, também Marina Silva aderiu às “selfies”
(ver na imagem).
Estas quebras “protocolares”, como podemos designar a interrupção do percurso de um político por causa de uma fotografia, têm muita força comunicacional. Fartos de políticos importantes e muito distantes, mesmo
quando não cumprem com a sua palavra, os eleitores são cada vez mais pessoas de
corpo inteiro – pessoas potencialmente mais informadas ou com acesso a mais
informação, pessoas que têm meios de produção e difusão de conteúdos, pessoas que pensam pela sua cabeça, que escrevem directamente ao político, que apreciam proximidade e interacção.
Apreciam, no fundo, ser tratados como pessoas e não como meros votos que geram
vitórias eleitorais e poder.
Não
é por acaso que as quebras de protocolo do Papa Francisco são tão apreciadas,
mesmo por aqueles que não são católicos. É que essas situações transmitem do líder da Igreja Católica a
imagem de um homem normal, com quem podemos falar ou trocar um sorriso. Ora, ao
contrário do passado, as pessoas deixaram de ser contemplativas e passaram a
ser interactivas. Isso, que começou por acontecer na relação das pessoas com a arte, estendeu-se ao
comportamento quotidiano.
Na era da informação digital em que vivemos, em que a imagem prevalece sobre o texto,
em que a forma é mais importante do que o conteúdo e em que as reacções das
pessoas comuns são instantâneas e públicas, as “selfies” – além de serem um elemento de difusão da imagem dos candidatos políticos nas redes sociais – apresentam-se
como um elemento de comunicação capaz de humanizar os candidatos durante uma
campanha. Em suma, as
“selfies” são mais um instrumento de comunicação política que nenhum político
deve menosprezar, pois tem o valor de ser uma imagem orgânica que o eleitor decide fazer, podendo divulgá-la publicamente, caucionando, assim, o seu apoio público a um candidato.quinta-feira, 21 de agosto de 2014
As “selfies” de Dilma Rousseff
As
“selfies” de Dilma Rousseff fazem furor na campanha eleitoral brasileira. Onde
vai, a recandidata à Presidência do Brasil deixa-se fotografar ao lado de toda
a gente: crianças, idosos, operários, enfim, ao lado de quem aparecer com um telefone
celular no ponto de captar um autorretrato.
Sabendo
que tem um alto índice de rejeição nas pesquisas de opinião, o objetivo do
marketing de Dilma é fazer passar a imagem de uma presidente humana para reacender
os laços com o eleitorado.
Para
completar esta estratégia de comunicação, os programas eleitorais na TV já
começaram por mostrar Dilma na cozinha como qualquer dona de casa, a falar das
saudades que tem da filha, que mora longe. Tudo isto, visa mostrar Dilma
Rousseff a todo o Brasil como uma mulher igual a milhões de outras mulheres. Não
por acaso, Dilma justifica a sua figura humanizada na campanha com um argumento
imbatível: "Eu sou humana, não sou marciana" (ver aqui: http://glo.bo/1rnSAXK).
As
“selfies”, ou autorretratos, em português, que correspondem aos autógrafos de
antigamente, demonstram a importância cada vez mais crescente da imagem sobre o
texto. Nestas eleições brasileiras, elas são um elemento novo de comunicação
política. Fotografia: Marcos Ribolli
quinta-feira, 12 de junho de 2014
A Controlinveste e os jornalistas despedidos
A
Controlinveste, um dos maiores grupos portugueses de comunicação, anunciou o despedimento de 160 trabalhadores na rádio
TSF e nos jornais “Diário de Notícias”, “Jornal de Notícias” e “O Jogo” (ver
aqui: http://bit.ly/1kQP17B), entre os quais 65 jornalistas.
No “Jornal da Tarde” da RTP1 vi o jornalista João Paulo
Baltazar a revelar que é despedido da TSF por auferir um salário elevado. Ora,
excelente profissional da informação e do tratamento da informação em direto,
como se exige numa rádio de notícias, João Paulo Baltazar, que estará no auge
da sua carreira profissional, é uma das grandes vozes que restavam dos
primórdios da TSF – quando a emissora de rádio era de notícias (ver aqui: http://bit.ly/1qzSmZ8).
O seu despedimento
traz custos para a TSF daqui para a frente. E não me refiro à eventual
indemnização a pagar. São outros custos, porém, não estão inscritos na cartilha dos gestores de pacotilha, que é basicamente igual em todo o lado, seja nos governos,
seja nas empresas. Gestores que cuidam de segurar os seus lugares, e os lugares dos mais próximos, sem soluções para
contrariar o abismo que os circunda, gerindo empresas de comunicação como quem
gere fábricas de salsichas – sem desconsideração, obviamente, para este ramo da indústria alimentar, que exige, também ele, conhecimentos específicos.
Estes gestores pensam com a máquina de calcular e não percebem que ter o jornalista João Paulo Baltazar a narrar as notícias da manhã é
diferente do que ter outra voz e outro cérebro, com outra relação com os
ouvintes, com outra cultura e outra memória. Estes gestores, que fazem comunicados de
despedimento tratando as vítimas por “caros colegas”, não sabem o que é a cultura
e a identidade de uma organização jornalística. E depois querem audiências e
bons resultados de gestão. É a verdadeira quadratura do círculo!...
quarta-feira, 4 de junho de 2014
A “Dica da Semana” e o futuro do jornalismo
A
“Dica da Semana” é o jornal de variedades da cadeia de supermercados alemã
Lidl. Na edição de 5 de junho de 2014, uma entrevista à apresentadora de televisão Bárbara Guimarães, que confessa estar transformada numa mulher “mais confiante”, é o tema de capa e das páginas centrais, presumivelmente os espaços editoriais mais importantes. No meio, como suplemento, a publicação traz um catálogo com preços e
promoções, num formato estrategicamente maior que o da “Dica da Semana”, talvez para que
possamos ver o logótipo do Lidl depois do jornal dobrado. Isto é o marketing de
conteúdo impresso aplicado à comunicação dos supermercados. Uma comunicação que
incorpora de forma híbrida diversas componentes outrora muito definidas. Nesta
publicação temos jornalismo, marketing, relações públicas e publicidade. Esta é
uma tendência global da comunicação das marcas, invadindo cada vez mais territórios que, no passado, eram exclusivos do jornalismo.
Na “Dica da Semana” nada é deixado ao acaso. Com uma distribuição gratuita nos supermercados e
em casa dos consumidores, o jornal está tão bem organizado do
ponto de vista editorial que até já tem edições regionais! Na imagem, por
exemplo, podemos ver a edição “Bragança, Chaves, Minho” – regiões do Norte de
Portugal. Uma organização assim era suposto pertencer ao universo dos jornais
administrados por empresas jornalísticas. Mas é de uma rede de supermercados
que estamos a falar. Isto indica-nos uma nova dimensão do jornalismo do futuro:
o “jornalismo de marcas”, ou “brand journalism”, em inglês.
A
ideia faz levantar os cabelos de muitos jornalistas profissionais, pois
recoloca na agenda a velha questão da fronteira entre o marketing e a
informação. Uma mistura entre os dois campos parece, no entanto, ser um caminho
sem retorno, que tem as suas bases na evolução do próprio marketing. É que os
consumidores exigem, cada vez mais, que as marcas sejam verdadeiras e
transparentes. Ora, nada melhor do que produzir conteúdos sérios para demonstrar a verdade e a
transparência como valores das marcas. Mas isto ainda só está no começo.
Um
grupo de especialistas de marketing reunidos em Miami, em 2012, abriu a
polémica. Saber se os agentes de relações públicas estão preparados para se
transformarem em jornalistas de marcas foi justamente um dos temas principais
da agenda de debates. “Quando os profissionais do marketing e relações públicas
defendem o jornalismo de marcas eles estão refletindo uma nova postura das
empresas, agora preocupadas em desenvolver uma imagem social para
contrabalançar os efeitos negativos da preocupação exclusiva com o lucro
corporativo. Esta é uma tendência generalizada entre as grandes e médias
corporações, principalmente as que já têm um pé fincado no comércio eletrônico”,
considera o jornalista Carlos Castilho, que escreveu para no portal do Observatório
de Imprensa do Brasil justamente sobre o “jornalismo de marcas" como “a
nova estratégia de relações públicas” (ver aqui: http://bit.ly/1kuVnJr).
A
análise de Carlos Castilho, que é professor e analista de meios de comunicação,
vai ao encontro das dúvidas que hoje invadem as redações jornalísticas um pouco
por todo o mundo e que põem em causa o jornalismo como o conhecemos no século
XX: “Hoje já não dá mais para ser tão enfático na afirmação de que os
jornalistas defendem os interesses do leitor, porque já é muito difícil dizer
quais são os interesses de quem compra jornal dada a enorme diversidade de
necessidades e desejos. Também já não é mais possível dizer que os jornalistas
defendem os interesses do público, porque a agenda da imprensa está
condicionada pelos interesses das empresas jornalísticas, o que não é segredo
para ninguém.”
Outra
observação importante, do mesmo especialista: “A diferença entre o jornalismo
profissional e o de marcas está cada vez menos no produto final e mais no tratamento
da informação e da notícia. O jornalista, seja ele funcionário de uma empresa
jornalística, um ‘free lancer’ ou até mesmo um praticante (não profissional),
começa a tomar consciência de que a notícia está deixando de ser uma ‘commodity’
— porque perde gradualmente todo o seu valor comercial por conta do excesso de
oferta informativa gerado pela Internet — para se tornar um dos fatores de
produção de conhecimento.”
Com
as marcas a produzir e difundir conteúdos informativos, o que será da
informação de interesse público, aquela informação que não interessa às marcas,
como é o caso da informação política ou da informação sobre os problemas de uma
comunidade urbana, da educação ou da justiça? Fica a questão. Uma coisa é
certa: o jornalismo profissional precisa de um debate sobre o seu futuro para
encontrar o caminho certo.
terça-feira, 27 de maio de 2014
Marinho Pinto é uma construção mediática
Carmelinda
Pereira é uma candidata tradicional do POUS (Partido Operário de Unidade Socialista)
que nunca consegue ser eleita para os órgãos políticos a que se candidata. E lembro-me
de ver a senhora concorrendo a eleições há mais de 30 anos. Carmelinda Pereira,
que começou nestas andanças nos tempos em que era uma jovem revolucionária, tem
um problema de imagem e credibilidade: ela só aparece na televisão nos tempos
de antena obrigatórios por lei, nas campanhas eleitorais, ou seja, em espaços
televisivos desprezados pelas audiências. Fora disso, não tem existência mediática
e ninguém a conhece. É um caso de falta de comunicação estruturada e permanente.
Não admira, por isso, o último lugar do POUS, nas eleições europeias de 2014,
com 0,11 por cento em resultado de uns míseros 3692 votos em todo o país.
Um
caso bem diferente é o de Marinho Pinto, que foi a grande surpresa nas eleições
europeias em Portugal, ao ter conseguido a eleição de dois lugares no
Parlamento Europeu para o pequeno Movimento Partido da Terra, conquistando 7,1%
dos eleitores que foram às urnas, em resultado de uma votação na ordem dos 235
mil votos.
Quando
decidiu integrar a lista do Partido da Terra, Marinho Pinto já tinha construído
uma imagem mediática, em função da sua visibilidade pública enquanto bastonário
da Ordem dos Advogados. Já era uma figura pública conhecida da maioria dos
portugueses. Para ele, os estúdios de televisão já não tinham grandes segredos.
E muita gente já se identificava com o seu ar justiceiro e genuíno.
Ele
foi o primeiro bastonário que soube utilizar o lugar que ocupou para transferir
os temas áridos do escritório da advocacia para a arena mediática, tomando
posições públicas frequentes, vestindo a pele de homem corajoso no ataque à
corrupção e aos mais poderosos, a começar pelos poderosos da sua classe
profissional. Inclusive, enfrentou certa comunicação social, de que guardo na
memória a sua altercação em direto, num dos famosos telejornais de sexta-feira,
na TVI, que eram apresentados por Manuela Moura Guedes e que ficaram conhecidos
como um pequeno bastião mediático contra o Governo de José Sócrates.
Hoje,
Manuela Moura Guedes, que fora, episodicamente, deputada à Assembleia da
República nos primórdios do CDS/PP de Paulo Portas, em meados da década de 1990,
está na RTP1 a apresentar o concurso “Quem Quer Ser Milionário?”, enquanto
Marinho Pinto acaba de ser a grande surpresa das eleições europeias, sendo
eleito para Estrasburgo e tendo o povo já a pedir a sua candidatura às próximas
eleições nacionais.
Certos
comentadores consideram que a votação de Marinho Pinto significa a adesão dos
eleitores a uma figura populista. Mas há um detalhe que desmente essa visão:
Marinho Pinto tem um discurso estruturado, quer a dignificação da política e
dos políticos, defendendo mudanças do sistema dentro da democracia e nunca fora
dela.
O
sucesso eleitoral de Marinho Pinto resulta de um processo de construção
mediática no tempo em que ele foi bastonário da Ordem dos Advogados. Podemos
dizer que Marinho Pinto é um produto de comunicação. À sua visibilidade pública,
Marinho Pinto só juntou um discurso crítico do atual sistema político, feito
com pés e cabeça, tendo, por isso, sido capaz de penetrar em setores mais conservadores
do eleitorado que estão descontentes com as políticas de austeridade e a falta
de credibilidade de uma classe política corrupta.
Marinho
Pinto é, por isso, muito maior que o Partido da Terra, que, sendo um pequeno partido
sem representação parlamentar em Portugal, teve muito menos espaço mediático do
que PS, PSD-CDS, CDU e Bloco de Esquerda, segundo um estudo já divulgado. Ora, a comunicação é decisiva. A
prova disso é que, sabendo-se agora da eleição José Inácio como eurodeputado,
todos os meios de comunicação perguntam: “Quem é o segundo eleito do MPT?” (ver
aqui: http://bit.ly/1ntYMJv). E quantas pessoas terão votado no MPT por causa
de José Inácio?... (Fotografia: André
Kosters / Observador)
terça-feira, 22 de abril de 2014
O profissional de comunicação do século XXI
A
questão sobre quem deve dirigir a área de comunicação nas empresas é
susceptível de levantar dúvidas e dificuldades na hora da decisão da
contratação de um profissional. Sobretudo nestes tempos de convergência, ou hibridez, das ações de comunicação, não existindo divisões estanques entre as diversas disciplinas da comunicação. Nas redes sociais, por exemplo, as marcas misturam ações de marketing com ações de relações públicas e notícias. Essa mistura transforma o profissional de comunicação num agente multifunções, como se fosse uma espécie de canivete suíço.
Para uns, ter um bom serviço de comunicação
significa ter notícias nos jornais, para outros significa vender mais produtos
e serviços ou ter uma presença digital de excelência, para outros ainda
significa ter muitas ações de relações públicas para reforço da imagem da
empresa junto da comunidade. Para dificultar a decisão, todas as ações de
comunicação referidas são importantes numa boa assessoria de comunicação. Por
isso, a escolha não deve ter como critério principal uma das especialidades do
profissional a contratar – jornalista, relações públicas, analista de
comunicação digital ou técnico de marketing – mas antes uma formação e uma
bagagem cultural que permitam a esse profissional de comunicação demonstrar uma
visão cósmica do campo operacional.
De qualquer modo, é fundamental que o profissional de comunicação seja um bom produtor de conteúdo informativo, sabendo escrever sem erros e transformar um conjunto de dados num texto atraente, que possa ser lido com interesse por qualquer pessoa. Dominar a comunicação corporativa em ambiente digital é igualmente fundamental.
Além disso, um bom profissional de comunicação deve ter entendimento de economia e de política, assim como de sociologia, de psicologia, de estatística e de tecnologias de informação. Não precisa de ser fotógrafo, designer ou técnico de imagem, mas é essencial que tenha noções sobre essas artes cada vez mais importantes na comunicação contemporânea.
De qualquer modo, é fundamental que o profissional de comunicação seja um bom produtor de conteúdo informativo, sabendo escrever sem erros e transformar um conjunto de dados num texto atraente, que possa ser lido com interesse por qualquer pessoa. Dominar a comunicação corporativa em ambiente digital é igualmente fundamental.
Além disso, um bom profissional de comunicação deve ter entendimento de economia e de política, assim como de sociologia, de psicologia, de estatística e de tecnologias de informação. Não precisa de ser fotógrafo, designer ou técnico de imagem, mas é essencial que tenha noções sobre essas artes cada vez mais importantes na comunicação contemporânea.
O
profissional de comunicação do século XXI deve, também, possuir um amplo
conhecimento do negócio em que atua e setores económicos adjacentes, o que
implica ter bons conhecimentos em marketing, um conhecimento sólido da cultura popular
do mercado em qua atua e um acompanhamento do desenvolvimento tecnológico como utilizador.
Isso exige muito estudo, muita leitura, muita investigação, método, disciplina
e preocupação com sua própria imagem.
Atualmente,
um bom profissional de comunicação deve ter estas características, que
resultam de uma multiplicidade de saberes que, dificilmente, algum curso
superior será capaz de proporcionar de um modo tão completo. Isto quer
dizer que é preciso acrescentar ao saber académico uma série de outros saberes
que resultam de leituras e análises sociais próprias e da experiência profissional.
É um trabalho permanente, porque um profissional de comunicação tem de estar
sempre em formação para não perder o comboio da atualidade e as tendências dos
mercados, que estão sempre em mutação.
sábado, 19 de abril de 2014
Jornalistas famosos na publicidade. Um debate atual
Muitos jornalistas famosos e artistas utilizam a fama e a imagem de credibilidade conquistada na carreira profissional para vender produtos e serviços ou participar em anúncios comerciais na televisão e na Internet. São casos comuns na sociedade mediática e de consumo em que vivemos, mas que, muitas vezes, levantam problemas éticos.
A questão é que o negócio da fama e a fama
como negócio fazem parte desta nossa era do espetáculo e do comércio. É um tema
que foi objeto de um debate muito interessante, promovido pelo Observatório da
Imprensa – uma “think tank” brasileira sobre jornalismo.
O debate, com a duração de 50 minutos, é
moderado pelo prestigiado jornalista brasileiro Alberto Dines. Participam o
publicitário Adilson Xavier, o historiador e jornalista Paulo César de Araújo e
a colunista do Estado de S. Paulo Cristina Padiglione. Veja no vídeo: http://bit.ly/1tlZAT8.
sexta-feira, 4 de abril de 2014
Jornais fecham-se no papel e abrem-se no digital
Há
dias, o diretor de um dos maiores jornais de Fortaleza e do Nordeste do Brasil –
que integra um grupo de comunicação que tem rádio e televisão há muitos anos –,
dizia-me que o futuro dos jornais impressos está no jornalismo local e
regional. No caso, estamos a falar de jornalismo local e regional numa cidade em
cuja área metropolitana vivem 3,5 milhões de pessoas, tanto como na cidade de
Madrid, que é a maior da Península Ibérica.
No âmbito dessa estratégia, a informação
nacional e internacional tem cada vez menos espaço na edição em papel, tendo sido subtraídos os colaboradores de temas nacionais e
internacionais. Isto no que concerne à edição em papel, porque, na edição
online, isso não acontece. "Com a Internet, os jornais se fecham ao mundo no papel, focando-se no jornalismo de proximidade, e
se abrem no digital, chegando a todo o mundo e dando espaço a toda a informação", dizia-me o diretor, numa observação
muito curiosa.
Apostando no jornalismo local, os jornais impressos reforçam o vínculo com a sua comunidade de leitores. Os leitores, por seu lado, passam a sentir que aquele é o jornal em que podem confiar, pois é aquele que fala sobre os seus problemas. Deste modo, é incorporado um elemento emocional no processo de decisão de compra do jornal diário. Pode ser um caminho.
Até agora não tem sido esse o caminho percorrido pelos jornais portugueses, que praticamente eliminaram a
informação local das suas páginas em papel e das edições digitais (informação local que exige investimento e dá trabalho, pois
não há agências internacionais a descobrir as histórias e a escrever os textos),
ficando cada vez mais virados para si mesmos, para a macropolítica de Belém,
S. Bento e Bruxelas, para os interesses da alta finança e das empresas com
dinheiro para boas assessorias – que representam os interesses mais fortes –, e
para as vacuidades das pobres celebridades que transformam algumas páginas da
imprensa em feiras de vaidades de fraca qualidade.
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