A certificação de qualidade de bens e serviços é um instrumento de relações públicas que as empresas gostam de exibir, para obter ganhos de imagem e consequente agregação de valor. O mesmo acontece com as iniciativas de responsabilidade social. O objectivo é sempre criar percepções positivas sobre a empresa promotora.
A certificação de qualidade é vista como uma questão de sobrevivência de qualquer empresa, independentemente da sua dimensão ou do sector de actividade. E, para esse efeito, existem normas internacionais. O objectivo é responder às expectativas do cliente, que estão em permanente evolução, tornando assim o mercado altamente competitivo. Por isso, a certificação é indispensável porque é um factor de credibilidade e poderá ser também um factor de diferenciação em relação a empresas concorrentes.
A norma ISO 9001, por exemplo, refere as exigências de um sistema de gestão da qualidade com vista à eficácia na satisfação do cliente. Ela não inclui, porém, sistemas de gestão ambiental, saúde, higiene e segurança no trabalho, responsabilidade social, ou outros sistemas de gestão.
Mudam-se os tempos e as circunstâncias, mudam-se as prioridades. Como estamos num mundo em permanente mudança, talvez seja altura de as autoridades pensarem seriamente em certificar as empresas que pagam a tempo e horas. Numa altura em que há falta de liquidez e em que as empresas portuguesas são vistas como más pagadoras, talvez o ministro da Economia, Álvaro Santos Pereira, pudesse fazer alguma coisa para distinguir as empresas que cumprem os seus compromissos a tempo e horas. Deixo a ideia. Em Lisboa ou em Bruxelas, haja alguém que tome a iniciativa política. Porque, enquanto uma empresa alemã pagar a 30 dias e uma portuguesa pagar a 60 ou a 90, ou mais, a economia europeia não tem futuro.
Sabemos que o Estado português também não é exemplo para ninguém, mas é preciso começar por fazer alguma coisa pela economia portuguesa. Nos tempos que correm, uma empresa certificada como “boa pagadora” teria uma grande vantagem competitiva sobre muitas outras que pagam tarde e a más horas e que geram problemas de tesouraria em cadeia.
Essa certificação seria também um factor de competitividade internacional, uma vez que uma empresa que paga a tempo e horas pode negociar preços mais baixos e passa a ser vista com outros olhos pelos seus fornecedores. Seria bom para todos. E os técnicos e consultores de relações públicas iriam agradecer mais um motivo para acrescentar valor aos bons pagadores certificados…

Grande sentido de oportunidade nesta sugestão! Que bom seria que ela fosse seguida!!! Um abraço, Lurdes Macedo.
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