terça-feira, 5 de julho de 2011
Pequena reflexão sobre a cultura e a viagem
Ler um livro é sair do nosso tempo e da nossa perspectiva. É viajar e conhecer outros tempos e outras perspectivas sobre as pessoas e as coisas. Por natureza, uma viagem é sempre subjectiva. Viajar é muito mais do que ver os sítios e as coisas que não conhecemos. Viajar implica um confronto com a cultura do outro que relativiza a nossa cultura e provoca instabilidade. A verdadeira viagem é sempre rumo ao incerto. Viajar é ir para outro território e voltar diferente. Por isso, a viagem é sempre um confronto de nós connosco próprios. A viagem desinstala-nos.
As viagens do turismo de massas, que agora se vendem muito no Verão, são falsas viagens, porque as certezas com que partimos para o nosso destino de férias são as certezas com que regressamos a casa. Entramos num avião, somos transportados para outro continente, mas não viajamos, porque entramos em suspensão enquanto o avião nos leva. Por outro lado, ao sairmos de Portugal para um “resort” em Miami, no Recife ou em S. Tomé e Príncipe, sabemos antecipadamente como será o “resort”, se está perto ou longe da praia, assim como as suas características, que são praticamente as mesmas em todo o mundo. No fundo, pagamos um bilhete de avião para ir para longe e conhecer um novo País e acabamos por não sair do lugar.

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