As noites de domingo na TVI são um retrato fiel da sociedade mediática em que vivemos. Neste domingo, 1 de Abril, por exemplo, a TVI mostrou-nos a “final” da série "A Tua Cara Não me é Estranha" – em que pretensos famosos vão ao palco imitar outros famosos da arena musical, com o suposto objectivo de divertir a populaça. As exibições são avaliadas por um júri, igualmente formado por ex-famosos ou ex-futuros famosos, que também se divertem e procuram divertir quem está a assistir.
O programa é
conduzido pelo apresentador e “entertainer” Manuel Luís Goucha, que faz dupla com
Cristina Ferreira, uma moça com uma voz esganiçada, sempre disponível para nos
mostrar a coxa pela abertura do seu vestido longo. Até o membro do júri António
Sala, que o povo conhece dos tempos em que despertava o País nas manhãs da Rádio
Renascença, a emissora católica portuguesa, não cede à tentação brejeira de dizer
que a falta de pano pela coxa acima é a melhor parte do vestido de Cristina
Ferreira. O programa é isto. Nada, a não ser o risível e o patético. O povo, à volta do palco, só
aplaude, cada vez que o programador, escondido atrás da câmara, diz que é para
aplaudir.
É este o circo que podemos ver em sinal aberto. Um circo
assustadoramente vazio – como descreveria Gilles Lipovetsky –, que costuma
acabar perto da uma hora da madrugada de segunda-feira, dia de trabalho para
quem tem. Só aí é que começa o programa com imagens e informações sobre os
jogos da Liga Portuguesa de futebol, a que a TVI, teoricamente, está obrigada em função de ter
o exclusivo da transmissão em directo de um jogo por semana. O problema é que, depois
da uma hora da madrugada, e por entre quilómetros de publicidade enlatada, esse
futebol é para morcegos. Ou para os amigos dos morcegos.
