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terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Papa Francisco na capa da "Rolling Stone"


O Papa Francisco é tema de capa da “Rolling Stone”, uma revista norte-americana de música e cultura popular, consumida pelo público jovem, que está à venda, a partir de sexta-feira. É o reconhecimento internacional de que o Papa Francisco, além de líder religioso, é também uma figura da cultura popular contemporânea. E mais um excelente momento de comunicação do Vaticano e dos tempos de mudança que estão a ser promovidos por Jorge Mario Bergoglio.
O jornalista Mark Binelli esteve no Vaticano para fazer um retrato do Papa argentino, de 77 anos, tendo percebido que o líder da Igreja Católica está a romper com as tradições do Vaticano, promovendo aquilo que classifica como uma “revolução gentil” – que é muito bem vista pelos católicos de todo o mundo.
Em menos de um ano desde que começou o seu pontificado, conta a “Rolling Stone”, o Papa Francisco tem feito muito para separar-se de papas anteriores e estabelecer-se como papa do povo. Foi por isso que optou por não residir no palácio papal, escolhendo a casa de hóspedes do Vaticano, libertando-se, assim, do isolamento de clérigos do Vaticano. Ele optou também por utilizar um carro Ford Focus, nas suas pequenas deslocações em Roma, em vez de uma limusine com motorista. Além disso, o papa paga as suas próprias contas de hotel. Outras informações da “Rolling Stone” no link: http://rol.st/Mnjr3G.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

O "patrão" português que Moçambique expulsou


Há portugueses que emigraram ou estão a emigrar para as antigas colónias de África, ou para o Brasil, transportando consigo a mentalidade colonizadora do século XVI. Para além de isso revelar falhas graves de formação humana e cultural, é um grande erro estratégico. Que o diga José Pinto Ribeiro, um administrador do Moza Banco, parceiro do Banco Espírito Santo (BES), em Moçambique. Segundo conta o jornal “i”“pretos de merda” era só um dos insultos que ele costumava dirigir aos funcionários moçambicanos do banco. Uma estranha forma de comunicar internamente na organização. Os trabalhadores fizeram queixa às autoridades e o “patrão” foi expulso do País (ver notícia aqui). Eis uma lição de vida que o ex-administrador do Moza Banco nunca mais vai esquecer.

sábado, 21 de janeiro de 2012

A capital da cultura numa Europa em crise


Os discursos da cerimónia inaugural do evento Guimarães 2012 – Capital Europeia da Cultura não trouxeram nada de novo. Desde o presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, ao presidente da Câmara de Guimarães, António Magalhães, passando pelo primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, e pelo Presidente da República, Cavaco Silva, ninguém disse nada que mobilizasse os portugueses e os europeus para o futuro. E, cá fora, o povo em protesto nas ruas. Ora, sendo a cultura a base das civilizações é caso para concluir que a Europa demonstra não ter futuro. É pena que Guimarães, sendo o berço de Portugal, uma das nações mais antigas, e sendo uma das cidades que mais valorizam o seu património e a sua cultura, acolha um evento desta dimensão e significado num momento tão crítico da civilização europeia.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

O escandaloso encerramento da Livraria Camões


O Brasil é um País de grandes oportunidades e atravessa um período de crescimento económico ímpar na sua história. Mais do que isso: o Brasil foi descoberto por Portugal. Por isso, na década de 1960, o Governo de António Oliveira Salazar, numa decisão política acertada, e com sentido estratégico, apoiou a abertura da Livraria Camões no Rio de Janeiro, com a finalidade de “divulgar no Brasil as obras essenciais da literatura e da cultura portuguesas”. E em cerca de 40 anos já lá foram vendidos mais de 2 milhões de livros, segundo relatam os responsáveis da loja.
Este desiderato, contudo, parece não mais mobilizar a Imprensa Nacional – Casa da Moeda, empresa de capitais públicos portugueses que “administra” aquela livraria, na cidade que vai acolher o Mundial de futebol em 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016. Ora, numa decisão que é muito polémica, a livraria vai fechar as portas no fim deste mês de Janeiro. Deste modo, Portugal recusa-se a promover a sua língua e a sua cultura numa das grandes cidades do mundo, num País em que o português é a língua oficial e onde vivem muitos milhares de portugueses. Para mim é um escândalo. Só isso. 

domingo, 27 de novembro de 2011

O fado património mundial e a economia portuguesa


O fado é património mundial. É um grande desafio e uma grande oportunidade para vários responsáveis do Governo português, nomeadamente da Cultura, da Economia e do Turismo. Tal como no fado, também na economia e no turismo só quem tem unhas é que toca guitarra.
“A partir de agora, o fado não é apenas a canção de Portugal, a canção de Severa, Marceneiro, Amália, Carlos do Carmo, Camané, Ana Moura e Carminho – é um tesouro do mundo”, como escreve a jornalista Lucinda Canelas, na edição digital do Ípsilon, o suplemento cultural do diário “Público”. “Um tesouro que fala de Portugal, da sua cultura, da sua língua, dos seus poetas, mas que também tem muito de universal nos sentimentos que evoca: a dor, o ciúme, a solidão, o amor.”
A partir deste domingo, por decisão do comité intergovernamental da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO), o Fado é Património Mundial da Humanidade. Este sucesso da cultura portuguesa à escala mundial, começou a ser trabalhado em 2005, culminando com a formalização da candidatura apresentada pelo Museu do Fado, em nome da Câmara Municipal de Lisboa, em 2010, dois anos apenas sobre a aprovação da Convenção para a Salvaguarda do Património Cultural Imaterial. O fado foi então apresentado à UNESCO como “símbolo da identidade nacional” e “a mais popular das canções urbanas” portuguesas, tendo por embaixadores dois intérpretes que, por motivos bem diferentes, fazem parte da sua história de forma incontestada: Carlos do Carmo e Mariza.
O fado é uma das grandes marcas de Portugal com reputação internacional, que vai muito para além das comunidades portuguesas espalhadas pelo mundo. Conheço pessoas que nunca visitaram Portugal, que não têm origens portugueseas, nem sequer têm a cultura europeia, mas que ouvem Amália Rodrigues e outros fadistas com a veneração dos grandes fãs. Por isso, a eleição do fado como património mundial significa não só uma vitória da cultura portuguesa, mas de Portugal no seu todo, em particular do seu turismo e da sua economia.
Importa agora saber o que fazer com o fado como símbolo da portugalidade. Nesse sentido, a classificação da música da saudade como património mundial constitui um grande desafio e uma grande oportunidade para vários responsáveis do Governo português, nomeadamente da Cultura, da Economia e do Turismo.
Agora quero ver as unhas que Paulo Portas, o ministro da “diplomacia económica”, Álvaro Santos Pereira, o ministro da Economia, e Francisco José Viegas, o secretário de Estado da Cultura, têm para tocar, bem afinados, a guitarra que doravante tem de ser tocada para que o património mundial do fado faça sentido e tenha utilidade. Ou seja, é preciso saber o que é que o Governo vai fazer no sentido de articular um grande plano de marketing público de Portugal que ofereça ao mundo um produto turístico fundamentado na cultura fadista, que consiga gerar ganhos de imagem internacional para muitos outros valores turísticos e culturais de um dos países mais antigos do mundo.

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Richard Hamilton (1922-2011)


O britânico Richard Hamilton, considerado o pai da “Pop Art”, movimento artístico que emergiu na década de 1950, morreu esta semana, aos 89 anos. Crítico do fascínio pela sociedade de consumo, Hamilton ficou famoso com a obra “Just What Is It That Makes Today’s Homes So Different, So Appealing?” (O que torna as casas de hoje tão diferentes e apelativas?), uma colagem fotográfica de um casal nu, com corpos perfeitos, ele segurando um chupa-chupa vermelho que esconde o sexo e onde se lê “pop” e ela mostrando as mamas e com um "abat-jour" enfiado na cabeça, numa casa onde a referência a vários produtos é marcante, destacando-se os aparelhos de som e imagem, dispositivos essenciais da comunicação de massas e da sociedade de consumo. Segundo muitos historiadores de arte, esta foi a primeira obra de arte pop a transformar-se em objecto de culto, iniciando um movimento artístico que imortalizou nomes como Andy Warhol ou Roy Lichtenstein.
A expressão “pop art” é também atribuída a Hamilton, que, num texto escrito em 1957, definiu assim o movimento artístico de que foi fundador: “A ‘pop art’ é popular, transitória, dispensável, barata, produzida em massa, jovem, espirituosa, sexy, glamorosa e um grande negócio.”
Descodificando: “popular” por ser criada para as massas; “transitória” por ser de curta duração; “dispensável” por ser esquecida com facilidade; “jovem” por ser dirigida aos jovens; e “um grande negócio” por favorecer, antes de mais, o consumo.

sábado, 16 de julho de 2011

Galos, pássaros e Zés Pereiras


Viver na aldeia, perto da nossa cidade e de outras cidades, mas sem o bulício urbano e na companhia do verde dos campos de milho, do cantar dos galos e do chilrear dos passarinhos, é um privilégio. Com uma localização extraordinária, a cidade de Vila Nova de Famalicão, ao ter à sua volta, a poucos minutos, outras cidades como Porto, Guimarães, Braga, Barcelos, Póvoa de Varzim, Vila do Conde, Santo Tirso ou Matosinhos, oferece esses sinais de qualidade de vida em dezenas das suas freguesias.
O único problema acontece nos fins-de-semana em que há festa na paróquia e somos expulsos da cama pelo barulho ensurdecedor e sempre igual  dos Zés Pereiras. Eles pensam que estão a comunicar a festa como deve ser e que nós ficamos muito contentes com esse anúncio, mas, para muita gente, como eu, só estão a incomodar.
Felizmente, neste sábado, já passaram por cá, já acordaram a casa toda, já tocaram à campainha e já foram embora. Voltou o sossego. Mas é por pouco tempo, pois haverá foguetes para queimar no fim-de-semana. Viver em comunidade é isto mesmo: integrar uma cultura e respeitar a sua atmosfera.

terça-feira, 5 de julho de 2011

Pequena reflexão sobre a cultura e a viagem


Ler um livro é sair do nosso tempo e da nossa perspectiva. É viajar e conhecer outros tempos e outras perspectivas sobre as pessoas e as coisas. Por natureza, uma viagem é sempre subjectiva. Viajar é muito mais do que ver os sítios e as coisas que não conhecemos. Viajar implica um confronto com a cultura do outro que relativiza a nossa cultura e provoca instabilidade. A verdadeira viagem é sempre rumo ao incerto. Viajar é ir para outro território e voltar diferente. Por isso, a viagem é sempre um confronto de nós connosco próprios. A viagem desinstala-nos.
As viagens do turismo de massas, que agora se vendem muito no Verão, são falsas viagens, porque as certezas com que partimos para o nosso destino de férias são as certezas com que regressamos a casa. Entramos num avião, somos transportados para outro continente, mas não viajamos, porque entramos em suspensão enquanto o avião nos leva. Por outro lado, ao sairmos de Portugal para um “resort” em Miami, no Recife ou em S. Tomé e Príncipe, sabemos antecipadamente como será o “resort”, se está perto ou longe da praia, assim como as suas características, que são praticamente as mesmas em todo o mundo. No fundo, pagamos um bilhete de avião para ir para longe e conhecer um novo País e acabamos por não sair do lugar.