segunda-feira, 2 de abril de 2012

Da coxa de Cristina Ferreira ao futebol para morcegos


As noites de domingo na TVI são um retrato fiel da sociedade mediática em que vivemos. Neste domingo, 1 de Abril, por exemplo, a TVI mostrou-nos a “final” da série "A Tua Cara Não me é Estranha" – em que pretensos famosos vão ao palco imitar outros famosos da arena musical, com o suposto objectivo de divertir a populaça. As exibições são avaliadas por um júri, igualmente formado por ex-famosos ou ex-futuros famosos, que também se divertem e procuram divertir quem está a assistir.
O programa é conduzido pelo apresentador e “entertainer” Manuel Luís Goucha, que faz dupla com Cristina Ferreira, uma moça com uma voz esganiçada, sempre disponível para nos mostrar a coxa pela abertura do seu vestido longo. Até o membro do júri António Sala, que o povo conhece dos tempos em que despertava o País nas manhãs da Rádio Renascença, a emissora católica portuguesa, não cede à tentação brejeira de dizer que a falta de pano pela coxa acima é a melhor parte do vestido de Cristina Ferreira. O programa é isto. Nada, a não ser o risível e o patético. O povo, à volta do palco, só aplaude, cada vez que o programador, escondido atrás da câmara, diz que é para aplaudir.
É este o circo que podemos ver em sinal aberto. Um circo assustadoramente vazio – como descreveria Gilles Lipovetsky –, que costuma acabar perto da uma hora da madrugada de segunda-feira, dia de trabalho para quem tem. Só aí é que começa o programa com imagens e informações sobre os jogos da Liga Portuguesa de futebol, a que a TVI, teoricamente, está obrigada em função de ter o exclusivo da transmissão em directo de um jogo por semana. O problema é que, depois da uma hora da madrugada, e por entre quilómetros de publicidade enlatada, esse futebol é para morcegos. Ou para os amigos dos morcegos.

sexta-feira, 30 de março de 2012

Luciana Abreu comprou uma bomba para tirar leite

 

O “Correio da Manhã” é o jornal diário mais vendido em Portugal. Mesmo quando publica na primeira página notícias que não são notícia em lugar nenhum do mundo. A actriz Luciana Abreu, ao anunciar que comprou uma máquina para tirar leite, ao que se presume, das suas próprias mamas – e não das tetas de uma vaca qualquer –, está a oferecer ao "Correio da Manhã" a possibilidade de vender muitos jornais (ver aqui). Isso é que é grave. Donde, sem o “Correio da Manhã”, isto não seria a mesma coisa.

quarta-feira, 28 de março de 2012

Lula anuncia regresso à política




O ex-presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, difundiu um vídeo no Youtube após receber os resultados dos exames realizados no hospital Sírio Libanês, em S. Paulo, os quais mostraram a remissão completa do cancro. Lula utilizou o Youtube para agradecer o apoio recebido e anunciar o regresso à actividade política. O vídeo foi gravado na sede do Instituto Lula, nesta quarta-feira, dia 28 (Ver aqui).

“O Independente”, segundo Miguel Esteves Cardoso


“[‘O Independente’] era uma coisa moderna, normal. Uma coisa não respeitadora dos respeitinhos, e sem medo. Tinha havido o Estado Novo e a censura. Há esse medo de arreliar uma pessoa, de magoar pessoas, e nós, talvez inconscientemente, talvez irresponsavelmente, não tínhamos medo. E não tínhamos medo de não ser de esquerda. Historicamente, em Portugal, o PSD era ‘social-democrata’, como o Bernstein, era sempre preciso mostrar que se era primo direito ou em terceiro grau do Marx. Não imagina as discussões que havia em 1974. Até o CDS era pela sociedade sem classes. Esse elemento estava muito enraizado na maneira de pensar. E nós queríamos poder dizer que éramos conservadores. Ser conservador não é ser nazi, é querer que as coisas continuem, gostar das coisas como são. E isso era novo.”

“O jornal era um grupo de pessoas, mas a parte cultural era feita por mim e a parte política pelo Paulo [Portas]. O Caderno 3 tinha muitos jornalistas conservadores, mas muitos não o eram, não era importante. Fazíamos aquilo que nos apetecia.”

“O João Bénard escrevia exactamente como queria e com o tamanho que queria. Hoje em dia, não é bem assim. As pessoas compravam o jornal para ler essas pessoas. Sou fã do Vasco Pulido Valente e pensava: ‘Como é que este gajo, que eu lia quando era miúido, agora escreve para mim?’ Era uma idolatria pura, com a Agustina, com a Filomena Mónica, com o Barreto, ter esses colegas. E a fotografia era muito importante, nunca tinha havido fotografias assim. O essencial na relação com os fotógrafos, a Inês Gomnçalves, o Daniel Blaufuks, era podermos dar espaço às fotografias. E com o grafismo do Jorge Colombo podíamos ocupar a página como quiséssemos.”

“O que não se pode substituir nunca é a juventude, a primeira vez. Eu não conhecia o Paulo, o Paulo não me conhecia, éramos dois putos e decidimos: ‘Vamos fazer um jornal.’ Não sabíamos nada de jornais, nunca tínhamos trabalhado em jornais, e isso era excitante, poder fazer tudo, decidir quem é o director. Era maravilhoso, não se consegue reproduzir.”

“O Cavaco [primeiro-ministro entre 1985 e 1995] nunca pôs um processo, nunca chateou, nunca mandou uma carta, mesmo quando foi muito maltratado, foi impecável. E o Mário Crespo também. Essas pessoas com que gozávamos, como o Macário, acabavam sempre por ganhar, porque eram superiores. Com o Torres Couto, quando fomos entrevistá-lo, eu e o Paulo, ele fez pouco de nós, foi superior, respondeu às perguntas, e nós sentimo-nos muito mal. De repente, percebemos que estávamos a ser parvos e ele estava a ser um adulto, foi uma lição.”

Miguel Esteves Cardoso, fundador e primeiro director do jornal “O Independente”, em entrevista ao “Expresso”, 24-03-2012

terça-feira, 27 de março de 2012

Conrado Adolpho. “A Internet subverte a ordem das coisas.”


“Antes de pensar o que faremos pelo marketing, temos que nos perguntar o que faremos pelas pessoas. O marketing é (ou deveria ser) apenas um desdobramento do que as empresas fazem pelas pessoas. Se não tivermos as pessoas como objectivo final, não chegaremos a fazer muito em termos de marketing.”

“Devemos pensar no que a computação em nuvem pode fazer para ajudar as pessoas a melhorarem as suas vidas... O marketing acompanhará esse movimento. Já há muitas iniciativas geniais nesse sentido. Exames médicos que pertencem à pessoa, não ao médico ou ao hospital (que ficam na nuvem para que as pessoas possam aceder de qualquer lugar), administração de procura elástica em ‘sites' de filmes sem deixar que a banda seja prejudicada ou caia.”

“Os 8P’s do Marketing Digital são um processo de marketing no ambiente ‘online'. Os 8P’s não mudaram o marketing tradicional. Só o ampliaram para um ambiente mais complexo. Muitos comparam os 8P’s aos 4P’s e acham que os 8P’s são uma extensão dos 4P’s. Os 4P’s referem -se a variáveis controláveis num ‘mix' de marketing. Os 8P’s são um processo de marketing que visa organizar e automatizar acções de marketing digital dentro de uma empresa. Um complementa o outro, não substitui.Os 8P’s são pesquisa, planeamento, produção, publicação, promoção, propagação, personalização, precisão e começa-se tudo de novo. É um processo circular.”

“Os casos que mais dão certo são os que associam o "mundo virtual" – que é uma abstracção humana, porque o virtual faz parte do real – ao dia-a-dia, físico, ‘offline', do indivíduo.”

“A Internet subverte a ordem das coisas. O que é longe passa a ser perto, o que é pequeno passa a ser grande. O relacionamento é feito em larga escala, em massa, mas de maneira personalizada. A Internet cria novas regras e um novo ambiente que faz com que uma pequena empresa possa competir com uma grande desde que ela entenda quais são essas novas regras. E elas incluem a quebra da barreira geográfica, o que faz com que a geografia passe a ficar cada vez mais irrelevante. As empresas passam a ser o conteúdo que divulgam na Internet, o que faz com que uma empresa pequena, com uma boa curadoria e produção de conteúdo, se aproxime muito mais do consumidor do que uma grande empresa sem bons conteúdos.”

“A chegada da internet ao marketing funcionou como um evento de ruptura em que a essência continua a mesma, mas o resto – as ferramentas e a maneira de lidar com o consumidor – mudou completamente. A Internet para o marketing foi disruptiva. Ela é democrática, na medida em que tanto o pequeno quanto o grande tem acesso à mesma informação e às mesmas ferramentas pelo mesmo preço. Sabemos que existe uma tentativa de controlo por parte dos grandes, principalmente nos sectores governamentais. Mas isso a tornará menos democrática. Os fornecedores de infra-estrutura também têm engendrado movimentos de controlo. A liberdade expressa pela web pode ser prejudicada por tentativas de controlo por parte de alguns poucos ‘players' desse jogo. Só o tempo dirá o quão democrática a Internet será no futuro próximo.”

Conrado Adolpho, autor do livro “Os 8Ps do Marketing Digital”, “Diário Económico”, 23-03-2012 (ler documento integral aqui)

domingo, 25 de março de 2012

Moreira da Silva e Paulo Portas. Surpresas no congresso


O congresso do PSD, o primeiro desde que Pedro Passos Coelho lidera o Governo português, teve dois grandes vencedores políticos: um interno e outro externo. Mas ambos surpreendentes.
O vencedor interno é Jorge Moreira da Silva, um vice-presidente que tinha sido maltratado no processo de escolha da equipa do Governo (chegou a estar convidado para ministro do Ambiente) e que agora passa a ser o coordenador político do PSD e a sua primeira figura fora do Governo. Teoricamente irá assumir o papel até agora ocupado por Miguel Relvas. Falta saber como.
Moreira da Silva, que lidera o “think tank” Plataforma para o Crescimento Sustentável (ver aqui) empresta ao PSD uma marca social-democrata que perdera desde que Passos Coelho assumiu a liderança e entregou a máquina partidária a Miguel Relvas. É uma mudança a seguir com atenção. Até aqui director-geral das Nações Unidas da área de Economia das Alterações Climáticas, no Grupo de Energia e Ambiente, Moreira da Silva passa a ser consultor daquela organização.
O vencedor externo é Paulo Portas. Sim, o líder do CDS/PP e terrível antigo director de “O Independente”, que indispunha ministros e secretários de Estado do PSD nos tempos do primeiro-ministro Cavaco Silva nas noites de quinta para sexta-feira, entre 1988 e 1995, tais eram os escândalos que o jornal descobria e publicava. Agora parceiro da coligação governamental, Portas teve a honra de ser a figura central da abertura do congresso, ao ter sido convidado por Pedro Passos Coelho para passar a ideia de um Governo forte e unido.
Deste modo, Paulo Portas posiciona-se como candidato a candidato presidencial em 2016, com o apoio dos partidos do centro-direita. Não por acaso, Miguel Esteves Cardoso, também antigo director de “O Independente”, onde fez parelha com Paulo Portas, manifestou um desejo extraordinário na capa da revista do “Expresso” deste sábado: “Paulo Portas há-de mandar nesta merda”.

Passos Coelho fala bem, mas a realidade é terrível


No encerramento do congresso do PSD, Pedro Passos Coelho falou bem sobre a “revolução tranquila” que diz estar a empreender em Portugal. Demonstrou uma surpreendente sensibilidade social, acenou com uma palavra de “esperança” aos sacrificados da pátria e manifestou-se contra os privilégios que estão a distorcer a economia; contra o rolo compressor do Ministério das Finanças que mata empresas e afoga famílias; contra as parcerias público-privadas que estão a arruinar o País e a engordar a carteira de ex-ministros e afins, etc..
Curiosamente, foi quando anunciou a revisão destas escandalosas parcerias público-privadas, que serão objecto de uma comissão parlamentar de inquérito, que o líder do PSD ouviu os aplausos mais fortes do auditório. Foi um pequeno sinal do sentimento de indignação que atravessa o País.
Passos Coelho falou bem, é certo. E mostrou boas intenções na governação do País. Não se comprometeu com nada, pois não tem “uma bola de cristal”, muito menos o controlo de uma situação que depende basicamente da Europa. O problema é a partir de segunda-feira. Os congressos partidários são muito bonitos. A retória dos discursos é muito sedutora. O embate com a realidade é que é terrível.

sexta-feira, 23 de março de 2012

Dilma Roussef e a resistência à globalização


Nas economias emergentes, o Brasil é uma ilha de resistência à globalização, com o Governo de Dilma Roussef, do Partido dos Trabalhadores (PT), a não hesitar em aumentar a carga tributária sobre os produtos importados de modo a proteger a produção nacional. É claro que os partidários da ideologia neoliberal e os agentes dos mercados, cuja acção não se importa muito com a ética, assentando na ganância que está a destruir a Europa, já estão a berrar aqui e ali contra as políticas proteccionistas do Brasil. Porque querem entrar com mais facilidade nesse mercado apetecível de 200 milhões de pessoas com capacidade de consumo.
A grande diferença entre o Brasil e qualquer dos 27 países da União Europeia é que o Brasil é um País soberano – uma república federativa com 27 estados – que pode decidir o seu destino sem depender de ninguém. Já os países da União Europeu não podem decidir nada, vivendo prisioneiros de um espaço comum que, afinal, é cada vez mais desigual.
Nestes tempos em que a globalização da economia e das relações pessoais e profissionais é uma realidade irreversível, olho com muita curiosidade e interesse para a política de Brasília de protecção da economia, traduzida no aumento da carga tributária sobre os produtos importados ou no alívio dessa carga quando marcas estrangeiras produzem no próprio Brasil, gerando riqueza e emprego locais. Nos últimos dias, foi noticiado o aumento do imposto alfandegário sobre os vinhos de Portugal e do Chile (cujas importações subiram muito no Brasil em 2011) e sobre os carros produzidos no México (cuja importação também subiu bastante em terras brasileiras). E não se pode dizer que o vinho português no Brasil seja um produto acessível. Uma simples garrafa de vinho verde "Casal Garcia", por exemplo, que em Portugal pode custar cerca de 3 euros no supermercado, é vendida em qualquer supermercado brasileiro a 30 reais, o que equivale a 12,50 euros., ou seja, quatro vezes mais. Não será tudo motivado pela carga tributária, mas dela resulta um peso excessivo no preço final dos produtos importados pelos brasileiros.
A questão é saber até que ponto o Governo de Brasília será bem ou mal sucedido com o seu proteccionismo; se conseguirá manter uma economia em crescimento sustentado e sustentável, ainda que o preço a pagar pelos cidadãos brasileiros seja o custo muito alto dos produtos importados, ficando assim em desvantagem em relação aos consumidores norte-americanos e europeus, quando se trata, por exemplo, de comprar um perfume, um par de óculos de sol, umas calças jeans ou um iPad.   
Esse é um dos grandes desafios da economia brasileira nos próximos tempos. Se Dilma Roussef provar que a chave do equilíbrio económico do Brasil – evitando que o País seja contagiado por economias doentes – está no proteccionismo, talvez no futuro a globalização se torne mais contida à escala global.

A criação literária, o jornalismo e a vida


"Se eu fosse mais seguro não estava à espera de ter 40 e tal anos para editar um romance. Provavelmente, já teria editado antes, mas seria seguramente pior porque acho que a vida tem de passar por nós para depois sair."

“Criar é um espaço de liberdade. No jornalismo não posso criar. Numa reportagem tenho de lidar com o que acontece e com o que me dizem.”

"A vida está sempre a acontecer. Estamos metidos lá dentro, não temos noção de quem está a puxar a corda por nós. Às vezes levamos um puxão sem saber bem de onde, nem por que é que aconteceu.”

“Não nos preocupamos minimamente com os outros. Agimos inconscientemente, virados para dentro, não pensamos que ao estacionarmos o carro no lugar errado podemos estar a prejudicar outra pessoa. Ou seja, o tipo que estacionava ali chega atrasado para uma reunião e, como não tem o lugar vago, demora mais tempo a estacionar e leva uma 'bronca' do chefe. Seduz-me pensar nisso, como posso, ou não, influenciar a vida dos outros.”

Luís Francisco, jornalista e autor de "A Vida Passou por Aqui" (o seu primeiro romance), no suplemento “Ípsilon”, "Público", 23-03-2012

quinta-feira, 22 de março de 2012

O terrorismo na campanha francesa

Com o ataque terrorista de Toulouse, tudo mudou na campanha eleitoral para as eleições presidenciais francesas. Até agora, Nicolas Sarkozy estava em dificuldades (ver aqui), adoptando como estratégia um discurso de extrema-direita – o único eleitorado onde teria margem para crescer eleitoralmente, encolhendo Marine Le Pen.
A comoção que atravessa a França, em virtude dos sangrentos ataques de Mohamed Merah e a consequente aparição de Sarkozy como Presidente a tempo inteiro nas cerimónias fúnebres, baralha o jogo eleitoral. Porque estamos perante um caso que mexe com a mente do eleitorado. Por isso, a campanha do socialista François Hollande enfrenta um obstáculo inesperado que poderá ser fatal. Os franceses querem alguém que proteja a França. E Sarkozy está em palco, o que decorre das suas funções como Presidente legítimo dos franceses.
Em termos comunicacionais, há situações inesperadas que rebentam durante as campanhas eleitorais cujos efeitos são incontroláveis ou muito difíceis de controlar. Nuns casos, travam a mudança política que estava em perspectiva. Noutros, acentuam a tendência dessa mudança.
Em 1999, António Guterres, que se recandidatava a Primeiro-Ministro de Portugal, teve a seu favor o massacre de Timor Leste – que resultou na independência do território –, o que lhe deu muita exposição pública mediática. Como se isso não bastasse, em plena campanha eleitoral, morreu Amália Rodrigues e o País parou. Guterres venceu, contra Durão Barroso, mas nem assim conseguiu a maioria absoluta.
Em 1980, na última semana das presidenciais, morreu o Primeiro-Ministro e líder do PSD, Francisco Sá Carneiro, que se batia pela eleição do general Soares Carneiro contra Ramalho Eanes – tendo este acabado por vencer as eleições. Mas não sabemos qual seria o resultado eleitoral se Sá Carneiro não tivesse morrido.
Em 2004, em Espanha, na sequência de um ataque terrorista em Madrid, a quatro dias das eleições, onde morreram perto de duas centenas de pessoas, o Governo de José Maria Aznar (Partido Popular) manifestou dificuldade em atribuir a autoria dos atentados, o que levou o povo a sair às ruas, em manifestações espontâneas, o que contribuiu de forma decisiva para a mudança de Governo, com a vitória do socialista José Luiz Zapatero contra todas as previsões anteriores ao atentado. FOTO: Jacques Brinon / Associated Press