segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Sátira política nas eleições de São Paulo


O candidato do PT à prefeitura de S. Paulo, Fernando Haddad, “é filho do Lula e do Mensalão”. O candidato do PSDB, José Serra, “é o inimigo número 1 dos taxistas”. Estas são algumas das afirmações do “Blogão da Eleição”, que está a agitar o clima eleitoral em São Paulo com a sátira política em torno dos pontos fracos de cada um dos candidatos às eleições municipais.
Os autores do blogue, para já anônimos, afirmam que “abrem os olhos, os ouvidos e principalmente a boca”, num estilo mordaz e desassombrado, contando “tudo o que movimenta candidatos e candidaturas à Prefeitura de São Paulo”.
A ideia é fazer com que o eleitor decida em quem votar nas eleições municipais de 7 de Outubro com base o humor do “Blogão da Eleição” e não com base na informação oficial das candidaturas (ver aqui).
Neste domingo, o “Blogão da Eleição” era seguido por 380 internautas no Facebook, 170 no Twitter, 370 no YouTube. Mas estes números não querem dizer nada quanto à amplitude de difusão dos conteúdos. O vídeo intitulado “Fernando Haddad, o filho do Mensalão”, por exemplo, colocado sexta-feira, foi visto por 60.500 pessoas em apenas 1 dia.
Importa agora saber os efeitos desta espécie de contra-campanha na mente dos eleitores, sabendo-se que um vídeo desta natureza pode tornar-se viral com uma facilidade enorme. Um caso a seguir nas municipais brasileiras.

sábado, 1 de setembro de 2012

Turismo do Brasil lança campanha internacional


Numa altura em que o País se mobiliza na preparação de dois grandes eventos internacionais, como são o Mundial de Futebol 2014 e os Jogos Olímpicos 2016, o Instituto Brasileiro de Turismo (Embratur) lança uma campanha de promoção internacional, através de um vídeo que incentiva os potenciais turistas a “celebrar a vida” no Brasil, porque é neste País que “o mundo se encontra”. O filme está a circular nas redes sociais, a partir do canal do Embratur no YouTube, denominado Visit Brasil.
A campanha, que tem como mote “O mundo se encontra no Brasil. Venha celebrar a vida”, servirá “para aumentar a relevância e a repercussão deste conceito”, refere, em nota de imprensa, o director de marketing do Instituto Brasileiro de Turismo, Walter Vasconcelos.
No Facebook, a campanha inclui uma aplicação que permite que o usuário identifique os seus amigos que estão mais distantes geograficamente e propõe que eles se encontrem no Brasil. “Quando o cibernauta clicar em ‘convidar’, será criado um álbum na ‘timeline’ com imagens das distâncias entre cada amigo encontrado, que será marcado e alertado, e estes, por sua vez, poderão encontrar outros amigos distantes e convidá-los a encontrarem-se no Brasil”, explica Walter Vasconcelos. A ideia é divulgar o vídeo da campanha, além de peças publicitárias, com imagens do Brasil, disponíveis no aplicação.
O vídeo procura mostrar o estilo de vida do brasileiro, a diversidade da natureza e a força de uma cultura extraordinária, num local onde pessoas de diferentes origens convivem em harmonia. “Você vai descobrir um país jovem, moderno e sensacional assim que chegar aqui”, promete o Instituto Brasileiro de Turismo.

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Empobrecimento da Europa chega aos supermercados



O grupo Unilever, um gigante mundial da distribuição, está a preparar-se para uma forte redução do consumo nos países europeus. A ideia é passar a vender produtos embalados em porções mais pequenas por menos dinheiro. Porque, segundo afirmou Jan Zijderveld, responsável da Unilever para a Europa, ao diário “Financial Times Deutschland”, a pobreza está de regresso à Europa (ver aqui).
A mudança estratégica para abordar o mercado europeu inspira-se nos métodos já utilizados nos países asiáticos em desenvolvimento, vendendo produtos mais baratos embalados em porções mais pequenas. A Unilever comercializa uma parafernália de marcas, a maioria de produtos alimentares e de higiéne, tais como Becel, Flora, Comfort, Knorr, Omo, Cif, Axe, Rexona, Lux, Dove, Lipton, Calvé, Hellmann’s, entre outras.
Será que as previsões da Unilever, que apontam para o empobrecimento europeu e uma consequente quebra fortíssima do consumo sem fim à vista, são exageradas? Será que os políticos, que vão afiançando que depois da tempestade virá a bonança, são confiáveis?
Em minha opinião, uma empresa global não decidiria uma mudança estratégica desta natureza se não estivesse baseada numa investigação de marketing bem fundamentada.

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Mensalão. O julgamento dos poderosos



As consequências do julgamento do “Mensalão”, o maior caso de corrupção política na história do Brasil, que coloca no banco dos réus dirigentes da cúpula do PT (Partido dos Trabalhadores) do tempo do primeiro Governo de Lula da Silva (2003-2006), vão muito para além da esfera político-partidária. Podemos falar com propriedade em consequências civilizacionais, num País habituado a ter uma justiça com fama de condenar um pobre por roubar as galinhas do vizinho e fechar os olhos aos prevaricadores de colarinho branco ricos e poderosos.
Iniciado no dia 2 de Agosto, o julgamento do “Mensalão” regista a particularidade de poder ser acompanhado em direto, através da TV Justiça, pelos 200 milhões de brasileiros, num sinal de transparência impressionante, em profundo contraste com a opacidade e a impunidade que noutros tempos envolviam casos deste género. Pela primeira vez, o banco dos réus está ocupado pelos poderosos do partido que está no poder, vai para uma década. Isso é uma novidade no Brasil, neste julgamento que o jornalista Lúcio Flávio Pinto, muito a propósito, classifica como uma aula magna de direito (ver aqui).
Não há estudos de audiências rigorosos, mas a verdade é que há muita gente agarrada às televisões e aos computadores, seguindo diariamente a saga do “Mensalão”, para desgosto de muitos candidatos do PT, alguns em dificuldades nas eleições municipais, que se realizam no próximo dia 7 de Outubro, como Fernando Haddad, indicado por Lula da Silva para São Paulo.
Paralelamente, os principais meios de comunicação do País publicam páginas e páginas sobre a tramóia político-partidária – que assentava na compra de apoios políticos de opositores do PT no Parlamento –, trocando em miúdos os jargões da justiça, de modo que todos os cidadãos entendam o que está em causa no julgamento.
Por outro lado, as edições digitais de muitos meios de comunicação também transmitem o julgamento em direto. Ou seja, por consequência dos avanços tecnológicos verificados na transmissão da informação, o que é dito em tribunal é ouvido na rua ou em casa de cada brasileiro.
Por estes dias, o senador Pedro Simon (PMDB) afirmava em plenário que o Brasil “até parece um País do primeiro mundo”, tal tem sido o papel soberano da Justiça no julgamento do Mensalão, conjugado com a demonstração do exercício da liberdade de imprensa por parte dos meios de comunicação. Se o Brasil ainda não é do primeiro mundo, está prestes a entrar no clube. É só esperar pelas sentenças dos “ministros” do Supremo Tribunal Federal, das quais não haverá recurso. Delas depende o avanço civilizacional que milhões de brasileiros almejam. Um avanço que significará viver num País em que a Justiça funcione de igual modo, seja para ricos ou para pobres. 

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Melhor diretor de marketing do Brasil é português


A trabalhar no Brasil desde 2010, Nuno Teles foi considerado o melhor diretor de marketing do ano no Brasil, num evento organizado pelo prestigiado grupo Lide (www.lidebr.com.br), que distinguiu os melhores do ano do setor. Nuno Teles, que recebeu o galardão no 3º Fórum de Marketing Empresarial, é vice-presidente de marketing da Heineken Brasil. Mais informação no Dinheiro Vivo (ver aqui).

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Portugal e as raízes brasileiras



“Acredito que a nossa relação com a Europa não é feliz porque uma parte essencial das nossas raízes continua em África e no Brasil... Com a crise, muitos regressaram para lá. Em dez anos, fizemos todas as reformas pedidas pela Europa (o aborto, o casamento homossexual). Foi sem dúvida rápido, mas ao mesmo tempo a nossa economia não conseguiu criar bases sólidas. Estamos muito dependentes da situação espanhola, grega, irlandesa. Perdemos a nossa agricultura, a nossa pesca e a nossa indústria já pouco conta. Só nos resta a nossa cultura e o mar como oferta turística.”

Francisco José Viegas, secretário de Estado da Cultura de Portugal, em entrevista a “Le Monde”, citado pelo “Público”, 17-08-2012

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Dez estratégias de manipulação mediática, segundo Chomsky


Ideias de marketing para imobiliárias


Procurar uma casa para viver é um dos maiores desafios que podemos enfrentar no que concerne às compras que temos de fazer ao longo da vida. Escolher uma casa não é como escolher um computador ou uma peça de vestuário. Na procura de uma casa, seja através da compra do imóvel ou do aluger por um determinado período de tempo, estamos perante um processo de decisão moroso, dado estarem em causa múltiplas variáveis. A começar pelo peso dessa aquisição no orçamento familiar. Um negócio tão raro na vida de uma pessoa é também um desafio para as imobiliárias, que precisam permanentemente de clientes para manterem negócio.
A explosão da Internet, por seu lado, mudou o modo como nos relacionamos com o mercado. A Internet trouxe mais informação e maior capacidade de escolha para os consumidores. Com mais informação e um acesso mais facilitado às múltiplas ofertas do mercado, os consumidores tornaram-se mais exigentes. E essa maior exigência dos consumidores significa que as empresas passaram a ter mais um obstáculo à venda dos seus produtos e serviços.
Por isso, importa aplicar fórmulas de relacionamento permanente entre a marca e o cliente. As imobiliárias, por exemplo, precisam explorar fórmulas de relacionamento duradouro com os seus clientes, pensando que podem cruzar-se com o cliente mais do que uma vez. Ou pensando que, se for bem atendido, o cliente pode recomendar a imobiliária aos seus amigos ou familiares. O primeiro atendimento a um cliente tem de ser sempre o começo de uma longa relação que proporcione experiências agradáveis para as duas partes. As imobiliárias não devem, portanto, mediar um negócio e abandonar o cliente. As empresas que fizerem isso estão condenadas ao fracasso.
Foi justamente sobre fórmulas de relacionamento entre as imobiliárias e os seus clientes que escreveu o publicitário brasileiro Fábio Mesquita Torres, no portal Administradores, cujo texto partilho com os leitores do COMUNICAÇÃO INTEGRADA. São ideias e provocações criativas para as imobiliárias perceberem a importância de se estabelecer um forte canal de relacionamento com seus clientes, e, principalmente, ganharem espaço na mente de clientes potenciais (ver aqui).

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

O instante decisivo de uma campanha eleitoral


Numa campanha eleitoral todos os meios são importantes para difundir a mensagem e seduzir o eleitor, desde que se complementem e promovam uma comunicação integrada. Mas continuo a pensar que, por muito que a Internet e comunicação digital se desenvolva, nada substitui a eficácia da comunicação interpessoal. Aquele momento em que o candidato encara o eleitor olhos nos olhos e o cumprimenta com afeto continua a ser o instante decisivo de uma campanha eleitoral capaz de ficar na cabeça do eleitor até ao dia da eleição. Talvez por isso, na campanha para as eleições municipais da cidade brasileira de Fortaleza, governada por uma coligação liderada pelo PT e onde vivem 2,5 milhões de habitantes, o aproveitamento da Internet como ferramenta de campanha ainda é reduzido, ainda que quase todos os candidatos estejam presentes na rede (ver aqui). 

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

A austeridade comunicacional de Angela Merkel



Um dos segredos para percebermos o nível de consistência das ideias e das mensagens de um político é observar com muita atenção a sua comunicação verbal e não verbal. Como é referido no blogue Marketing Político en La Red, citando o antropólogo Albert Mehrabian, as palavras fornecem apenas 7% do conteúdo de uma mensagem (ver aqui). Por isso é que a comunicação digital não substitui o contato interpessoal.
O tom de voz e outros detalhes vocais valem 38% do conteúdo de uma mensagem, enquanto a linguagem corporal significa 55%, segundo os estudos desenvolvidos por Albert Mehrabian. Vem isto a propósito de Angela Merkel e da sua austeridade comunicacional, que se traduz num discurso dogmático e inflexível – que é fiel à ortodoxia económica vigente na Europa – numa indumentária austera e nada sedutora – ao contrário do que é normal numa mulher – e numa linguagem gestual rígida e inexpressiva, como aconteceu, por exemplo, quando, inadvertidamente, levou com uns copos de cerveja pela cabeça abaixo. O tema é escalpelizado no blogue Marketing Político em La Red que partilho com os leitores (ver aqui).