domingo, 29 de dezembro de 2013

O papel da imprensa económica no espaço mediático português


“(...) Alguns jornalistas ficam muito irritados quando afirmo (e vou repetir) que um dos problemas dos dias de hoje na vida pública em Portugal é a facilidade com que a comunicação social absorve a linguagem do poder e a reproduz como sendo sua, assim legitimando-a porque lhe dá um sujeito neutro, tornando-a uma verdade universal. Este processo não é simples, não se trata de estar “a favor” ou “contra” o Governo, nem sequer de atuar em função de preferências ou hostilidade partidárias, porque se fosse assim seria mais fácil identificar o que se passa.
Há um papel importante para os gostos e os ódios pessoais, mas isso faz parte do meio jornalístico desde sempre. O hábito é ajustar contas em função das simpatias ou antipatias pessoais entre jornalistas, políticos e outras personagens do espaço público, muito mais eficaz como explicação do que as simpatias partidárias. A promiscuidade entre jornalistas e “fontes”, a troca de favores e cumplicidades, as amizades e os amores, as vinganças e elogios interessados passam-se de modo subterrâneo, mas explicam muito da atitude de jornalistas face aos detentores do poder político, atual ou passado. Ora pouca gente cultiva mais a sua relação com os jornalistas do que os grupos dirigentes das “jotas” dos partidos, seja do PS ou do PSD, cuja proximidade social, cultural, de mentalidade e modo de vida, é quase total, e cuja partilha geracional de vocabulário (escasso), fragmentos de ideias, mitos e (in)experiências é igualmente comum.
Muitas vezes estas empatias têm a ver com o bem escasso da “influência” e os conflitos pela capacidade de a ter, outras vezes é inveja por ganhos e recursos. O problema é que, sendo esta uma explicação importante para muito do que se publica e se diz, ainda por cima em meios muito pequenos, que comunicam entre si, e onde está sempre alguém no lugar pretendido por outrem, ela é invisível para a comunidade dos consumidores dos media, que desconhecem muitos dos meandros que estão atrás dos bastidores. Explicava muita coisa, como se percebeu quando do “caso Relvas”, mas é na maioria dos casos impossível de usar.
Há cada vez mais jornalistas e jornalistas-comentadores mais próximos do poder, partilhando do mesmo pensamento de fundo associado ao “ajustamento”, embora possam discordar e algumas vezes serem até agressivos na crítica a aspectos de detalhe da governação. O problema é que a concordância de fundo é muito mais importante do que a discordância no detalhe e o núcleo central de legitimação do poder permanece intocável.
A mentalidade adversarial da comunicação social, já em si mesmo uma fragilidade, deu lugar a uma enorme complacência com o poder. Uma das razões desta proximidade de fundo tem a ver com o papel cada vez mais destacado da imprensa económica em tempos em que a “crise” é dominantemente explicada apenas pelas suas variantes económicas. O predomínio da economia levou a um avolumar do “economês”, uma variante degradada quer da economia, quer da política. E esse “economês” favorece os argumentos de “divisão” que têm tido muito sucesso no discurso público, fragilizando, no conflito social, umas partes contra as outras. Este discurso da divisão é uma novidade desta crise e uma das principais vantagens da linguagem do poder.
Colocar novos contra velhos, empregados contra desempregados, trabalhadores privados contra funcionários públicos, reformados da Segurança Social contra pensionistas da CGA, sindicalizados contra “trabalhadores”, grevistas contra a “população”, e muitas outras variantes das mesmas dicotomias, tem tido um papel central no discurso governamental, que encontra na “equidade” um dos mais fortes elementos de legitimação. Se se parar para pensar, fora dos quadros das “evidências” interessadas, verifica-se até que ponto uma espécie de neomalthusianismo grosseiro reduz todas estas dicotomias a inevitabilidades a projeções sobre o “futuro” muito simplistas e reducionistas e que recusam muitos outros fatores que deviam entrar na avaliação dessa coisa mais que improvável que é o “futuro”. À substituição da política em democracia, com o seu complexo processo de expectativas e avaliações, traduzidas pelo voto, ameaçando, como dizem os “ajustadores”, pela “politiquice”, ou seja, as eleições, a “sustentabilidade” das soluções perfeitas de 15 ou 20 anos de “austeridade”, soma-se a completa falta de pensamento sobre o modo como as sociedades funcionam, que o “economês”, que é má economia, não compreende.
A redução das análises correntes a este “economês”, sem política democrática, nem sociedade, revela-se num fenómeno recente que é a proliferação de livros de jornalistas com as receitas para salvar o país, quase todos sucessos editoriais. Eles mostram a interiorização profunda, em muitos casos prosélita, noutros mais moderada, da linguagem, explicações, legitimações, amigos e adversários, proto-história e factos selecionados, do discurso do poder sobre a crise. A isso acrescentam propostas em muitos casos inviáveis em democracia e num Estado de direito, e cuja eficácia, mesmo nos seus termos, está por demonstrar.
Esses livros favorecem a ideia de que o “vale-tudo” que está por detrás da continuada sucessão de legislação inconstitucional do Governo poderia ser a solução ideal “para Portugal”, que infelizmente é “proibida” ou pela “resistência corporativa” dos interesses ou por entidades como o Tribunal Constitucional, ou mesmo pela “ignorância” e impreparação da opinião pública. Escreve-se como se não houvesse interesses legítimos que o Estado de direito acautela, ou práticas brutais de transferência de rendimentos e recursos, que tem sempre quem ganha e quem perde, cujos efeitos na conflitualidade social tornam por si próprio insustentável a sua manutenção. São de um modo geral muito complacentes com os de “cima” e muito críticos dos de “baixo”, e dão pouca importância aos efeitos de exclusão e diferenciação social que as suas políticas propõem, mas, acima de tudo, ignoram sistematicamente que elas falham no essencial, ou seja, que são ineficazes para os objetivos pretendidos.
A solução é, em vez de mudar as políticas, acrescentar-lhes mais tempo e é por isso que o coro da “austeridade” para décadas é cada vez maior e será ruidoso depois da troika mandar aterrando cá, para mandar a partir de Bruxelas. Aliás, será um interessante exercício ver o que nos diziam em 2011, sobre os resultados que já se deveriam ver em 2012, e o milagre de uma economia pujante “libertada do Estado”, já em 2013, e que agora é de novo prometida em 2014. Se diminuíssemos a dívida e défice em função das “intenções proclamadas” para o ano seguinte, já estávamos a cumprir o Pacto Orçamental.
Alguns jornalistas sabem que é assim, que a linguagem do poder se estabeleceu de forma acrítica na comunicação social, e aqui e ali tentam funcionar a contracorrente. Mas as redações estão muito degradadas, com meios muito escassos, o trabalho precário, barato ou quase gratuito, pouco qualificado, prolifera e o emprego está sempre em risco, pelo que a prudência exige muita contenção. Por outro lado, o papel crescente da “comunicação” profissionalizada, a que Governo e empresa, recorrem cada vez mais, exerce uma pressão considerável no produto final da comunicação social, em particular na informação económica. A isto se junta o proselitismo na Rede, nos blogues e no Facebook, nos comentários anónimos, às claras ou em operações “negras” de assessores militantes e amigos dos partidos do Governo, à procura de um lugar ao sol, ao exemplo do que um destes operacionais revelou recentemente numa entrevista à Visão.
Por isso, neste combate pelas palavras de 2014, o Governo parte em vantagem, não porque tenha razão, mas porque tem mais meios e, pior ainda, conta com a força que num país pequeno, fragilizado, com uma classe média empobrecida, com uma opinião pública débil, tem o discurso que vem do lado do poder. Já acontecia com Sócrates, acontece com Passos Coelho.”

José Pacheco Pereira, historiador e militante do PSD, partido que lidera a coligação governamental, “Público”, 28-12-2013 :: Texto integral: http://bit.ly/1fTeU1C :: Título da responsabilidade do blog COMUNICAÇÃO INTEGRADA

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

O vídeo das advogadas de Lisboa


Cinco advogadas portuguesas, por sinal bem parecidas, colocaram um vídeo promocional na Internet que está a agitar a advocacia do país. Para uns, a iniciativa delas trata-se de uma excelente ação de comunicação. Para outros, as advogadas recorreram a meios ilícitos de publicidade para promover o seu escritório, nomeadamente através de poses em público pouco consentâneas com a discrição que a Ordem dos Advogados impõe aos seus profissionais. 
O desafio da comunicação para escritórios de advocacia é comunicar sem deixar de respeitar as peculiaridades e a dignidade da advocacia. Os escritórios de advocacia dispõem de menor flexibilidade no uso de ferramentas de marketing e comunicação do que diversos outros ramos de atividade económica, porém, estão disponíveis muitas formas de contornar as restrições a certas práticas de marketing jurídico dentro dos limites do estrito respeito pelos princípios que orientam a ética profissional.
As cinco advogadas do escritório Maria do Rosário Mattos e Associados, com sede em Lisboa, tiveram uma ideia de comunicação genial: um vídeo promocional, com a duração de 108 segundos, no qual elas são protagonistas, passeando pelas ruas da capital portuguesa, enquanto uma voz “off” vai informando sobre a visão e o posicionamento do escritório, especializado em recuperação de créditos, num registo que incorpora curtas declarações de cada uma das advogadas (ver o vídeo aqui: http://youtu.be/-ytQrEih6_o). Nada de extraordinário, a não ser o pioneirismo da ação comunicacional, profusamente difundida na Internet, obtendo uma visibilidade que outra ação de comunicação dificilmente alcançaria. Uma visibilidade ainda mais impulsionada pela polémica.
O artigo 89º do Estatuto da Ordem dos Advogados, sobre “informação e publicidade”, é muito claro quanto aos atos lícitos de publicidade dos escritórios de advocacia. No ponto 1, diz que “o advogado pode divulgar a sua atividade profissional de forma objetiva, verdadeira e digna, no rigoroso respeito dos deveres deontológicos, do segredo profissional e das normas legais sobre publicidade e concorrência”
Segundo o Estatuto da Ordem dos Advogados (ver aqui na íntegra: http://bit.ly/1dphzOV), entende-se por “informação objetiva”, nomeadamente, “a identificação pessoal, académica e curricular do advogado ou da sociedade de advogados”, “a morada do escritório principal e as moradas de escritórios noutras localidades”, “a denominação, o logótipo ou outro sinal distintivo do escritório”, “a indicação das áreas ou matérias jurídicas de exercício preferencial”; “os colaboradores profissionais integrados efetivamente no escritório do advogado”, entre outras informações. Ora, são algumas destas informações que o vídeo transmite. Por isso, em minha opinião, o vídeo respeita os princípios que orientam a ética profissional dos advogados.
O Estatuto da Ordem dos Advogados não impede o vídeo como meio de divulgação da informação, sendo omisso sobre essa matéria. Portanto, o problema – se é que estamos perante um problema – terá a ver com o meio de comunicação utilizado para distribuir a informação e não com o conteúdo da informação. O que as advogadas fizeram foi adequar a mensagem às novas tecnologias de informação, pelo que deveriam ser elogiadas por isso, em vez de criticadas.
Refira-se ainda que, segundo a Ordem dos Advogados, são atos “lícitos de publicidade”, entre outros, “a menção à área preferencial de atividade”, “a menção à composição e estrutura do escritório” e “a inclusão de fotografia, ilustrações e logótipos adotados”. Por isso, não vislumbro qual é o problema do vídeo. Considero até que as advogadas estão de parabéns por esta ação de comunicação inovadora.
Alguns setores da Ordem dos Advogados já vieram a público condenar a ação das advogadas, considerando o vídeo como “escandaloso”. O caso está a ser tratado com tanta gravidade que o Conselho Distrital da Ordem dos Advogados de Lisboa já decidiu abrir um inquérito disciplinar, após ter recebido várias queixas (ver aqui: http://bit.ly/1fpIhbI). Aliás, aludir a “uma exigente postura pública de probidade e discrição” por parte dos advogados, criticando, assim, a participação das advogadas no vídeo, parece anedótico.
A voz “off” do vídeo promete “elevada qualidade profissional” e “competência técnica”, assim como o cumprimento de “objetivos” que geram “resultados”. Mas isso não constitui uma violação das normas legais sobre publicidade e concorrência. Só que o estatuto dos advogados considera situações como “a menção à qualidade do escritório” ou “a promessa ou indução da produção de resultados” como sendo “atos ilícitos de publicidade”. E podemos considerar um vídeo promocional posto a circular na Internet como publicidade”, no sentido da publicidade que é paga tendo em vista a obtenção de um retorno? Tenho muitas dúvidas.

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Mário Soares: “O jornalismo vai desaparecendo”


“A comunicação social, tal como a entendíamos no passado, praticamente deixou de interessar. Os jornais vendem cada vez menos. As televisões também sofrem a concorrência da Internet, onde, através das redes sociais, as notícias vão chegando, com custos mais acessíveis aos que têm pouco – ou mesmo nada – para gastar.
A crise financeira e a globalização, tão elogiada há algum tempo, praticamente deixaram de interessar. Os jornais são cada vez menos lidos porque não falam do que a maioria das pessoas quer saber. E as televisões menos vistas e ouvidas pela mesma razão.
Os jornalistas, cada vez mais dependentes dos patrões, deixaram de dizer o que pensam – como antes faziam – para agradar ao que julgam pensarem os patrões. E o público, cada vez mais empobrecido com a crise, não tem interesse em comprar os jornais que mal escrevem aquilo que querem saber... É um círculo vicioso que não interessa a ninguém.
Nos últimos anos, os jornais e as revistas portuguesas começaram a ser comprados por angolanos com dinheiro para gastar. Antes eles – é verdade – do que os magnatas americanos que compraram de uma assentada “Le Monde” e “El País”...
É assim que o jornalismo do tempo da democracia vai desaparecendo nesta espécie de ditadura em que vivemos. E como os poucos jornalistas e comentadores das televisões, para agradar aos patrões, não escrevem nem dizem o que pensam – com raras e honrosas exceções, claro – mas tão-só o que julgam agradar aos patrões. E os leitores deixam de comprar os jornais e de abrir as televisões. É inevitável...
A comunicação social, dado que os jornalistas não querem perder suas posições, deixa de ter interesse, tem cada vez menos leitores e telespectadores a ouvir e a ver as televisões. Porquê? Porque têm medo de não agradar ao Governo, a caminho da ditadura. Assim se vai destruindo a nossa comunicação social, com as consequências nefastas que daí advêm.
Isto é: perdem todos. É o que resulta de um capitalismo cada vez mais selvagem – como lhe chamou desassombradamente o Papa Francisco – que mata o futuro e vai acabar por ser um desastre para aqueles que julgam que o vão usufruir...”

Mário Soares, político português, “Diário de Notícias”, 17-12-2013 :: Texto integral: http://migre.me/h3F70 :: Fotografia: "Público"

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

De olho nos consumidores


No marketing contemporâneo os estudos sobre o comportamento do consumidor são elementos fundamentais de investigação e análise para melhor determinar a segmentação dos públicos e o posicionamento de marcas e produtos. No fundo, os consumidores, agora mais informados e exigentes, é que marcam o ritmo das marcas, dos seus produtos e dos seus serviços.
Francisco Teixeira (http://www.franciscoteixeira.com), que é especialista de marketing, afirma que vivemos sob o reinado do consumidor”, pois é o consumidor quem está em melhores condições para fornecer “insights e ideias de negócio” aos gestores de marketing das empresas. Muitas vezes, as empresas olham para esta área como vaga e teórica, mas não é, adverte Teixeira.
Além de uma longa carreira com trabalhos para o marketing de diversas empresas, Francisco Teixeira regista a particularidade de ser o fundador da comunidade Consumer Behavior Portugal, uma network na Internet, atualmente com quase 2300 membros, que é hoje um dos maiores grupos portugueses da área do marketing no Facebook. O seu objetivo “é dar notoriedade à área do comportamento do consumidor, tão importante quanto muitas vezes menosprezada”.
É justamente por isso que, neste sábado, dia 14 de dezembro, Francisco Teixeira estará na cidade de Viana do Castelo para dar formação em Comportamento do Consumidor, onde explicará como o comportamento de quem recebe o produto final se traduz, na prática, numa informação preciosa para os setores de marketing e vendas de uma empresa. Uma boa oportunidade para gestores empresariais e comerciais. As vagas são limitadas. Para obter informações e participar, confira no link: http://bit.ly/1bJfI9c.

sábado, 23 de novembro de 2013

O jornalismo e as bestas negras


Este é um “post” sobre jornalismo, "bestas negras" e organização das redações, a partir do jornalismo desportivo português. Mas poderia ser a partir do jornalismo político, onde acontece o mesmo.
Durante a última semana, enquanto a seleção de Portugal conseguia a sua qualificação para o Mundial de futebol Brasil 2014 – com uma brilhante vitória sobre a Suécia, por 3-2, com uma exibição de gala de Cristiano Ronaldo, o melhor jogador do mundo –, os jornais desportivos, ao lançarem a 10ª jornada da Liga Portuguesa, falaram no Sporting Clube de Braga como "a besta negra" do Benfica. Isto para dizerem que, nos últimos anos, os bracarenses têm conseguido bons resultados em jogos com o Benfica. O Benfica-Sporting de Braga terminou com uma vitória benfiquista por 1-0 e parece que não houve “besta negra” em Lisboa. Ao contrário do que aconteceria no Porto. Segundo a edição digital do jornal "Record", o Nacional da Madeira, que na noite deste sábado, dia 23, empatou no Estádio do Dragão, também é a “besta negra” do FC Porto, o tricampeão português. Só porque o clube madeirense ousou ir ao Porto travar a caminhada triunfal do clube de Jorge Nuno Pinto da Costa.
Os dois exemplos apontados deixam nítido que, para a imprensa desportiva portuguesa, as equipas pequenas, ou menos poderosas, não empatam ou não ganham os jogos com as equipas grandes por terem feito por isso, mas porque são "bestas negras". Isto tem um significado muito claro: para os jornalistas desportivos portugueses, sejam da rádio, da televisão, dos jornais ou da Internet, o sujeito é sempre o clube mais forte, e toda a narrativa é construída em função desse posicionamento. Coitadas das equipas pequenas, sempre maltratadas, sempre a “roubarem” pontos ou vitórias a quem não deveriam… Os seus feitos raramente são elogiados ou valorizados. Na maioria das vezes, são relatados como ameaças ao caminho vitorioso dos mais fortes e mais poderosos.
A organização das redações dos meios de comunicação especializados em futebol baseada em editorias para os grandes clubes, agrupando os jornalistas que "fazem" o Sporting Clube de Portugal, os que "fazem" o FC Porto e os que "fazem" o Benfica, talvez contribua para esta situação. Ao longo do tempo criam-se laços, vícios e dependências mútuas entre os jornalistas e as fontes dos clubes, e seus dirigentes, que geram um clima potencialmente pernicioso para a qualidade do jornalismo. 
Deixo uma dica para as direções editoriais. Se os jornalistas que "fazem" o Sporting fossem "fazer" os jogos do FC Porto, se os jornalistas que "fazem" o Benfica fossem "fazer" os jogos do FC Porto e se os jornalistas que "fazem" o FC Porto fossem "fazer" os jogos do Sporting, ou seja, se todos os jornalistas rodassem continuamente fazendo trabalhos jornalísticos em todos os clubes, o seu distanciamento produziria, certamente, um jornalismo de maior qualidade, do qual todos beneficiariam, inclusive os clubes grandes, em função da maior exigência que o trabalho de uma imprensa não tão engajada com os clubes iria implicar. Deste modo, os meios de comunicação prestigiariam o jornalismo e seriam, certamente, muito mais respeitados por todos os clubes. Por outro lado, talvez os clubes mais pequenos que "roubam" pontos aos clubes grandes deixassem de ser as "bestas negras" do futebol português.

domingo, 17 de novembro de 2013

Siri Hustvedt. "A arte tem de perturbar e chocar"


“As expectativas podem cegar-nos. Sabemos hoje que a percepção das obras de arte pode até ser condicionada por predisposições biológicas ou fisiológicas pré-conscientes. Mas o fenomenologista Edmund Husserl [no início do século XX] aconselhava-nos a pormos de lado as nossas disposições naturais. Não conseguimos colocar-nos perante uma obra de arte totalmente nus, mas podemos rejeitar ao máximo as ideias pré-concebidas. Devemos abrir-nos a todas as possibilidades.”

“A arte que me interessa é aquela que nunca chego a compreender totalmente. Algumas obras de Goya, por exemplo, são tão fortes que me é quase insuportável olhar para elas. Cada pessoa tem um grau diferente de estímulo e de tolerância. Mas a arte tem de perturbar e de chocar.”

“É um disparate defendermos hierarquias artísticas muito rígidas, porque as obras de arte estão vivas ou renascem em cada novo espectador, leitor ou ouvinte. O peso de uma aprovação pré-estabelecida pode condicionar-nos a tal ponto que deixamos de conseguir ver a obra. É o que acontece, por exemplo, com a Mona Lisa, que foi esmagada pela história da sua recepção e é ofuscada pela multidão que se acumula à sua frente a toda a hora. Até certo ponto, as pessoas querem é registar o facto de terem visto determinado quadro e, por isso, nos museus, fotografam-no, dispensando mesmo olharem para ele. É também por isso que se lê tanta má literatura ou se vê tanto mau cinema. Aderir a uma proposta só porque muitos outros a consomem é uma experiência social ou cultural, mas não significa um verdadeiro contacto com a arte. Num certo sentido, é uma espécie de placebo.”

“Há pouco tempo, enquanto escrevia sobre as naturezas mortas do pintor italiano Giorgio Morandi, experimentei observar durante quinze minutos uma garrafa de água com gás. Primeiro, o rótulo começou a perder nitidez. Depois, surgiram múltiplos pormenores, como os cambiantes de intensidade da luz ou de espessura do vidro ou os efeitos visuais da condensação da água. A visão foi-se alterando devido à intensidade e à duração do olhar, o que também acontece perante uma obra de arte. Quanto mais rica for a obra de arte, maior será a surpresa do nosso olhar e a sua ressonância, ao longo do tempo, dentro de nós.”

Siri Hustvedt, escritora norte-americana, “Sol”, 16-11-2013

O papel da comunicação na ascensão e queda dos cigarros


O Dia Mundial do Não Fumador, que é assinalado em 17 de novembro de cada ano, pretende sensibilizar a população para os perigos do consumo de cigarros e, sobretudo, para as vantagens de uma vida sem fumo. O tabaco é uma droga muito poderosa, que a sociedade de consumo do século XX, nomeadamente através da publicidade, das relações públicas, da televisão e do cinema, transformou num símbolo de independência juvenil, de emancipação feminina, de estatuto social, de liberdade e de vida ativa. Um grande embuste que resultou numa máquina de destruição e morte!...
Numa sociedade de consumo influenciada por poderosos instrumentos de comunicação a realidade é construída. Isto é, a realidade não é aquilo que acontece mas aquilo que vem a público através dos meios de comunicação. Como já escrevi neste blog (ver aqui), Eduard Bernays, sobrinho de Sigmund Freud, que nos anos de 1920 lançou o livro “Propaganda”, que se tornou uma referência para os profissionais de Relações Públicas, foi o primeiro a formular ideias como “projetos de relações públicas”, “segmentação de públicos”, “product placement”, “lóbi político”, “comunicação orientada” ou “sedução dos prescritores”. Com estas ideias revolucionárias, numa altura em que a sociedade de consumo ganhava terreno no mundo ocidental, Bernays, influenciado pelos conhecimentos de psicologia de Freud, foi o primeiro a tentar convencer as empresas que precisavam captar o interesse dos consumidores, influenciando o seu subconsciente, levando-os a ter necessidade de coisas que na verdade não precisavam. Podemos dizer que eram os primórdios do neuromarketing, agora tão estudado.
Exemplo vivo de uma ação de “spin” aconteceu quando Bernays convenceu a sociedade norte-americana quanto ao consumo de tabaco em público por parte das mulheres. As mulheres não podiam fumar em público e a tabaqueira “Lucky Strike” assumiu a causa de equiparar o ato de fumar feminino a um símbolo de liberdade. Então, Bernays inventou o desfile das “tochas da liberdade”, associando o consumo de tabaco à ideia de emancipação da mulher numa sociedade com igualdade de direitos para os dois sexos.
Nasceu então a expressão “engenharia do consentimento” para definir o papel das Relações Públicas numa sociedade de “spin”. Uma expressão baseada na ideia segundo a qual nós somos manipulados para consentirmos alguma coisa. Para o filósofo Noam Chomsky estávamos perante “a fabricação do consentimento”. Bernays, por seu lado, dizia: “A manipulação consciente e inteligente dos hábitos organizados e as opiniões das massas são elementos importantes numa sociedade democrática”.
Da mesma forma que a sociedade de consumo glorificou o consumo de cigarros, também o diabolizou em muito pouco tempo, o que não deixa de ser notável. Em finais do século XX, os estudos científicos confirmavam o consumo do tabaco como uma causa de múltiplas doenças e de morte prematura e a indústria tabaqueira, embora resistindo, começou a perder terreno com a proibição da publicidade. Seguiu-se a proibição do consumo em espaços fechados. No cinema ou nas séries de televisão, o consumo de cigarros é, agora, associado a um comportamento desviante. Em muito poucos anos, o ato de fumar deixou de ser um prazer de afirmação social para se transformar num ato solitário contra a própria saúde – um ato antisocial e clandestino. A sociedade de “spin” e o sistema mediático tanto constroem como destroem. Neste caso, a destruição do cigarro como símbolo de afirmação social foi uma coisa boa para todos nós.

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

A roupa como estratégia de marketing


“O marketing político é a constituição de um poder especializado, se faz pela “bricolagem” de ideias, coloca uma pessoa em evidência, diferencia-a das demais concorrentes. O marketing, diferentemente do que o senso comum tenta explicar, não atua somente mediante estratégias de comunicação; vai além ao racionalizar certas particularidades que visam remodelar, organizar, reconstruir a imagem de uma pessoa para transformar em uma marca. É também operador de sentidos, absorve tendências emitidas pela sociedade e opera dentro de uma estratégia por meio da qual as rupturas e os desgastes causados pelo uso do poder possam ser minimizados frente à constante exigência do mercado consumidor.”

Diógenes Pasqualini, jornalista, especialista em Marketing Político e Propaganda Eleitoral e Mestre em Comunicação e Semiótica :: Fonte: http://bit.ly/1gvWFTc.

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Como um blog pode ser decisivo na investigação jornalística


Os novos meios de comunicação não acabam com os meios que existiam antes, nem os substituem. Pelo contrário. Os meios complementam-se e podem dar força uns aos outros. Vem isto a propósito de um trabalho de investigação jornalística sobre uma dirigente nacional do PSD que terá enganado a câmara municipal de que era vereadora, em Valongo, no distrito do Porto, a propósito de uma obra ilegal na sua propriedade. 
Anos mais tarde, acabou por ser um blog sobre temas locais a proporcionar ao jornalista do “Público” José António Cerejo motivos suficientes para avançar com uma investigação, a qual resultou na publicação da notícia que pode ser lida no link: http://bit.ly/1epySn9
Lendo a notícia ficamos a perceber que o papel do blog "A Terra como Limite", de Celestino Neves, foi decisivo para que esta história eminentemente local tivesse entrado no espaço público mediático nacional, funcionando como fonte que despertou o interesse de José António Cerejo, que, em minha opinião, é talvez o melhor jornalista português de investigação.

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Os jargões corporativos da moda


O executivo pede à secretária: “Vamos schedular um brainstorm para estimular o team building em nossa cultura organizacional e, aproveitando o know-how de nosso CEO, agregar valor ao business plan.”
Entendeu alguma coisa? Se não entendeu, não se preocupe. O uso de expressões da moda facilita a comunicação no local de trabalho, mas o seu uso em excesso pode ter efeito contrário. Confira a matéria do jornal “Zero Hora”, do Rio Grande do Sul, e consulte um glossário que poderá ser bastante útil no local de trabalho: http://bit.ly/17E5DJf.

terça-feira, 29 de outubro de 2013

Comunicação, ética e seriedade


Podemos definir a comunicação como a arte de dar a conhecer e explicar. Dar a conhecer pessoas, organizações, marcas, produtos, serviços, propostas políticas, etc. E explicar as suas funções na sociedade e o seu poder de transformação e de resolução dos nossos problemas enquanto seres humanos. Com ética e seriedade.
Geralmente, havendo boa matéria-prima e sendo aplicadas as ações de comunicação mais adequadas a cada situação – o que resulta de um bom diagnóstico na elaboração de um plano estratégico de comunicação –, os resultados serão sempre excelentes. Caso contrário, falha tudo. Não há ninguém que consiga ter sucesso se não tiver um bom conteúdo para comunicar. Por muitas ações de comunicação que sejam feitas, se o produto não corresponder ou se o cliente for mal atendido, pouco ou nada haverá a fazer. É tão simples quanto isso. 
Em comunicação, a seriedade da mensagem é fundamental no processo de construção de uma imagem pública positiva. Para isso, o produto ou o serviço comunicados têm de corresponder aos desejos que despertam nos consumidores. Se esses desejos não forem correspondidos na experiência, o mercado vira as costas ao produto ou ao serviço. E no momento em que os consumidores, desiludidos, viram costas, ainda comentam nas redes sociais, gerando uma situação de crise. 
Roberto Shinyashiki, especialista em administração e autor de vários livros publicados no Brasil, escreve sobre o assunto na revista “Época”. Destaco a sua passagem mais importante: “Sem excelência, a decepção é praticamente inevitável. Quando o seu produto ou serviço não puder ser comparado aos melhores na sua categoria, o destino dele provavelmente estará selado: vai ficar no estoque. Um médico pode chamar a atenção dizendo que tem um método de tratamento sensacional, mas se os pacientes não constatarem a eficácia, ele vai perder credibilidade. Um creme de beleza que promete milagres não vai vender muito, se as consumidoras perceberem que ele não funciona tão bem quanto na propaganda. No mundo de hoje, cheio de ofertas, o cliente sempre vai poder procurar alternativas, quando o seu produto não entregar o que ele quer. Não é que o marketing seja desnecessário. É claro que você tem de anunciar o que tem para vender. Mas o seu sucesso só vai se manter e se consolidar se sua palavra tiver conteúdo e for corroborada pela satisfação do cliente.”
Confira na íntegra aqui: http://glo.bo/17rYNqf.

sábado, 26 de outubro de 2013

Bárbara e Carrilho: vidas desfeitas no espaço público


A apresentadora de televisão Bárbara Guimarães acusa Manuel Maria Carrilho, marido e antigo ministro da Cultura, de violência doméstica continuada. Carrilho nega e contra-ataca, garantindo que Bárbara é alcoólica.
Para a imprensa sanguinária e ávida de audiências, assim como para a imprensa do coração, esta novela mexicana em exibição em Portugal é um festim. É nestes momentos que se discute a exibição da vida privada no espaço público mediático. No caso, Bárbara Guimarães e Manuel Maria Carrilho só estão a colher os frutos da sementeira que fizeram nos meios de comunicação enquanto durou o romance. É preciso não esquecer que as fotografias do casamento foram vendidas em exclusivo, curiosamente, a uma revista de um semanário de referência, o jornal “Expresso”.
Agora, o mundo cor-de-rosa está ruindo como um baralho de cartas. E as duas carreiras profissionais parecem desfazer-se – num espaço público onde os meios de comunicação são vorazes e não têm contemplações, não se importando minimamente com o impacto da refrega privada na vida frágil dos filhos das criaturas. 
Com este episódio doméstico rocambolesco, Bárbara e Carrilho deixaram de ser modelos públicos para serem consumidos pelas massas. Talvez ainda tenham mercado e consigam um lugar na “Casa dos Segredos”. É que, doravante, não sei quem vai querer Bárbara Guimarães na apresentação de um programa de televisão, nem quem vai ter confiança em Manuel Maria Carrilho a dar aulas ou a fazer análises políticas. O sistema mediático tem destas coisas. Quando trucida não deixa pedra sobre pedra.

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Novos estudos sobre o programa que mudou a rádio


O livro “Rádio e Pânico 2 – A Guerra dos Mundos, 75 Anos Depois”, que é apresentado nesta quinta-feira, 24 de outubro, em Florianópolis, capital de Santa Catarina, é uma obra do jornalista e investigador brasileiro Eduardo Meditsch, que marca o aniversário de 75 anos de uma das maiores mentiras transmitidas no mundo através da rádio. Segundo Eduardo Meditsch, que é professor e investigador na Universidade Federal de Santa Catarina, a rádio ainda tem o seu papel e um poder que não foi alcançado por outros meios de comunicação.
Mas recordemos o acontecimento simulado que confirmaria o grande impacto de uma emissão radiofónica em directo junto do público ouvinte. A noite de 30 de Outubro de 1938 estava normal até que a rede de rádio CBS (Columbia Broadcasting System) interrompeu a sua programação musical para noticiar uma suposta invasão de marcianos, o que desencadeou uma onda de pânico na costa Leste dos Estados Unidos da América. A “notícia”, apresentada “em edição especial”, era, na verdade, o começo de uma peça de teatro radiofónico, que não só ajudou a CBS a bater a emissora concorrente NBC (National Broadcasting Company), como também desencadeou medo popular em várias cidades norte-americanas.
Dramatizando o livro de ficção científica “A Guerra dos Mundos”, do escritor britânico Herbert George Wells (1866-1946), o programa relatou a chegada, ao Estado de New Jersey, de algumas centenas de marcianos a bordo de naves extraterrestres. As reportagens no exterior, as entrevistas com testemunhas que estariam a viver o acontecimento, as opiniões de peritos e das autoridades, os efeitos sonoros, os gritos e a emoção dos supostos repórteres e comentadores tornaram tudo muito real aos ouvidos de um auditório, espalhando uma inusitada onda de terror entre a população. Os méritos da genial adaptação, produção e direcção da peça eram de Orson Welles (1915-1985), então um jovem actor e diretor de cinema norte-americano, praticamente desconhecido.
"A Invasão dos Marcianos" durou apenas uma hora, mas foi o tempo suficiente para que o programa marcasse em definitivo a história da rádio até aos dias de hoje. De fácil difusão, a rádio confirmava-se como um meio de comunicação de massas eficaz e altamente poderoso. De tal modo que o jornal “Daily News”, no dia seguinte à emissão do programa sobre a alegada invasão dos marcianos, resumiu na manchete a reação ao programa: “Guerra falsa no rádio espalha terror pelos Estados Unidos.” E o autor do programa recebia um elogio irônico do presidente dos Estados Unidos, Franklin Roosevelt (1882-1945): “Você e eu, Orson, somos os dois melhores atores da América.”
Ficou evidente aos ouvidos de todo o mundo que a influência da rádio enquanto meio de comunicação era tão forte que poderia causar reações imprevisíveis no auditório. A invasão dos marcianos, que tornou Orson Welles mundialmente famoso, é, para muitos cientistas de comunicação, “o programa que mais marcou a história dos meios de comunicação no século XX”
O livro “Rádio e Pânico 2 – A Guerra dos Mundos, 75 Anos Depois”, organizado por Eduardo Meditsch e com chancela da Editora Insular, tem 264 páginas e custará R$ 48 (cerca de 16 euros). Confira: http://bit.ly/Hd3YQJ.

terça-feira, 22 de outubro de 2013

Encontro com Fátima Bernardes na TV Globo


Ainda é possível ligar a TV e assistir a um programa de entretenimento matinal sem baboseiras ou vacuidades e, pelo contrário, com conteúdo informativo e pedagógico para o seu auditório prioritário: as donas de casa, os aposentados, etc. É assim o "Encontro com Fátima Bernardes", todas as manhãs, na TV Globo, um programa de variedades onde são abordados temas do quotidiano, com inteligência, sobriedade, objetividade e sem histerismos. Pode não ser um programa campeão de audiências, mas está no caminho certo. É a diferença de ter uma jornalista experiente na liderança do programa, que sabe fazer as perguntas certas, conduzindo as conversas pelo caminho que interessa a quem liga a televisão para ficar a saber algo que não sabia. Confira o site oficial do programa, que é exibido todas as manhãs pela TV Globo desde o dia 25 de junho de 2012: http://bit.ly/16yJb5h.

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

A importância do amor na comunicação


“Amor, essa é a palavra-chave para o enfrentamento da era da tecnologia e da informação. Não há ação de comunicação eficaz enquanto a essência dos relacionamentos não se basear pelo amor. Principalmente na comunicação interna, tal fato “cai como uma amor-trabalho-profissionais luva”. O sentido dessa palavra, neste contexto, compreende entender o outro em suas múltiplas e diferentes dimensões, compreende, colocar-se no lugar do outro quando o mais fácil é discordar e inferiorizar ele, compreende enfim, ouvir, dialogar, reconhecer as diferenças, o que nos é estranho e, a partir disso, construir relações (planos, programas e ações) embasados na compreensão e na humanização.”
Se pensarmos bem na natureza dos processos de comunicação contemporâneos, Fabiane Altíssimo, que, no blog Ideia de Marketing, escreve sobre a necessidade de amor para uma comunicação eficaz, tem toda a razão. Na verdade, com frieza e distância jamais podemos construir relações envolventes e duradouras, seja dentro das empresas ou no relacionamento com os públicos no espaço público digital. Precisamos de estar disponíveis para o outro – que pode ser um colega de trabalho ou um cliente –, precisamos da propensão para ajudar o outro, da propensão para ouvir o outro e entender os seus problemas, as suas preocupações. Precisamos saber com rigor as pretensões do outro. Só assim podemos aconselhar e decidir bem.
Uma agência de comunicação, por exemplo, para ter sucesso no atendimento a um cliente, tem de vestir a camisola do cliente, tem de se envolver com o cliente, assumindo a sua visão. E isso também é amor. No fundo, o amor é uma ferramenta humana invisível que é muito importante no trabalho e na comunicação. Onde o amor assume particular importância é, por exemplo, na construção de uma cultura coletiva de uma equipa de futebol ou outra modalidade desportiva coletiva. Mas o que acontece desde sempre no desporto, deve acontecer hoje em qualquer empresa ou organização. 
Num tempo em que a intervenção humana nos processos produtivos é cada vez menor, precisamos de ter cuidado com a frieza das máquinas e dos automatismos. Esta visão parece fazer parte de uma narrativa lamechas, mas não faz. São os novos tempos de uma comunicação que é horizontal. É horizontal porque comunicamos uns com os outros de igual para igual, sem hierarquias definidas. Mas para existir interação é preciso envolvimento. É aí que entra o amor como atributo profissional, no sentido sublinhado por Fabiane Altíssimo – formada em Relações Públicas e graduada em jornalismo pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul. Confira no link: http://bit.ly/1cslStj.

terça-feira, 15 de outubro de 2013

Marketing digital em 10 livros


Partilhar o conhecimento é um dos prazeres dos novos tempos e uma das ações de maior valor acrescentado que nos fazem crescer enquanto seres sociais no espaço digital. Depois de uma ausência de algumas semanas, motivada pela edição e publicação de dois livros impressos  um com as memórias de um sacerdote católico e outro sobre discursos políticos –, na minha cidade natal, em Vila Nova de Famalicão, convido os leitores do blog COMUNICAÇÃO INTEGRADA a conhecerem 10 livros sobre marketing digital para empreendedores. É uma relação de obras interessantes para pequenas empresas que querem entender melhor a era digital – selecionadas pela revista Exame (edição brasileira). Confira no link: http://abr.ai/19KDAUA.

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

António Borges na doença e no poder


A questão é sensível e polêmica. Mas não pode deixar de ser colocada. Hoje, sabemos que o Governo português contratou para seu principal consultor, com responsabilidade por muitos negócios públicos importantes, nomeadamente na área das privatizações e da renegociação das parcerias público-privadas, um homem com graves problemas de saúde, o economista António Borges, que estava a lutar contra um cancro no pâncreas, diagnosticado em 2010, tendo falecido neste domingo, aos 63 anos de idade.
A questão é saber até que ponto a doença afetou, ou não, o economista António Borges nas suas decisões, nos seus conselhos ao Governo e nas opiniões expressas publicamente, nos últimos meses da sua vida. Ironicamente, António Borges era um defensor acérrimo do programa de austeridade, que está empobrecendo as famílias portuguesas e a economia. Há um livro muito interessante que fala sobre isso, do político inglês David Owen, intitulado precisamente “Na Doença e no Poder”. A partir do caso de António Borges, penso que o tema deveria subir à agenda mediática portuguesa para ser debatido sem preconceitos. http://migre.me/fRhB7

Obs. – António Borges foi um liberal que representou os interesses da alta finança internacional. Mesmo assim, estou triste pela sua morte. E continuo sem compreender como é possível que os senhores do mundo não consigam descobrir a cura para uma doença tão mortal como o câncer.

sábado, 17 de agosto de 2013

Às vezes, o jornalismo é uma vergonha


Só porque é rico e gasta o dinheiro dele como bem entende, um jovem brasileiro, que em 2012 decidiu fixar residência em Portugal, foi atacado de forma indecente no “Jornal Nacional”, principal serviço de jornalismo da TVI, uma das estações privadas do país. Ele foi entrevistado em direto, não porque tivesse sido protagonista de algum episódio de interesse público, mas, simplesmente, porque é rico e gasta muito dinheiro – presumivelmente, em benefício da economia portuguesa. A jornalista Judite de Sousa, uma das profissionais de televisão mais bem pagas de Portugal, manifestou-se indignada por o entrevistado ter gasto 300 mil euros na sua festa de comemoração do 22º aniversário, para a qual convidou a amiga Pamela Anderson.
A norma nº 9 do Código Deontológico dos Jornalistas Portugueses é muito clara: “O jornalista deve respeitar a privacidade dos cidadãos exceto quando estiver em causa o interesse público ou a conduta do indivíduo contradiga, manifestamente, valores e princípios que publicamente defende.” O código, no seu ponto nº 1, diz também que “o jornalista deve relatar os fatos com rigor e exatidão e interpretá-los com honestidade”. Diz ainda, no ponto nº 3, que “o jornalista deve combater a censura e o sensacionalismo”.
Ora, não foi nada disto que fez Judite de Sousa durante a sua entrevista ao cidadão brasileiro Lorenzo Carvalho. Na verdade, o que Judite de Sousa e a TVI fizeram foi violar a privacidade de um cidadão, agredindo-o, de forma gratuita, à vista de todos. Uma situação indecente. Às vezes, o jornalismo é uma vergonha. Assista o vídeo: http://migre.me/fMd5t.

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

A informação biquíni


O “Daily Mirror” é lido pelas pessoas que acham que mandam no país. O “The Guardian” é lido pelas pessoas que acham que deviam ser elas a mandar no país. O “The Times” é lido pelas pessoas que realmente mandam no país. O “Daily Mail” é lido pelas mulheres dos homens que mandam no país. O “Financial Times” é lido pelas pessoas que são donas do país. O “Morning Star” – jornal do Partido Comunist – é lido pelas pessoas que acham que o país devia ser mandado por outro país. E o “Daily Telegraph” é lido pelos que acham que ele é realmente mandado por outro país.
É um exercício interessante, não é? Eu podia aqui exercitar os sucos gástricos e escrever sobre os concorrentes do “Diário de Notícias” ou até sobre o próprio “Diário de Notícias”... Há tanto para dizer sobre os jornais. Os jornais do poder político, os dos juízes e da polícia, os jornais dos empresários e dos intelectuais (ainda há jornais de intelectuais?), os dos professores e pensionistas, etc. Não há mal nenhum nisto se entendermos que cada periódico tem uma clientela com exigências e apetites informativos que criam mercados de leitura muito concretos.
Há até espaço para nichos. O “Diário Económico”, onde trabalhei, e o “Jornal de Negócios”, por exemplo, vendem hoje cada um deles (nem sempre foi assim) menos de quatro mil exemplares por dia em banca, mas exercem uma influência determinante nestes poucos leitores que, por sua vez, têm um peso enorme na opinião que o País forma sobre os assuntos económicos e políticos. Não é por acaso que a reforma do IRC foi tão bem recebida: a agenda dos empresários é esta, não outra. Já a redução do IRS (vital) não encontra defensores tão persistentes e vocais que obriguem a que o assunto se fixe no centro do debate. Os sindicatos poderiam assumir este papel, mas concentram-se nas reivindicações salariais e na defesa de estatutos profissionais muitas vezes caducos – e daí não arredam pé.
Na verdade o que parece escassear são jornais que olhem para o todo e escolham o relevante. Que tratem as notícias não na perspetiva de um grupo de interesses, mas que estejam abertos a todo o universo informativo sem ficarem, digamos, capturados. Não se trata apenas de resumir tudo ao antagonismo superficial entre austeridade e crescimento, mas de enriquecer as análises e as decisões que tomamos – como a eleição de um Governo –, com informação bem investigada capaz de remeter o ruído partidário (a insistência nos swaps) ou o jornalismo mirone (o biquíni de Judite Sousa) para o lugar que merecem. À “Caras”, portanto, o que é da “Caras”. A questão é até simples, como diria sir Humphrey, o secretário permanente do primeiro-ministro Jim Hacker – da série Yes, Prime-minister, de onde tirei a citação inicial: "Se as pessoas não sabem o que estamos a fazer no Governo, não sabem o que estamos a fazer mal no Governo." Não está mal visto.

Autor: André Macedo, jornalista, “Diário de Notícias”, 15-08-2013
http://migre.me/fKNeO

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Livros de papel e digitais vão coexistir


Vivemos num mundo dominado pelas tecnologias e pela comunicação digital, seja em nossas conversas com os outros, seja para transmissão de dados e outros elementos que outrora eram corpos que circulavam no espaço físico. É claro que nem tudo é digital. Nem poderá ser, caso contrário deixaremos de ser humanos.
O avanço do mundo digital, no entanto, entusiasma muitos teóricos, alguns deles talvez em demasia. É o caso daqueles que há muito anunciam o fim dos jornais de papel, das revistas de papel, dos livros de papel. Ao nível dos jornais, por exemplo, a recuperação do “New Tork Times” está aí para desmentir as vozes agoirentas sobre o futuro do jornal impresso – sabendo-se agora que o jornal impresso pode perfeitamente conviver como jornal digital, lhe dando reputação e credibilidade no mercado. O importante é que seus conteúdos tenham a qualidade suficiente que satisfaça a sua comunidade de leitores. 
É certo que em mercados emergentes como o brasileiro, onde toda a gente está comprando smartphones e tablets para ter uma conta no Facebook, o setor digital está em forte crescimento. No caso do mercado editorial, a venda de livros impressos caiu 7,36% em 2012 contra uma subida de 343% da venda de livros digitais, segundo dados revelados pela revista “Época. Porém, mesmo assim, o faturamento dos livros impressos ainda cresceu 3%. Além disso, há quem desvalorize a subida da venda de livros digitais, pois eles, em 2012, não representaram mais do que 0,1% do faturamento das editoras brasileiras.
Dos Estados Unidos, um mercado amadurecido e em recuperação econômica, chegam dados em sentido contrário, que dão esperança ao livro impresso: lá, o crescimento dos livros digitais começa a desacelerar. Em 2012, o faturamento de e-books cresceu 41%, mas tinha sido superior a 100% em anos anteriores. De acordo com analistas, a participação dos livros digitais deverá estabilizar nos 30% do mercado livreiro. Aliás, há uma pesquisa que revela um dado muito interessante: 97% dos compradores de e-books continuam a ler livros de papel. A ler e a comprar.
Resumindo e concluindo, o apocalipse do livro impresso, que até agora era considerado apenas como uma questão de tempo, deverá ficar retido na imaginação de alguns teóricos. E ainda bem. No ecrã mudamos de página com um toque suave, mas é como se estivéssemos a simular uma mudança de página. Além disso, o ecrã não tem cheiro, não tem alma, não tem uma textura que seja única, não tem a identidade que tem o livro, a revista ou o jornal impressos. Assim como os meios de comunicação se complementam, mantendo seus públicos sem se anularem uns aos outros, também o papel e os bits, como suportes de difusão da informação, continuarão a coexistir.

sexta-feira, 26 de julho de 2013

O jornalismo pós-moderno


Nestes tempos em que as notícias circulam à velocidade de um toque suave, há jornalistas que, quando precisam do contato de determinada assessoria de imprensa, vão ao Facebook e perguntam para todo o mundo se alguém tem o contato que procuram. Em alguns casos, é até uma forma de o jornalista avaliar como está a sua capacidade de “networking”.
O problema é que essa partilha de informação no espaço público significa o fim de uma notícia exclusiva. Mas nesta era do jornalismo pós-moderno ninguém está preocupado com esses pormenores. O importante será produzir diariamente um determinado número de notícias de um tamanho específico, independentemente da realidade. Depois, se as notícias dos vários meios de comunicação e plataformas de distribuição de conteúdos digitais estiverem todas iguais, seguindo as mesmas pautas, talvez todos considerem que assim é que está certo. A preocupação com notícias e imagens exclusivas, diferentes da concorrência, únicas, notícias que façam o consumidor de informação comprar um jornal em vez de outro – ou que façam o internauta assinar um portal em vez de outro –, parece ser coisa de antigamente. 
Perante este quadro  que, felizmente, não envolve todos os meios de comunicação nem todos os profissionais do jornalismo , não é surpreendente que os jornais tradicionais percam audiências. Já quanto aos espaços digitais, com mais ou menos audiências, não é dramático, pois têm um custo de produção muito mais reduzido. 

sexta-feira, 5 de julho de 2013

Borussia Dortmund mostra camisa feita de flores num parque


A criatividade e a originalidade são ferramentas de comunicação muito poderosas. Na Alemanha, o marketing do Borussia de Dortmund, um clube de futebol centenário, fugiu do comum e apresentou de uma forma criativa e original a sua nova camisa, que usará na época 2013-2014, que está começando na Europa.
Normalmente, as apresentações de novas camisas e uniformes dos clubes de futebol são feitas em salas de imprensa, com os jogadores vestindo a novidade. No entanto, nesta temporada, não foi assim que o Borussia Dortmund – segundo classificado no último campeonato alemão – apresentou sua nova camisa.
No Westfalenpark, o parque da cidade de Dortmund, foi construída uma camisa gigante do clube, para a qual foram utilizadas 80.645 flores, como a imagem documenta. O número não foi aleatório. As 80.645 flores representam a atual capacidade do estádio do clube, que costuma estar constantemente lotado, sendo também, assim, uma homenagem aos adeptos.
Não foi necessário muito dinheiro para transformar um evento rotineiro em uma notícia internacional, gerando uma visibilidade enorme para o patrocinador oficial do clube e enchendo os adeptos de orgulho. A camisa feita de flores ficará no local até à próxima terça-feira. 

quarta-feira, 3 de julho de 2013

Cidade de Nova York ganha domínio na Internet


Nova York é a primeira cidade do planeta a obter seu próprio nome como domínio na Internet, permitindo que empresas e moradores locais comecem a usar a extensão “.nyc”.  O prefeito da cidade, Michael Bloomberg, anunciou em sua conta do Twitter que os residentes e comerciantes da cidade de Nova York poderão usar o domínio “.nyc” em seus endereços eletrônicos. De acordo com o prefeito, o domínio próprio será uma oportunidade para que negócios locais tenham maior visibilidade em resultados de buscas, além de eliminar dúvidas sobre a residência dos moradores da cidade. O site – www.mydotnyc.com – foi criado para ajudar os moradores e empresas interessadas no processo de candidatura. O uso será liberado ainda durante este ano.
"Ter o nosso domínio coloca Nova York na linha de frente do cenário digital e cria novas oportunidades para nossos pequenos negócios. Agora, eles poderão ser capazes de se identificarem como de Nova York, uma das maiores e mais prestigiada marca", afirmou o prefeito da cidade. Segundo um comunicado da prefeitura de Nova York, os pequenos empreendedores poderão usar o domínio como meio de fazer o consumidor saber que a empresa funciona na cidade e, dessa forma, os pequenos negócios poderão criar uma identificação com os produtos ou serviços comercializados.
A Corporação para a Atribuição de Nomes e Números na Internet (ICCANN, na sigla em inglês para Internet Corporation for Assigned Names and Numbers), que coordena o sistema de endereços na Internet, está lançando centenas de novos nomes de domínio genéricos. A rede passará a abrigar não apenas páginas como ".com", ".org" e ".net" e códigos de países como o ".br" para o Brasil ou ".pt" para Portugal, por exemplo, como também aceitará códigos de cidades ou palavras genéricas e marcas de empresas. Adivinha-se que este alargamento dos nomes dos domínios seja um foco de polêmica. Esta grande expansão de nomes de domínios na rede provocou mesmo um ação preventiva de empresas. Escritórios de propriedade intelectual começam a estudar medidas para evitar fraudes e registros indevidos de marcas na rede.

terça-feira, 25 de junho de 2013

Rede social só para médicos brasileiros


No Brasil, as redes sociais de nicho ainda estão mais para tendência promissora do que para uma oportunidade palpável de lucro. Mas uma “startup” de São Paulo tem planos de inverter essa história. A Ology, empresa do casal Giovana Pieck e Marc Schipperheyn, acaba de lançar uma rede social em que só entram médicos, e onde eles se ajudam a fazer diagnósticos e até medicar os pacientes. A proposta é conquistar o engajamento de 60 mil profissionais e faturar R$ 700 mil no primeiro ano. Confira: http://migre.me/fb5vg.