sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Brasil 2014. Salvador com Plano de Relações Públicas inédito

Imagem com uma visão do futuro Arena Fonte Nova, em Salvador da Bahia

A cidade de Salvador, capital da Bahia, já conta com um Plano de Relações Públicas para a Copa do Mundo de futebol Brasil 2014. O documento, que foi apresentado à Prefeitura de Salvador nesta quinta-feira (27), por Eliezer Cruz, membro eleito para o Conselho Federal de Profissionais de Relações Públicas (Conferp), reúne o trabalho coletivo de profissionais da cidade que pensaram em estratégias de relacionamento entre a administração municipal e os seus públicos, com vistas à realização do Mundial na capital baiana.
Segundo uma nota informativa da prefeitura, o plano resulta da interação entre mais de 200 profissionais de Relações Públicas de diversas instituições sociais (setor público, setor privado, terceiro setor e sociedade civil organizada), que, ao longo de oito reuniões realizadas em universidades, museus e empresas, construíram o que pode ser considerado um parâmetro para as ações municipais de Comunicação Social, considerando a diversidade dos seus públicos. 
"A construção desse plano consiste em uma experiência ímpar, em que se efetiva a inteligência coletiva dos profissionais de Relações Públicas de Salvador", declarou Eliezer Cruz. O documento faz parte das obrigações contratuais entre a cidade-sede e a FIFA, e contempla temas como o relacionamento com os públicos, questões prioritárias e estratégias a serem implementadas. A iniciativa é inédita no Brasil e foi bem vista por outras cidades-sedes, que deverão reproduzi-la. 

“Praça da Alegria” em Lisboa significa menos Norte e menos Portugal


Em Portugal, o fim do programa “Praça da Alegria” na RTP Porto, e sua transferência para Lisboa, é uma decisão estúpida e destituída de sentido, que acaba de ser tomada pelo presidente da RTP, o ex-gestor cervejeiro Alberto da Ponte.
Produzir um programa de televisão não é a mesma coisa que produzir cerveja. A produção de uma cerveja tanto pode ser feita numa fábrica de Lisboa, como numa fábrica do Porto, de Vila Nova de Famalicão, de Estremoz ou de Santarém. Independentemente da fábrica e dos trabalhadores, a bebida continua exatamente igual. Já um programa de televisão deixa de ser o mesmo programa se mudar a cidade onde é produzido e apresentado. Porque, ao contrário de uma cerveja, um programa televisivo é formado por pessoas de múltiplas origens, que transmitem culturas, crenças, interesses e valores que são muito diferentes. É da soma dessas diferenças que se faz uma região, um País, um povo.
O programa “Praça da Alegria” foi uma ideia da televisão pública para o Norte, no tempo em que a cidade do Porto era vista como a capital do trabalho – pois sediava muitas das maiores empresas da indústria, do comércio e dos serviços. E tinha, também, alguns dos maiores jornais do País, onde eram formados os melhores jornalistas portugueses. Foi para satisfazer os anseios e expectativas do Norte que a RTP lançou o programa “Praça da Alegria”, que se somava ao serviço de notícias “Jornal da Tarde” – que foi sempre uma visão do mundo com os olhos do Norte. Dessa emergência do Porto mediático resultava um País mais forte, mais coeso e mais desenvolvido. Os municípios e as instituições nortenhas que não tinham acesso à “televisão de Lisboa” tinham na RTP Porto um serviço público de TV descentralizado que era uma porta de entrada alternativa na casa de milhões de portugueses.
Nos últimos 18 anos, o programa “Praça da Alegria” deu seguimento a uma tradição com quase três décadas (28 anos) de programas da manhã feitos a partir da RTP Porto, depois de programas como "Bom Dia" ou "Às Dez", que ocupavam, grosso modo, o mesmo horário, antecedendo o "Jornal da Tarde", também emitido e coordenado a partir do Porto.
Ora, o Porto das grandes empresas e dos grandes jornais já não existe. “O Comércio do Porto” fechou, “O Primeiro de Janeiro” vegeta sem jornalistas e o “Público”, que já teve uma grande redação no Porto, também está confinado a Lisboa. Aliás, não há hoje na cidade do Porto um jornal diário que seja totalmente dirigido e produzido na cidade. O “Jornal de Notícias”, que é o único grande jornal da cidade, já não tem um departamento comercial autónomo e vai buscar a sua informação económica ao jornal digital “Dinheiro Vivo”, do mesmo grupo, que é de Lisboa. Ou seja, a informação económica do “JN” já não tem a visão do Norte, nem transmite o pulsar da economia real nortenha, mas sim, a visão do centralismo financeiro falido de Lisboa.
A RTP, sendo uma empresa pública, deveria refletir sobre isto. Esta visão deve escapar a Alberto da Ponte, que não tem uma ideia sobre Portugal que se conheça. E deveria ter, dado o lugar que ocupa. Mais do que nunca, o Porto e o Norte precisam de um serviço público de televisão forte e produtivo. Mas é precisamente nesta altura que a RTP resolve abandonar a região, encerrando também outras delegações.
Para a maioria daqueles que têm acesso ao espaço público mediático, a questão não interessa muito. Afinal, estão quase todos em Lisboa. E a mudança da “Praça da Alegria” para Lisboa acaba por ser mais um palco onde podem aparecer. Daí que as vozes contrárias estejam muito confinadas aos trabalhadores da RTP, em particular aqueles que vão perder o seu trabalho em Vila Nova de Gaia.
É pena que assim seja. Porque estamos perante uma decisão política da maior gravidade para a coesão e para o desenvolvimento de Portugal, numa fase tão difícil para todos os portugueses. Uma decisão que não assenta em justificações de ordem técnico-financeira e que representa um reforço do centralismo. Uma decisão que significa mais uma facada no povo do Norte, na sua cultura e suas instituições. Uma facada no património mundial do Porto, de Guimarães, do Douro Vinhateiro e de Vila Nova de Foz Côa. Porque, sem o programa “Praça da Alegria” e sem uma RTP Porto forte e ativa, Portugal será ainda um País mais pobre, mais pequeno, mais desconhecido e mais distante da sua capital e dos centros de decisão. Um País mais pobre porque um País sem voz e sem acesso aos grandes meios de comunicação. Daí que o apelo à revolta da região, lançado pelo eurodeputado do PSD Paulo Rangel, naturalmente apoucado pela elite lisboeta, faça todo o sentido (ver aqui).
Os operadores privados de televisão – que noutros tempos foram atrás da receita da RTP para a programação das manhãs de segunda a sexta-feira –, estarão, certamente, atentos a esta retirada da televisão pública portuguesa do Norte do País. Pode ser que agora descubram o filão nortenho. É um desafio. E uma oportunidade.

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

O azeite “Benfica” à venda no Brasil



Depois de anos de abandono da terra, promovido, aliás, por políticas governamentais erráticas, os portugueses estão a descobrir o óbvio: que a produção agrícola é essencial para a sustentabilidade ambiental, social e econômica do País. E muitos dos novos agricultores estão a descobrir outra coisa: que é possível ser agricultor e ganhar dinheiro.
O setor da produção de azeite é um exemplo. Há cerca de uma década, os espanhóis compraram herdades alentejanas que estavam abandonadas e converteram-nas em terras produtoras de azeite de grande qualidade. Em resultado disso, o pobre e despovoado distrito de Beja acolhe aquele que é considerado o maior lagar da Europa.
A oliveira ainda não foi promovida à condição de árvore de Portugal, mas seria justo que tal acontecesse. Porque o azeite é hoje um dos produtos portugueses mais apreciados no estrangeiro. E cada vez mais há produtores portugueses interessados em entrar no circuito da exportação, nomeadamente para o Brasil, onde, em cada supermercado, o azeite português dá cada vez mais nas vistas – embora com forte concorrência de Espanha, Itália ou Argentina.
Marcas como “Andorinha” ou “Vila Flor” oferecem um azeite de grande qualidade a um preço muito aceitável. Em Fortaleza, uma garrafa de 500 mililitros de azeite virgem extra dessas marcas pode custar em torno de 12 reais (cerca de 4,30 euros). Também há azeite português igualmente muito bom a custar o triplo.
O que nunca tinha visto era uma marca de azeite “Benfica”. Mesmo sendo sportinguista, há dias, resolvi arriscar, pois o azeite custava abaixo dos 9 reais, como preço de lançamento. E constatei que o azeite “Benfica” é muito melhor do que algumas versões do “Gallo”, cuja massificação comercial parece estar a degradar o produto, em particular no Brasil.
Mas o azeite “Benfica” que se vende no Brasil, identificado num rótulo sóbrio como “português”, não se trata de “merchandising” do Sport Lisboa e Benfica, ao contrário de um outro azeite “Benfica”, que se vende na loja do clube (ver aqui). Penso, inclusive, que o presidente do clube desportivo de Lisboa, Luís Filipe Vieira, que até tem investimentos imobiliários no Brasil, nem deve saber disso.
Ora, se Luís Filipe Vieira vier a saber da existência deste azeite pelo blog COMUNICAÇÃO INTEGRADA, não poderá queixar-se do uso da marca “Benfica”. Afinal, trata-se de uma marca que está a ser comercializada no Brasil e não em Portugal, sem a utilização do logótipo do clube português. Por outro lado, só no Estado do Ceará, para que conste, há um bairro chamado “Benfica”, em Fortaleza, que tem um shopping também chamado “Benfica”. E até existe um município chamado “Eusébio”, que é limítrofe à capital Fortaleza. Mas Eusébio, o símbolo internacional do Benfica, que nunca foi visto por aqui, também não deve saber disso.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Razões muito fortes para investir em comunicação



A comunicação é fundamental para fortalecer a imagem de uma marca ou organização. O segredo não é mais a alma do negócio. Na sociedade mediática em que vivemos, os meios de comunicação tradicionais e digitais têm um papel preponderante, exercendo forte influência no comportamento das pessoas e também nos processos de decisão de compra.
Num mundo global e competitivo, a comunicação de um produto ou serviço é um trabalho indispensável para definir a percepção pública junto dos “stakeholders” e do público-alvo. A gestão dos “stakeholders” é fundamental no processo de construção da vantagem competitiva da empresa. O relacionamento com os vários públicos, a aposta na sustentabilidade e o investimento na responsabilidade social são elementos que o mercado valoriza e que distinguem uma marca.
A comunicação é essencial para agregar valor a uma marca, mas tem de ser trabalhada em permanência para que haja um bom relacionamento contínuo com todos os públicos de interesse, com saliência para uma relação bidirecional com seus clientes. Para uma marca, a agregação de valor é traduzida em percepções positivas que geram reputação e potenciam a captação de clientes e a fidelização de outros, assim como a retransmissão de opiniões positivas sobre a marca.
Investir em comunicação de maneira coerente é um desafio e uma meta que impacta decisivamente no fortalecimento institucional de empresas e organizações. Porque quem não comunica não existe. Uma marca que apresenta produtos e serviços inovadores precisa convencer as pessoas e as instituições a consumir esses produtos e esses serviços, atuando de modo proativo na divulgação de suas idéias e propostas no mercado. 
Através da comunicação também podemos ampliar o alcance da missão da marca e sua articulação com os “stakeholders”. A comunicação ajuda na formação de parcerias, na convocação de vontades, na mobilização de pessoas em torno da marca e na valorização dos serviços prestados. Tudo isto significa mais valor para a marca e mais vantagem competitiva no mercado.
Os investimentos em comunicação também interferem na constituição de uma identidade e uma imagem pública da empresa, marca ou instituição. Visibilidade, credibilidade e legitimidade são requisitos para processos de influência, mobilização de recursos e atração de profissionais competentes e comprometidos. E para atração do público-alvo.
As estratégias de comunicação interna e externa fortalecem os laços de coesão e motivação interna, criando espaços e instrumentos de partilha e alinhamento das propostas institucionais; além de favorecerem a interação entre organização e sociedade, possibilitando que a primeira compreenda as demandas da segunda e dê retorno a esta sobre suas ações e impactos. É importante que a comunidade conheça os serviços prestados pela marca. Só assim a comunidade irá reconhecer a importância social da empresa – que é um elemento que também se transforma em vantagem competitiva.
Em qualquer negócio, de pequena ou grande dimensão, comunicar é decisivo. A comunicação é sempre um investimento. Com retorno garantido, a curto, a médio e, sobretudo, a longo prazo. Não adianta ter um bom produto ou um bom serviço se ele for totalmente desconhecido daqueles a quem se destina. 

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

O Brasil é perigoso para jornalistas



Em 2012, o Brasil se transformou no quarto país mais perigoso do mundo para se trabalhar como jornalista. Em um ano, 11 profissionais da imprensa brasileira foram assassinados, um recorde no País. Segundo dados divulgados nesta terça-feira, dia 17, a situação do Brasil é pior que a do Afeganistão, Iraque ou Gaza. Somando os assassinatos nesses três países, o número de vítimas chega a 8. Apenas Síria, Somália e Paquistão vivem cenários mais dramáticos para os jornalistas que o Brasil (ver aqui).

domingo, 16 de dezembro de 2012

Banco brasileiro dispensa cartão para sacar dinheiro



Desde a última quinta-feira, dia 13 de dezembro de 2012, os clientes do Bradesco, um dos maiores bancos privados do Brasil, podem realizar operações de levantamento de dinheiro e consulta de saldos sem o uso de cartão de débito nos terminais de autoatendimento do banco. A transação é possível com o uso da identificação biométrica – leitura do padrão vascular da palma da mão. Cerca de 93% dos mais de 35 mil terminais de autoatendimento do Bradesco no Brasil estão equipados com o dispositivo (ver aqui).  
É mais um avanço tecnológico, que neste caso significa mais segurança para os cidadãos, pois trata-se de uma forma eficaz de combater os crimes de roubo e clonagem de cartões bancários.

sábado, 15 de dezembro de 2012

Manuel Castells e a expansão do “não-capitalismo”



Em todo o mundo está crescendo uma legião de consumidores que não podem consumir, por uma razão básica e simples: não têm dinheiro, não têm crédito, não têm nada. O que será do sistema capitalista, que induz ao consumo pelo consumo, quando estes consumidores sem possibilidades de consumir por falta de recursos estiverem em maioria? O que será do marketing quando procurar novos produtos sem que haja clientes que tenham dinheiro para comprá-los?
Se não houver mudanças no sistema econômico global, tudo indica que o caminho será cada vez mais estreito. O que está acontecendo na Europa pode ser o começo de um futuro global imprevisível. Porque os recursos naturais são limitados, mas a população mundial continua aumentando e precisando de comer para viver. Contudo, a modernização tecnológica e a Internet continuam destruindo postos de trabalho, reduzindo o número de pessoas com recursos financeiros e poder aquisitivo. Daqui resultará, certamente, uma minoria com dinheiro para tudo – inclusive para megalômanas viagens aeroespaciais – e uma maioria de mendigos, sem dinheiro para tomar o café da manhã.
O sociólogo espanhol Manuel Castells fala deste problema e sobre a necessidade de um novo caminho. Numa entrevista à rádio BBC, ele admite que talvez estejamos prestes a ver o surgimento de um novo tipo de economia, numa mudança impulsionada justamente pelos consumidores que não têm dinheiro para consumir. O que pode desencadear uma revolução cultural à escala global.
“Se queremos trabalhar para ganhar dinheiro, para consumir, é porque acreditamos que comprando um carro novo ou uma nova televisão, ou um apartamento melhor, seremos mais felizes. Isso é uma forma de cultura. As pessoas estão revertendo essa noção. Pelo contrário: o que é importante em suas vidas não pode ser comprado, na maioria dos casos. Mas elas não têm mais escolha porque já foram capturadas pelo sistema”, afirma o sociólogo espanhol.
Para ele, é fundamental uma mudança cultural que seja capaz de abalar os dois maiores poderes do mundo – o sistema político e o financeiro –, através de uma completa descrença nas instituições políticas e financeiras. A solução passará por práticas econômicas sustentáveis e não motivadas pelo lucro, tais como a permuta de produtos e serviços, as moedas sociais, as cooperativas, as redes de agricultura e de ajuda mútua, com serviços gratuitos. Tudo isso já existe e está se expandindo em vários pontos do mundo. O que falta saber é se a classe política vai mostrar abertura para as mudanças que já acontecem na sociedade. Vamos esperar para ver (ver aqui).

LPR Comunicação com a Câmara Brasil Portugal em Fortaleza



A LPR Comunicação, marca de consultoria e gestão de comunicação que lancei em Fortaleza, aceitou um convite da Câmara de Comércio Brasil Portugal no Ceará para prestar os serviços de assessoria de comunicação, na vertente de produção de conteúdos informativos para o boletim de notícias digital, que é editado semanalmente pela instituição. Para quem está começando no mercado de comunicação em Fortaleza – que é a quinta maior cidade brasileira, com 2,5 milhões de habitantes e um crescimento econômico superior à média do Brasil –, é muito prestigiante ter um parceiro como a Câmara de Comércio Brasil Portugal no Ceará, uma instituição de pessoas empreendedoras, que honram a economia do Ceará e do espaço lusófono.
A Câmara Brasil Portugal no Ceará – Comércio, Indústria e Turismo (CBP-CE), fundada em junho de 2001, é uma associação civil sem fins lucrativos com atuação no Estado do Ceará, em Portugal e demais países de língua portuguesa. Semanalmente, a instituição envia um boletim de informação econômica para um total de 12 mil contatos de correio digital do Brasil, de Portugal e de outros países de língua oficial portuguesa. A informação também é divulgada no “site” oficial da câmara de comércio, em www.brasilportugal.org.br, e nas redes sociais, nomeadamente no Facebook, em www.facebook.com/cbpce.
O objetivo do canal de comunicação é divulgar informação econômica do interesse dos associados da Câmara de Comércio Brasil Portugal no Ceará, assim como do interesse de todos os agentes econômicos que atuam no Brasil e em todo o espaço lusófono.
A LPR Comunicação entrou no mercado no segundo semestre de 2012, atuando no setor da Consultoria e Gestão de Comunicação, produzindo soluções de comunicação, numa visão integrada, para empresas, marcas, organizações públicas e privadas. Entre os vários serviços e soluções, a LPR Comunicação destaca-se na assessoria de imprensa e relações com a mídia; na comunicação com comunidades; na produção de conteúdos e comunicação nas redes sociais; nas relações públicas; na comunicação municipal e governamental; na comunicação de marcas portuguesas no Brasil e de marcas brasileiras em Portugal; e na comunicação territorial de cidades e regiões.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Portugal considerado o melhor destino turístico em 2013



Portugal está na moda. O pequeno País mais ocidental da Europa é considerado o melhor destino turístico de 2013 (ver aqui). Não é uma grande surpresa, uma vez que Portugal é um país modernizado que tem história, paisagens belíssimas, monumentos, excelente gastronomia, boas praias, serras e um bom turismo rural. E, além de tudo, é um País barato.
Esta nomeação é uma boa notícia para a economia portuguesa, que, por esta altura, precisa de todos os incentivos para se levantar das cinzas. Mas as boas notícias só têm valor se forem devidamente aproveitadas. Neste caso, os organismos públicos de Portugal, em particular aqueles que se relacionam com o turismo e setores econômicos que se cruzem com o turismo – como o setor vinícola ou o setor do azeite, por exemplo –, sejam nacionais, regionais ou até municipais, teriam muito a ganhar aproveitando a escolha do portal internacional de viagens Globe Spots para promoverem devidamente o País nos mercados turísticos prioritários. Não me refiro a gastar dinheiro sem sentido na comunicação de mensagens mirabolantes. Pelo contrário, estou a falar em investir na comunicação de um território, com sentido estratégico, salientando tudo aquilo que há de bom e de melhor para oferecer a turistas e, inclusive, a possíveis investidores. De outro modo, as boas notícias são apenas isso. Boas e nada mais.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Oscar Niemeyer (1907-2012). Sopro imortal corre o mundo



O Brasil perdeu um dos maiores ícones de todos os tempos. O arquiteto Oscar Niemeyer, que comunicou como poucos através do seu traço singular, dizia que a vida é um sopro. No caso dele foi um sopro que durou 104 anos, mas cujo legado é imortal. O desaparecimento de Niemeyer é hoje notícia em todo o mundo.
Nos Estados Unidos, no Reino Unido, na França, nos países muçulmanos e na China, as agências de notícias, emissoras de televisão e jornais informaram sobre a morte lembrando sua trajetória e estilo.
As agências internacionais de notícias Reuter, BBC e Bloomberg também deram informações sobre a morte de Niemeyer, destacando as obras do arquiteto, a construção de Brasília e as características peculiares do seu estilo. Em praticamente todas as reportagens há fotos de Niemeyer e imagens de Brasília.
Nos Estados Unidos, os jornais “The New York Times” e “The Washington Post”, além de vários veículos regionais, publicaram em destaque a morte de Niemeyer. “The New York Times” chamou o arquiteto de precursor de uma nova geração que deu vazão à sensualidade e à liberdade de imaginação com fotos da Catedral de Brasília e uma aérea da cidade.
O jornal “Washington Post” classificou Niemeyer como o “mais famoso arquiteto da América Latina”. No Reino Unido, os jornais “The Guardian” e “Financial Times” publicaram a notícia da morte do arquiteto destacando detalhes da sua personalidade.
“The Financial Times” lembrou que Niemeyer era comunista e ressaltou sua síntese sobre a vida: “A vida é um suspiro, um minuto. Nós nascemos, nós morremos”. “The Guardian” publicou uma fotografia de Niemeyer jovem e destacou que ele foi o responsável por mudar o estilo da arquitetura do século 20.
Para “Le Monde”, um dos principais jornais da França, Niemeyer era o “arquiteto da sensualidade”. Na reportagem, há duas fotografias: uma do arquiteto olhando a paisagem do Rio de Janeiro pela janela e a outra do Palácio da Alvorada, residência oficial da Presidente da República, Dilma Rousseff. Segundo a matéria jornalística, Niemeyer revolucionou a arquitetura.
A Xinhua, agência estatal de notícias da China, publicou uma reportagem longa com várias informações sobre o arquiteto. Também ressaltou a nota de pesar da Presidente Dilma Rousseff. A emissora de televisão Al Jazeera, uma das principais do mundo árabe, definiu Niemeyer como o “arquiteto futurista” e lembrou seu legado com mais de 400 obras espalhadas pelo mundo. Obs. – Com informações da Agência Brasil.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Os perigosos monopólios da Comunicação, segundo Tim Wu


“Para ter sucesso como gostaria o Facebook, é preciso se tornar essencial. Há que se tornar parte da infraestrutura, a estrada, a linha de telefone. O Google fez isso bem, é quase impossível passar um dia sem usar o Google. Mas pode-se passar uma ou duas semanas sem acessar sua conta no Facebook. Voltemos aos tempos primordiais: quando se examina o rádio, a televisão, o telefone, eram todos parte necessária da vida. Durante boa parte do século 20, muita gente passou muito tempo diante da televisão. O Facebook não atingiu aquele ponto de virada, de se tornar essencial. O Facebook tem um conteúdo, seus amigos. Pensaram que era o conteúdo mais valioso. Há uma diferença entre necessidade e novidade. A novidade é divertida durante algum tempo. E não está claro se o Facebook passou de novidade a necessidade.”

“Eu falo da emergência dos monopólios da Internet: Google, Apple, Facebook, Amazon. (…) E a diferença, desta vez, é que há 50 anos havia poucas redes de televisão, mas, ao menos, cada país tinha suas redes dominantes diferentes. Agora, companhias como Google e Facebook dominam de maneira global. O Brasil não inventou seu Google bem-sucedido. A mídia é toda americana, a esta altura. O que estou tentando dizer é que a história está se repetindo bem mais rápido do que esperava. E a grande diferença é: em vez de cada país ter suas rádios e TVs, agora a mídia é predominantemente americana.”

“Acho que a sociedade precisa agora tomar cuidado com as companhias que se tornam tão grandes e enraizadas que passam a ter o controle que eu chamo de supermonopólio – controlam todos os mercados, têm apoio do Governo e não podem ser enfrentadas. Isso, historicamente, tende a acontecer com o mercado de mídia. E é algo que temos de evitar, pois leva a algum tipo de censura à expressão. As maiores ameaças à liberdade de expressão vêm de grandes conglomerados, que ocupam vários territórios. No Governo, não separamos os poderes? O mesmo deve ocorrer na comunicação de massa, não se deve ter a mesma empresa transmitindo, produzindo, comercializando a informação, pois leva ao conflito de interesse.”

“Quando há corporações-monopólio, é mais fácil para o Governo obter informação privada, só precisa recorrer a uma fonte. Grandes corporações têm mais intimidade com governos. Se o Governo americano quiser saber algo sobre você, pode ir logo falar com o Facebook, é simples. E se grandes corporações atuam em diferentes áreas, elas podem reunir muita informação sobre você, é o segundo risco à privacidade.”

“Dependendo do país, é necessário se preocupar com as companhias que transportam informação, os ISP’s [Internet Service Providers]. Elas são os maiores agentes de censura, especialmente quando controladas pelo Governo, como na China. O outro tipo de companhia a observar são as grandes como Google, Facebook e Apple. Não estou dizendo que são malignas, mas precisam ser monitoradas. O poder absoluto corrompe.”

“Estou preocupado com a perda do sentido de que o PC é propriedade de seu usuário. Se se considera o iPad e os tablets, eles são como TVs que você carrega consigo. Acho que sacrificamos algo quando aceitamos aparelhos que não têm função criativa. Os PCs podem ter seus problemas, mas servem a vários campos de criação. O problema com o modelo da Apple, a longo prazo, é que ele preserva a velha estrutura de poder de Hollywood. Em vez de assistir aos programas na televisão, agora se assiste pelo iPad. Acho que o iPad é a recriação do modelo da televisão. O truque é que nós, consumidores, gostamos disso. A Internet permitiu isto: uma nova era de ouro da televisão, nos Estados Unidos. Nos anos 60 e 70, as redes podiam exibir qualquer porcaria. A pressão da competição sobre as redes de TV produziu qualidade. Mas me preocupo, acho que podemos perder isso, porque a televisão agora precisa competir com o tempo que gastamos ‘on-line’, com o amadorismo do conteúdo do YouTube. Se a Apple tiver sucesso e todo mundo só assistir ao conteúdo exibido por ela, voltamos a Hollywood, com o conteúdo mais restrito.”

“[Os responsáveis do Google] não respeitam o princípio da separação, querem controlar tudo. Antes, eu imaginava que queriam facilitar o acesso, mas começaram a operar o próprio provedor de Internet de fibra ótica, em Kansas City. Entraram na telefonia e isso é mau sinal.”

Tim Wu, professor da Escola de Direito da Universidade de Columbia, analista de leis de copyright e autor do livro “Impérios da Comunicação”, em entrevista ao Estado de S. Paulo, 30-11-2012 (Ler aqui versão integral)

domingo, 2 de dezembro de 2012

Mourinho cala críticos do Real Madrid sem abrir a boca



"Entrarei no Bernabéu sozinho. Se quiserem assobiar-me, lá estarei.” Prometeu e cumpriu. Muito criticado durante a semana, o técnico do Real Madrid, o português José Mourinho, decidiu enfrentar a torcida do seu clube, anunciando previamente que iria subir sozinho no relvado do Estádio Santiago Barnabéu, para que pudessem assobiá-lo no seu local de trabalho. Aconteceu nesta sábado, antes do dérbi Real Madrid-Atlético de Madrid e resultou na imagem mais forte da noite: a maioria dos cerca de 3 mil adeptos do REal que estavam no estádio apoiou o treinador português. Uns tímidos assobios iniciais deram rapidamente lugar aos aplausos, e durante os 2 minutos que Mourinho permaneceu imóvel, à frente das centenas jornalistas, até teve direito a cânticos de apoio. Depois disso, o treinador virou costas e regressou aos balneários (ver vídeo aqui).
Considerado um dos melhores treinadores do mundo e da história do futebol, José Mourinho recorreu a uma ação de comunicação não verbal para demonstrar o seu poder e capacidade de liderança. E demonstrou que, muitas vezes, um líder não precisa de falar para revelar a sua liderança. No final, após a vitória do Real Madrid sobre o Atlético de Madrid, por 2-0, outro grande momento de comunicação, desta vez invisível: Mourinho não compareceu na sala de imprensa, tendo delegado no seu adjunto Aitor Karanka o atendimento dos jornalistas.
Nos dois momentos, Mourinho, mesmo sem abrir a boca, defendeu a sua equipa, defendeu as suas opções tácticas, calou os críticos e projetou a sua imagem de líder, de vencedor e de homem corajoso, que não se esconde atrás de ninguém. E a sua organização, o Real da Madrid, ganhou com isso.  
Embora mal classificado na atual Liga de Espanha, em terceiro lugar, a 11 pontos do Barcelona, que lidera a tabela, José Mourinho terminou o jogo com o Atlético de Madrid sob aplausos e com mais um feito para a história do Real Madrid, pois tornou-se no técnico do Real com mais triunfos consecutivos em dérbis frente ao rival Atlético (7) – tendo destronado José Ángel Berraondo, treinador do Real entre 1927 e 1929 que o tinha conseguido por seis ocasiões.

domingo, 25 de novembro de 2012

O mercado da construção civil e o exemplo português



O problema não é exclusivo de Portugal, mas resulta de uma tendência nos mercados mundiais nos últimos anos: o poder crescente do setor bancário e financeiro e dos investidores sem rosto, que disseminaram seus investimentos no setor imobiliário de muitos países, onde promoveram a construção de imóveis muito acima das necessidades habitacionais identificadas pelo mercado – ou seja, sem os necessários estudos de mercado. O resultado é a existência de mais casas do que moradores, provocando uma quebra do mercado que é má para todos, podendo mesmo afetar a estabilidade de um País. De tal modo que, em Espanha, por exemplo, o líder do Governo, Mariano Rajoy, já anunciou que concede autorização de residência aos estrangeiros que comprem casa no País (ver aqui). 
Em Portugal, a situação também é muito grave. Excesso de construção e crise económica contribuíram para um aumento de 35% do número de alojamentos vagos. Há urbanizações inteiras sem ninguém. Num País com pouco mais de 10 milhões de habitantes, há mais de 735 mil casas vazias (ver aqui). Mas o problema das casas vazias também já afeta o Brasil – onde os preços no setor imobiliário estão muito inflacionados, por conta do Mundial de futebol de 2014 e dos Jogos Olímpicos de 2016. Só em Fortaleza, que é a quinta maior cidade do Brasil, estima-se que o preço da habitação esteja inflacionado em 50% (ver aqui).
Em Portugal, o bloqueio do setor da construção acontece num momento em que o Presidente da República, Cavaco Silva  que há 20 anos chefiava o Governo, tendo lançado as sementes da crise de hoje , propõe, agora, que os portugueses regressem à agricultura, ao mar e à indústria (ver aqui).
Perante a crise no setor da construção civil, as empresas portuguesas só têm dois caminhos: ou se reinventam, mudando de setor de atividade, o que implica mudanças nos recursos humanos e nos serviços e produtos que oferecem, ou vão à falência. É tão simples como isso. Porque, num País em recessão económica e cada vez mais velho, em função da diminuição da população, pela estagnação dos nascimentos, e pela emigração, não há lugar para tantos empreiteiros e construtores civis. Só um grupo muito restrito de empresas irá ficar no setor da construção: as que têm poder económico e podem diversificar a sua presença no mercado; as que são reconhecidas pela qualidade das suas obras e pela ética empresarial; e aquelas que se especializarem no mercado da reabilitação. Todas as outras morrem.

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Linkedin. Os 20 melhores grupos de comunicação



Num momento em que o Facebook se torna na rede social mais democrática do planeta, na qual está quase toda a gente, sendo já frequentado maioritariamente pela classe C, no Brasil – e também por espiões disfarçados de mulheres bonitas e outros falsários –, o Linkedin tem ganho terreno como ferramenta digital de relacionamento profissional. A possibilidade de podermos participar em múltiplos grupos de discussão, de acordo com os nossos interesses profissionais do momento, para partilha de conhecimentos, saberes e experiências, é um dos pontos fortes do Linkedin.
“Participando de um grupo Linkedin é fácil manter-se atualizado com as tendências do setor, fazer contatos valiosos, tornar-se uma referência em sua área de atuação, enfim, é uma verdadeira MBA livre para todos”. Quem o diz é Adriano Oliveira, fundador e editor-chefe do sítio brasileiro Acervo Publicitário e especialista em marketing industrial. Adriano Oliveira escolheu os 20 melhores grupos brasileiros do Linkedin na área do marketing e da comunicação, todos em português, que partilho com os leitores do blog COMUNICAÇÃO INTEGRADA (ver aqui).

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

A excelência de Pedro Santos Guerreiro



Admirado pela brutalidade certeira com que analisa a crise económica europeia, a dívida pública portuguesa e os efeitos nocivos da política de austeridade que está sendo aplicada em Portugal, o jornalista Pedro Santos Guerreiro, diretor do “Jornal de Negócios”, foi distinguido com o prémio Excelência do Jornalismo Económico, promovido pela Ordem dos Economistas.
Santos Guerreiro iniciou a sua carreira de jornalista em 1996, no jornal “Semanário”, tendo sido um dos fundadores do “Jornal de Negócios”, em 1997, do grupo Cofina. Possui um MBA pela Universidade Nova de Lisboa e é licenciado pelo Instituto Superior de Gestão.
Para além do diretor do ”Jornal de Negócios”, que sucede a Cristina Ferreira, jornalista do “Público”, estavam nomeados André Macedo, diretor do “Dinheiro Vivo”, José Gomes Ferreira, subdiretor da SIC, e Paulo Ferreira, editor de economia da RTP. No ano passado, na sua primeira edição, Pedro Santos Ferreira já tinha sido nomeado para o Prémio de Excelência em Jornalismo Económico, em conjunto com o diretor do “Diário Económico”, António Costa, Cristina Ferreira, do “Público” e José Gomes Ferreira, que apresenta o programa “Negócios da Semana”, na “SIC Notícias”.
O Prémio Excelência Jornalismo Económico, atribuído pela segunda vez numa cerimónia pública, no Hotel Tivoli, em Lisboa, é uma iniciativa da Ordem dos Economistas, com o patrocínio do Banco Espírito Santo (BES), cujo objectivo é “distinguir os jornalistas que melhor tenham contribuído, com trabalhos publicados ou difundidos nos órgãos de comunicação social portugueses, para a afirmação de um jornalismo económico de referência e de excelência”.
Tal como em 2011, os nomeados este ano foram indicados por um júri composto pelo atual bastonário da Ordem dos Economistas, Rui Martinho, e por quatro ex-ministros das Finanças – Jacinto Nunes, João Salgueiro, Teixeira dos Santos e Miguel Beleza. 

terça-feira, 13 de novembro de 2012

A importância de uma atitude holística



Quem defende uma análise global de uma situação concreta e um entendimento geral dos fenómenos tem uma visão holística da realidade que observa. Na área da saúde, por exemplo, o holismo é uma doutrina que concebe o indivíduo como um todo que não se explica somente através da soma das suas partes, apenas podendo ser entendido integralmente. Nas ciências humanas e sociais, a visão da atitude holística é muito idêntica, pois defende a importância da compreensão integral dos fenómenos e não a análise isolada dos seus constituintes.
E no mundo da comunicação?... Hoje, o profissional de marketing e comunicação deve estar envolvido com tudo o que acontece na organização onde trabalha. Muito recentemente, Mauro Segura escreveu sobre isso no Estado de S. Paulo (ver aqui). Ou seja, um profissional de marketing e comunicação deve ter como uma das suas melhores competências uma visão holística da empresa ou da organização para quem trabalha. Por outras palavras, a um bom profissional de comunicação pede-se que não confunda a árvore com a floresta e que tenha sempre presente a visão da floresta, para que possa entender todas as árvores. No entanto, ele não deve confundir “visão holística” – que tem a ver com um acompanhamento global empenhado em nome do coletivo da organização – com a necessidade de meter o nariz em tudo – procurando obter informação privilegiada para interesse próprio. 
Ao decidir com base numa análise geral, o profissional de comunicação estará em condições para decidir melhor e de envolver o coletivo na visão e na missão da organização. Além disso, a comunicação só será eficaz e bem dirigida se estiver concentrada no gabinete de marketing e comunicação. Para essa eficácia, porém, é fundamental o envolvimento de todos, pois só assim será possível obter a coerência da imagem interna e externa da organização. E quando estamos todos ligados em rede – em que cada funcionário, mesmo no seu período de lazer, pode ser porta-voz da organização no seu contato digital com o cliente –, a necessidade de coerência na comunicação é ainda maior.
Sobre isto, Mauro Segura vai direto ao ponto: “Comunicação externa e comunicação interna precisam trabalhar juntas e alinhadas. Hoje, todos os funcionários são propagadores da marca da empresa, ou melhor, porta-vozes. Por isso, é essencial capacitá-los e torná-los agentes ativos nos programas de marketing e comunicação da empresa.”

domingo, 11 de novembro de 2012

Fluminense e Sporting Clube de Portugal num vídeo histórico



É uma nota para a história da imagem no futebol português e no futebol brasileiro. No dia em que a equipa do Fluminense Football Club, que tem como técnico o meu amigo Abel Braga, que foi levado em ombros pelos jogadores, conquistou pela quarta vez na sua história o título de campeão brasileiro, faço uma pequena homenagem ao clube carioca, lembrando que nas primeiras imagens de um jogo de futebol filmado no Brasil, país onde o futebol é o desporto-rei por excelência, estão as equipas do Fluminense e do Sporting Clube de Portugal – curiosamente dois clubes cujas origens se inspiraram em influências britânicas do início do século XX (ver aqui).
O Fluminense-Sporting, do qual há um pequeno registo filmado, aconteceu em 29 de Setembro de 1928, no âmbito de uma digressão sportinguista por terras brasileiras. Já passaram 84 anos. Com o Estádio das Laranjeiras, no Rio de Janeiro, cheio como um ovo, os brasileiros venceram 3-2 o Sporting Clube de Portugal – e não “de Lisboa”,  que os sportinguistas, como eu, não gostam nada de ouvir.
Foi também o primeiro jogo em que o Sporting – 18 vezes campeão português – apresentou a camisola com listas horizontais verdes e brancas, que ainda hoje faz parte do seu equipamento tradicional. A escolha da nova camisola foi completamente casual: os equipamentos com a camisola listada, que eram usados pela equipa de râguebi, eram mais confortáveis, sob o calor do Rio de Janeiro, e estavam em melhor estado do que os do futebol.
O documento videográfico, registando as primeiras imagens de futebolem movimento no Brasil, já foi divulgado em programas desportivos da TV Globo, mas jamais terá passado nas televisões portuguesas. Ele coloca o Fluminense Football Club e o Sporting Clube de Portugal na história do futebol e das imagens do futebol, que, como sabemos, são muito importantes para a comunicação da modalidade e dos seus protagonistas, de tal forma que é a televisão que garante o financiamento daquele que é considerado um dos maiores espetáculos do planeta.

sábado, 10 de novembro de 2012

Investigadores de Media e Jornalismo em Lisboa



“Pesquisa em Media e Jornalismo” é o tema aliciante do IV Seminário Internacional “Media, Jornalismo e Democracia”, a realizar nos dias 6 e 7 de Dezembro de 2012, numa organização do Centro de Investigação Media e Jornalismo (CIMJ), da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. O evento será dedicado a homenagear o professor universitário Nelson Traquina, fundador e ex-presidente da direção do CIMJ e considerado um dos principais dinamizadores dos Estudos Jornalísticos em Portugal nas últimas décadas (ver aqui).
O seminário do CIMJ vai receber em Lisboa reputados académicos e investigadores internacionais dos media e do jornalismo, tais como como Barbie Zelizer (EUA), Margarita Ledo (Espanha), Antônio Hohlfeldt (Brasil), Eduardo Meditsch (Brasil), Claudia Padovani (Itália), Carmén Pérez (Espanha) e Marialva Barbosa (Brasil).
Um seminário muito oportuno nestes tempos de mudanças permanentes nos meios de comunicação e nos métodos de investigação jornalística, por força dos problemas e também soluções que foram introduzidos pela Internet e pelo jornalismo digital.
Fundado em 1997, o CIMJ – Centro de Investigação Media e Jornalismo tem atualmente a sua equipa constituída por um alargado número de membros integrados e colaboradores, na sua grande maioria composta por professores e investigadores de diversas instituições de ensino superior. Tem como principais objetivos desenvolver a investigação científica e promover o estudo e o debate sobre temas relacionados com os media, o jornalismo e a sociedade (ver aqui). 
Entretanto, no âmbito deste seminário, o excelente Laboratório de Comunicação On-line do Departamento de Comunicação e Artes da Universidade da Beira Interior, da Covilhã, acaba de editar o “e-book” intitulado “Pesquisa em Media e Jornalismo – Homenagem a Nelson Traquina”, disponível gratuitamente (descarregar aqui).
Organizado por Isabel Ferin Cunha, Ana Cabrera e Jorge Pedro Sousa, o livro inclui textos de Carla Martins, Carlos Camponez, Cristina Ponte, Estrela Serrano, Francisco Rui Cádima, Helena Lima, João Carlos Correia, João Pissarra Esteves, Maria João Silveirinha, Maria José Mata, Marialva Carlos Barbosa, Marisa Torres da Silva, Rita Figueiras, Rogério Santos, Teresa Mendes Flores e Vanda Calado.

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Televisão Digital Terrestre nas teias da corrupção



O investigador da Universidade do Minho Sergio Denicoli afirma que há "fortes indícios" de corrupção na implementação da Televisão Digital Terrestre (TDT) em Portugal e sublinha que o processo foi conduzido de forma a não funcionar. Na sua tese de doutoramento, intitulada “A implementação da televisão digital terrestre em Portugal”, aprovada por unanimidade na Universidade do Minho, o investigador identifica um processo sinuoso, “de acordo com as conveniências e o jogo político-económico” em Portugal, envolvendo figuras ligadas aos dois principais partidos políticos: PSD e PS. 
Segundo o investigador, a Portugal Telecom aparece como organização central ligada aos partidos políticos, “devido à relação simbiótica estabelecida após a privatização da empresa, cujos padrões de funcionamento parecem continuar a existir mesmo sem as ‘golden shares’, mesmo porque o grupo tem como um dos principais acionistas a Caixa Geral de Depósitos, que é um banco público e que tem direito de indicar ao menos dois nomes para compor a administração da PT”.
Nas questões principais que orientaram a investigação, Sergio Denicoli identifica “quais foram os principais atores políticos e económicos envolvidos no processo de decisão”, revela “como se articularam as forças e os interesses entre estes atores sociais” e adianta quais foram os resultados “para a população portuguesa, em geral, e para as regiões mais desfavorecidas, em particular” (ver aqui a tese de doutoramento na íntegra).
"Houve uma Televisão Digital Terrestre planeada muito diferente da que foi implementada. Foram prometidos, por exemplo, muitos canais, mas ficou-se apenas pelos quatro que já existiam no analógico. Isso ocorreu por interferências políticas e económicas, o que nos leva a crer que pode ter havido a captura do regulador pela Portugal Telecom (PT), ou seja, a Anacom teria trabalhado em favor da PT", afirmou o investigador à agência Lusa.
Segundo Sergio Denicoli, em Portugal, ao contrário do que acontece noutros países da União Europeia, "as autoridades públicas legislaram respondendo primordialmente aos interesses empresariais" e não se preocuparam sistematicamente com a população ou com a inclusão digital (ver aqui).
Este caso está a desencadear um conjunto de reações em Portugal. Uma delas foi o distanciamento institucional da Universidade do Minho em relação às conclusões da tese de doutoramento. Outra foi o lançamento de uma Petição Pela Liberdade de Investigação Académica, que procura “denunciar publicamente toda e qualquer tentativa que pretenda condicionar a investigação científica e atemorizar ou silenciar os investigadores” (ver aqui). Já o presidente executivo da Portugal Telecom, Zeinal Bava, procura tranquilizar os acionistas da empresa quanto ao “caso” TDT (ver aqui): “Não há processo de corrupção nenhum.”  
As autoridades judiciais ainda não se pronunciaram sobre o caso. Porém, os trabalhadores da RTP já questionaram a Procuradoria-Geral da República (PGR) sobre o destino que foi dado à participação feita em janeiro, por eventual violação de interesses dos cidadãos no processo de introdução da Televisão Digital Terrestre (TDT) em Portugal (ver aqui).

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Portugal e a “Angolanização da Economia”



A cidade do Porto, no Norte de Portugal, vai receber, de 13 a 17 de Novembro de 2012, a primeira edição da "Feira de Emprego e Angolanização da Economia", evento inserido no âmbito das comemorações do 37º aniversário da Independência de Angola, que se assinala a 11 de Novembro (ver aqui).
Acho absurdo que a cidade do Porto e uma das suas instituições mais antigas e emblemáticas – a Associação Comercial do Porto – recebam e apoiem um evento denominado “Angolanização da Economia”. É capaz de haver alguma razão, certamente descoberta por alguma cabeça iluminada do marketing estratégico. Porém, não consigo perceber. A não ser no quadro de uma desorientação estratégica profunda, que está a afetar Portugal e a Europa.
A comunicação é fundamental. Na organização de um evento, a forma como comunicamos é ainda mais decisiva. E o primeiro sinal de eficácia na comunicação de um evento está justamente na sua designação.
Sabemos que o evento que a cidade do Porto vai receber é organizado mediante uma parceria entre o Consulado Geral de Angola no Porto e a Associação Comercial do Porto. E, em função da grave crise económica e social que afeta Portugal, calculamos que a feira seja um evento de grande interesse para trabalhadores e investidores portugueses – pois integra uma mostra de oportunidades de emprego em Angola e diversas conferências com apresentação de casos de sucesso de empresas portuguesas no País. Mas daí à “Angolanização da Economia” é capaz de ir uma grande distância.
A expressão “Angolanização da Economia” para designar uma feira de emprego e oportunidades de investimento em Angola é absurda. E significa uma dependência de Portugal atroz e assustadora em relação à sua antiga colónia africana. Sobretudo quando é Portugal que tem os investidores, tem a tecnologia e tem a mão-de-obra qualificada. Por outro lado, a expressão “Angolanização da Economia” não faz sentido nenhum, assim como jamais faria qualquer sentido falar em “Brasileirização da Economia”, só para dar o exemplo do Brasil, que é um País onde Portugal também tem grandes investimentos.

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Luís Paulo Rodrigues. “Os consumidores não toleram a mentira”



Declina de todo a ideia de a comunicação ser encarada como um serviço entregue a amigos ou curiosos ou como uma despesa dispensável em momentos de crise, defendendo que o melhor que pode acontecer a uma marca é entrar no sistema mediático tradicional depois de ter construído a sua imagem no espaço digital. Encara isso como uma agregação de valor extraordinária, embora tenha de ser feito com muito cuidado! Principalmente num momento em que as marcas têm de ser cada vez mais honestas na sua comunicação, pois os consumidores estão cansados de mentiras!

PERGUNTA (P) – Como avalia a comunicação feita pelas empresas portuguesas? Considera que há ainda muitos aspectos a melhorar?
LUÍS PAULO RODRIGUES (LPR) – Em todas as empresas, a despesa em comunicação deveria ser encarada como um investimento essencial na sua gestão estratégica. E, quando falo em comunicação empresarial, refiro-me à assessoria de imprensa, às relações públicas e a todas as disciplinas da comunicação: o marketing, a comunicação interna, o atendimento ao cliente, a comunicação digital, a publicidade, a comunicação corporativa, o marketing na comunidade envolvente, etc. Em cada empresa ou organização tudo isto deve funcionar de forma integrada, respeitando a visão, a missão e os valores. As empresas portuguesas, salvo honrosas excepções, têm a visão, a missão e os valores expressos no seu ‘site’ como se fossem adereços que ficam bem ali. Na maioria dos casos são visões e missões perfeitamente vagas, que poderiam ser aplicadas a todas as empresas. Quanto à comunicação, muitas vezes, é encarada como um serviço que pode ser entregue aos amigos ou curiosos. Ou como uma despesa dispensável em momentos de crise.

P – Tendo em conta as características do nosso país, considera que é vantajosa a comunicação em associação?
LPR – A comunicação em associação é um excelente caminho, porque permite uma comunicação eficaz por menos dinheiro. O problema são as capelinhas e os egocentrismos paroquiais. O movimento associativo, muitas vezes, não é suficientemente forte. Por exemplo, os produtores de vinho de uma determinada região poderiam fazer a comunicação nacional ou internacional, mediante o pagamento de uma quota mensal ou anual à associação a que pertencem, cabendo à associação a responsabilidade pela comunicação, de acordo com os mercados prioritários. O futuro da comunicação internacional de alguns produtos portugueses, como o vinho ou o azeite, tem de passar por aí. Para se promover no estrangeiro, o vinho português tem de deixar as salas dos hotéis, onde são feitas as provas de degustação sempre para as mesmas pessoas, e tem de ir até aos consumidores que lêem jornais e revistas e que estão na Internet, que querem conhecer não só o vinho, mas a região onde ele é produzido e os próprios métodos de produção. O novo consumidor é informado e gosta de procurar informação antes de decidir as suas compras.

P – Como se deve comunicar no mercado global?
LPR – Os princípios da comunicação são iguais em todo o lado. O que é preciso é conhecer os mercados, a sua cultura, os seus hábitos, costumes e tradições. É preciso saber se as pessoas lêem mais jornais ou se vêem mais televisão. Se frequentam mais o Facebook ou o Twitter. As mensagens também têm de ser adaptadas a cada região do globo. Não podemos no mercado de muçulmanos apostar numa publicidade que explore o capital erótico da mulher. Nem podemos ir para o Brasil falar em “raparigas”, que lá são prostitutas, nem em frango pica-no-chão, que remete para uma coisa pornográfica. O vinho verde, no Brasil, não pode ser servido “fresco” – que soa a arrogância –, tem de ser servido gelado. Por isso, a comunicação, embora obedecendo aos mesmos princípios em todos os lugares, precisa de ser regional para ser mais para ser mais eficaz. Regional no sentido em que apela a uma adaptação ao mercado.

P – Um estudo recente revela que as marcas relevantes são as que fazem a diferença na vida das pessoas, comunidades, sociedade e gerações futuras e também as que dominam o mercado. Perante esta situação, existe necessidade de se alterar a estratégia das empresas?
LPR – Esta questão foca dois problemas. O primeiro, relativamente à questão do peso das marcas na mente dos consumidores, significa que a maioria das marcas portuguesas não existe para a maioria das pessoas. Provavelmente, isso acontece porque essas marcas comunicam mal e não conseguem um envolvimento satisfatório com os consumidores. Lá, está, o que não é comunicado não existe. O segundo problema tem a ver com as exportações portuguesas e com a imagem de Portugal no estrangeiro. Os consumidores associam as marcas à imagem dos países. Se a Coca-Cola não fosse americana, não seria a marca que é. Se a BMW não fosse alemã também não seria a marca consistente e robusta que é. Dou um exemplo concreto que afectou as exportações de máquinas fotográficas da Leica para os Estados Unidos. Cerca de 90 por cento das máquinas Leica são produzidas em Portugal, em Vila Nova de Famalicão. E são tão bem produzidas que os alemães acabam de investir na construção de uma nova fábrica. Há uns anos, as máquinas produzidas em Famalicão passaram a usar a etiqueta “made in Portugal”. A experiência foi um fracasso. Depois de perdas de 30% em vendas nos EUA e Japão, a Leitz, a empresa dos alemães em Famalicão, decidiu voltar a inscrever a etiqueta “made in Germany” para recuperar. E recuperou. Isto significa que os grandes mercados internacionais não confiam muito nos produtos fabricados em Portugal, a não ser os produtos naturais, como os alimentares. Eis um indicador precioso para o Governo trabalhar a imagem de Portugal no estrangeiro. E seria importante saber por que é que os americanos e os japoneses deixaram de comprar uma máquina fotográfica de uma marca alemã prestigiada, só porque ostentava a inscrição “made in Portugal”. Mas isto serve para explicar que o peso das marcas na mente dos consumidores está muito ligado à imagem dos países.

P – A que se devem estas mudanças nos consumidores?
LPR – Os consumidores são cada vez mais informados e cada vez mais exigentes. Os consumidores perguntam, querem saber, fazem contas e só depois é que decidem. Com tantas marcas à disposição, o consumidor ganhou poder, porque ganhou capacidade de escolha. Logo, o consumidor contemporâneo quer ser tratado de igual para igual. A marca deixou de debitar propaganda de dentro para fora, ficando à espera do cliente atrás do balcão, porque sabia que não havia concorrência. Agora, a marca tem de conversar com o consumidor, tem de interagir com ele, tem de tratá-lo como se fosse o seu melhor amigo para mantê-lo por muito tempo. Porque um cliente é um bem cada vez mais escasso.

P – A comunicação tem sido bem conseguida pela maioria das marcas no sentido da sua eficácia e até de honestidade com o consumidor?
LPR – Há marcas que ainda não despertaram para a nova ordem económica global. Há empresas e marcas que contratam estagiários de borla ou por 500 euros, ou até menos, para “alimentar as redes sociais”. Mas as redes sociais não são vacas, que ficam satisfeitas com a erva que lhes damos. As redes sociais são para ser geridas por profissionais de comunicação capacitados, que saibam criar conteúdos que interessem às pessoas que a marca procura conquistar, que saibam na ponta da língua a visão, a missão e os valores da marca, que sejam atenciosos e que resolvam os problemas com eficácia e discrição, tendo em conta que o cliente tem sempre razão, mesmo que não tenha.

P – Quer dar um exemplo de um bom marketing viral?
LPR – Vou lembrar um mau exemplo, para alertar as empresas no sentido de terem muito cuidado com este tipo de marketing. Porque há criativos que são tão criativos que produzem um efeito contrário ao pretendido. O melhor que pode acontecer a uma marca é entrar no sistema mediático tradicional depois de ter construído a sua imagem no espaço digital. Significa uma agregação de valor extraordinária. Mas isso tem de ser feito com cuidado. As marcas têm de ser honestas na sua comunicação. O que fez a Cacharel Portugal, por exemplo, com uma história de amor que era falsa, foi muito negativo para a marca. Os consumidores informados não toleram a mentira. A Cacharel Portugal contratou dois actores que usaram de forma criminosa os meios de comunicação tradicionais para venderem um produto a partir de uma história inventada. As reacções negativas do público português não se fizeram esperar na Internet e ainda bem. Tem de haver ética na comunicação.

Entrevista concedida à jornalista Lurdes Trindade, publicada na Revista Especial sobre as 250 Maiores Empresas do Distrito de Leiria, editada pela Jorlis – Edições e Publicações, Lda. e distribuída com o "Jornal de Leiria" (01-11-2012) e o "Jornal de Negócios" (06-11-2012). Clicar aqui para descarregar aentrevista em formato PDF.