sexta-feira, 15 de julho de 2011

As notícias directamente da fonte


Eis o mundo novo da comunicação em rede. Antes da Internet, para ficarmos a saber o que disse o ministro das Finanças sobre o imposto extraordinário, anunciado pelo Governo para o próximo Natal, teríamos que procurar essa informação na rádio, na televisão e nos jornais. Sempre com a mediação do jornalista. Agora é tudo mais completo e mais transparente.
Donde, objectivamente, deixamos de precisar de um jornal, de uma rádio ou de uma televisão para ficarmos a saber mais. Basta-nos ter uma ligação à Internet para podermos ficar informados. Por outro lado, este fluxo comunicacional constitui também um desafio para jornalistas e editores, no sentido de procurarem dar algo mais do que a informação oficial (entrevistas, artigos de opinião bem sustentada, análises mais completas e rigorosas, diferentes ângulos de abordagem, etc.). Sob pena de as notícias se tornarem todas iguais, independentemente do meio de comunicação que as difunde.
Os jornais, as rádios e as televisões que não perceberam isso continuam a ser feitos da mesma maneira, com menos meios humanos do que no passado e a perder audiências. A culpa não é das novas tecnologias. A culpa é da estagnação.

3 comentários:

jpmeneses disse...

Caro Luís Paulo. Há um coisa profética na minha perspectiva, mas acredito que quanto mais informação bruta o consumidor tiver, mais necessidade tem de informação editada; como se a quantidade de farois na costa fosse proporcional à quantidade de mar; nesse sentido, o jornalismo (ainda que feito de outras formas, não sei) não está ameaçado.

António Granado disse...

Caro Luís,

Tudo mudou num célebre dia 11 de Setembro. Para ser mais preciso, no dia 11 de Setembro de 1998, quando o procurador Kenneth Starr colocou directamente na Internet (sem enviar primeiro para os média) o relatório sobre o caso Clinton-Lewinski. A desintermediação (que nessa altura foi inédita) quase deitou abaixo a Internet - ver http://articles.cnn.com/1998-09-11/tech/9809_11_internet.congestion_1_government-sites-white-house-web-internets?_s=PM:TECH. Desde esse momento, o papel dos jornalistas nunca mais foi o mesmo, apesar de alguns ainda o não terem percebido...

Luís Paulo Rodrigues disse...

João Paulo,
Não era o cerne da questão abordada no "post", mas também acredito que o jornalismo tem um caminho. É o caminho da qualidade. Análises rigorosas, respostas às questões que os cidadãos gostariam de ver respondidas pelos protagonistas dos assuntos da esfera pública, comentários bem fundamentados. É esse o caminho do futuro. O jornalismo como produto "gourmet" da descodificação da realidade. Acho, por isso, que a mediação continuará a ser fundamental. Mas essa mediação tem de ser de qualidade superior. É esse o grande desafio do jornalismo contemporâneo. Um desafio muito difícil de vencer com sucesso, quando sabemos que os meios de comunicação foram invadidos por interesses privados nas administrações das empresas de "media"...
Grande abraço!...