sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Por um 2012 melhor para todos


Como editor do blogue “Comunicação Integrada” desejo a todos os leitores um ano de 2012 muito feliz, com muita saúde e boa sorte nas grandes decisões, para que possam ter muitos sucessos pessoais e profissionais.
Tenho uma boa notícia para partilhar com todos: este blogue, fundado em 11 de Abril de 2011, sendo por isso muito recente, ultrapassou neste mês de Dezembro a fasquia dos 10 mil visitantes, prosseguindo um aumento gradual da audiência. Também este mês, o blogue "Comunicação Integrada" foi eleito pelo jornal “Meios & Publicidade”, especializado em marketing e comunicação, como um dos cinco blogues portugueses obrigatórios em matéria de comunicação nas redes sociais, como se pode ler clicando aqui.
Donde, o ano de 2011 não foi assim tão mau. Com confiança, optimismo e vontade de fazer as coisas com rigor e competência, seja na vida pessoal ou na vida profissional, o ano de 2012 será melhor para todos!...

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Pasta medicinal Couto não entra nos hipermercados


O anúncio televisivo da “pasta medicinal Couto” continua a ser um exemplo de uma campanha publicitária de grande eficácia. De tal modo que, cerca de 40 anos depois, a marca ainda vive da notoriedade do anúncio a preto e branco que nos mostra um homem a fazer malabarismos com uma cadeira presa pelos dentes. A verdade é que a pasta dentrífica fabricada no Porto conseguiu diferenciar-se no mercado, posicionando-se como medicinal, ou seja, como um remédio para os dentes.
Actualmente, o anúncio pode ser visto no Youtube, enquanto a pasta dentrífica continua na boca de muitos portugueses. Só é pena que a marca, lançada em 1932, não esteja à venda nas grandes superfícies. A empresa deixou o Porto e transferiu-se para Vila Nova de Gaia. Continua propriedade da família do fundador. Tem 7 trabalhadores e uma facturação na ordem de meio milhão de euros anuais. Como escreve o “Diário de Notícias”, “na casa da Couto a receita é antiga e tudo é tradição”.

"The Hour". Os primórdios da televisão e da BBC


“The Hour” é uma série de seis episódios que está a passar no “Fox Life”. Nesta segunda-feira, 26, às 21h25, passa o segundo episódio. Quem gosta de jornalismo, de comunicação e, sobretudo, de televisão, não pode perder este drama de época realizado este ano, sobre os primórdios da televisão, nos anos de 1950, que tem a chancela de qualidade da BBC.  
A série “The Hour”, que é o nome de um programa de informação, aborda o eterno conflito entre o jornalismo e o entretenimento, ou, por outras palavras, o jornalismo puro e duro e o jornalismo “light” – através da reconstituição da luta entre o Governo de Londres e a BBC. Como não poderia deixar de ser, o espaço é a própria BBC, que, inclusive, cedeu, do seu museu, material técnico que se utilizava na época. O que faz desta série histórica um documento rigoroso.
Na altura, a televisão era a caixa que estava a revolucionar a informação, a sociedade de consumo e o mundo. “The Hour” revisita momentos empolgantes do século XX que acabaram por definir uma nova ordem mundial, com a Europa, até então dominante e na ressaca da II Guerra Mundial, a assistir à emergência dos Estados Unidos e da União Soviética como duas superpotências.
Tudo isto é retratado a partir dos olhos de Londres, onde uma mentalidade conservadora colide com a emancipação feminina e o racismo ainda está presente. A bebida, sob intensas nuvens de fumo dos cigarros que quase todos fumam, e o sexo sem compromisso pontuam os convívios sociais. Um retrato da Inglaterra dos anos de 1950.

domingo, 25 de dezembro de 2011

As lições do entrevistador Larry King


“Acho que sou um bom entrevistado porque sei o que o entrevistador quer. Gosto de fazer perguntas, mas também gosto que me façam perguntas. (…) O entrevistador é que está a controlar. Você é que sabe o que vai perguntar. Mas eu gosto de tudo, é tudo comunicação. Gosto de me conectar, gosto de pessoas, gosto de falar, embora goste mais de ouvir as outras pessoas falar. Nunca aprendo nada quando sou eu a falar.”

“Os produtores não me dão perguntas, dão-me informação de ‘background’ e alguns pontos-chave. Mas quanto menos preparar [as entrevistas], melhor. Tive o luxo de poder entrevistar com tempo, entrevistas de uma ou de duas horas com um convidado. É verdade que quando se tem apenas dez minutos é preciso preparar a entrevista melhor do que quando se tem uma hora.”

“Vi muitas entrevistas ao longo da vida. De cada vez que há confrontação percebo que é interessante durante algum tempo, mas não aprendo muito com isso. Aprende-se quando se faz boas perguntas e se obtém boas respostas. Não há pior para isso do que criar um ambiente hostil. Um entrevistado, uma vez, fez-me a pergunta derradeira: “Suponha que chega a casa e encontra a sua mulher com outro homem, o que faria?” O mais fácil era ficar zangado e atirar coisas. Mas qual é a única coisa que se quer quando se está numa situação dessas? Informação. Quem é este, como é que isto aconteceu? E qual é a melhor forma de a obter? É dizer: “Vou fazer um chá. Porque é que não nos sentamos os três e falamos sobre o que se passou?” Nesse momento, o marido passa a dominar a situação. Não sei como é que se pode fazer isso, mas se se puder, fica-se a saber muito mais. É melhor ser hostil ou ser amável e fazer perguntas? Para mim, a opção é lógica.”

“As entrevistas mais difíceis são aquelas em que as pessoas não respondem. Robert Mitchum, que eu adorava como actor, dava-me respostas de uma só palavra, que é o pior que pode acontecer: sim, não, talvez. Mas eu gostei de 99,9 por cento das entrevistas que fiz. Aprendi muito. (…) Acho que foram 55 mil [entrevistas]. Tinha de ser algo dessa dimensão. Foram 54 anos de rádio e de televisão, a trabalhar cinco ou seis noites por semana.”

Larry King, apresentador do programa “Larry King Live”, na CNN, entre 1985 e 2010, actualmente com 78 anos, entrevistado pelo jornalista Micael Pereira, para a revista “Única”, do semanário “Expresso”, 14-05-2011

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Livros de Natal para o Governo


Pedro Passos Coelho (Primeiro-Ministro) – “Os Trilhos da Emigração”, de Marta Silva
Vítor Gaspar (ministro das Finanças) – “Como o Estado Gasta o Nosso Dinheiro”, de Carlos Moreno
Paulo Portas (ministro dos Negócios Estrangeiros) – “Ecos do Passado”, de Danielle Steel
José Pedro Aguiar Branco (ministro da Defesa) – “Hackers - Técnicas de Defesa e de Ataque”, de João Amado
Miguel Macedo (ministro da Administração Interna) – “Polícia à Portuguesa – Um retrato dramático”, de Fernando Contumélias e Mário Contumélias
Paula Teixeira da Cruz (ministra da Justiça) – “Justiça À Portuguesa – O retrato incómodo de um sistema que não inspira confiança”, de Fernando Contumélias e Mário Contumélias
Miguel Relvas (ministro Adjunto e dos Assuntos Parlamentares) – “Ligações Proibidas”, de Cheryl Holt
Álvaro Santos Pereira (ministro da Economia e do Emprego) – “Os Mitos da Economia Portuguesa”, de Álvaro Santos Pereira 
Assunção Cristas (ministra da Agricultura, do Mar, do Ambiente e do Ordenamento do Território) – “Não Sei Como Ela Consegue”, de Allison Pearson
Paulo Macedo (ministro da Saúde) – “Menos por Menos”, de Pedro Mexia
Nuno Crato (ministro da Educação e da Ciência): “O Ensino Passado a Limpo – Um sistema de ensino para Portugal e para os portugueses”, de Santana Castilho, com prefácio de Pedro Passos Coelho
Pedro Mota Soares (ministro da Solidariedade e da Segurança Social) – “Diários de Motocicleta”, de Ernesto Che Guevara

O trabalho "invisível" de um analista de redes sociais


Um analista de comunicação digital, ou de redes sociais, passa o dia em frente ao cumputador. O seu trabalho, mesmo quando é incessante, é praticamente invisível. E, no entanto, muitas pessoas podem perguntar: está a fazer o quê? Pois bem, um analista de comunicação digital não só publica conteúdos no Twitter ou no Facebook, ou noutras redes sociais, como monitora o que dizem sobre uma empresa, uma figura pública, uma marca ou uma organização na Internet, selecciona conteúdos antes de serem postados, relaciona-se com pessoas e, principalmente, analisa o comportamento de cada pessoa, ou seja, o seu comportamento como consumidor, enquanto seguidor desta ou daquela marca. Ora, como escreve o analista de redes sociais Daniel Lima, e que podemos ler aqui, cada empresa tem no seu perfil a sua missão, a sua visão e os seus valores, devendo deixar isso bem claro também no ambiente virtual, antes de se aventurar na Internet. Aliás, destaca o autor, “essa de ambiente virtual ainda remete muito ao fictício”, enquanto a Internet já “deixou de ser algo fantasioso e inalcançável há muito tempo”. Donde, acrescenta Daniel Lima, “aquilo que a empresa é fora da Internet, deve ser exactamente igual dentro da Internet”. Ora, o segredo de uma boa comunicação digital passa muito por esta ideia. Se uma marca ou organização comunica bem fora da Internet, basta-lhe que se comporte da mesma maneira no espaço digital, comunicando adequadamente em função de cada rede ou de cada dispositivo.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

O "top five" dos blogues sobre comunicação

 
O blogue Comunicação Integrada, que fundei em 11 de Abril de 2011, para partilhar com o público as múltiplas disciplinas das ciências da comunicação, foi escolhido pelo jornal “Meios & Publicidade” como um dos cinco blogues portugueses obrigatórios nas redes sociais. “É possível que seja dos menos mediáticos bloggers na área da comunicação, mas é dos que fazem uma análise mais consistente e distanciada dos assuntos que marcam o sector”, justifica o semanário especializado em marketing e comunicação, no seu balanço de 2011 sobre Blogues, Facebooks e Twitters lusitanos.
Para além do "Comunicação Integrada", integram o “top five” da blogosfera portuguesa de marketing e comunicação o blogue Vai e Vem – de Estrela Serrano, antiga assessora de imprensa do Presidente Mário Soares e ex-membro da Entidade Reguladora da Comunicação Social (ERC) e de Azeredo Lopes, ex-presidente da ERC –, o blogue Lugares Comuns – de Luís Paixão Martins, o líder da LPM Comunicação, o maior grupo nacional do sector de comunicação e relações públicas, de Alda Teles, directora-geral da Fonte Comunicação, também do grupo LPM, e de Manuel Falcão, antigo director do jornal “Blitz” e actual director-geral da empresa de meios Nova Expressão –, o blogue It's PR Stupid, de Rui Calafate, director-geral da Special One Comunicação e antigo assessor de comunicação de Pedro Santana Lopes, na presidência da Câmara Municipal de Lisboa, e o blogue a Pipoca Mais Doce, este o mais influente do País, da jornalista Ana Garcia Martins, que, à boleia da notoriedade pública do seu espaço de aconselhamento de moda e estilo já lançou um CD, um livro, um lápis para sobrancelhas e uma loja, em Lisboa.
Para além dos blogues, o jornal “Meios & Publicidade” distingue os cinco perfis obrigatórios do Facebook, onde se destacam Luís Paixão Martins, Rui Calafate, Edson Athayde, Azeredo Lopes e Jorge Teixeira, e os cinco perfis que temos de seguir no Twitter: Alda Telles, Rodrigo Saraiva, Paulo Querido, Fernanda Câncio e João Quadros.
Não sendo mediático, como justamente reconhece o “Meios & Publicidade”, e vivendo a mais de 300 quilómetros da capital – o que na era da comunicação digital também não significa nada –, estou muito contente com esta distinção, que transformo numa boa prenda de Natal. Ser um nome obrigatório nas redes sociais – e os temas que escrevo no blogue também são editados no Facebook (www.facebook.com/luispaulorodrigues) e no Twitter (http://twitter.com/luispaulopt) – aumenta a responsabilidade. É uma honra, mas também um desafio para fazer mais e melhor. Espero continuar consistente e suficientemente distante, sem deixar de estar próximo dos meus leitores. A todos aqueles que, tal como eu, foram distinguidos, os meus parabéns.

Dicas para explorar o novo Facebook


Os primeiros tempos das mudanças digitais são sempre a mesma coisa. Uma confusão. É o que acontece com as novas funcionalidades do Facebook, agora mais orwellianas do que nunca. A lógica da rede social fundada por Mark Zuckerberg aponta para uma exposição pública cada vez maior da nossa vida privada. Mas é natural que não estejamos interessados em partilhar os nossos momentos com toda a gente. Por isso, aqui ficam as 20 dicas para explorar o novo Facebook, salvaguardando a nossa privacidade, um trabalho da Exame Info, uma das melhores revistas de tecnologia e Internet em língua portuguesa.

sábado, 17 de dezembro de 2011

A cartilha da desesperança


A directora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde, afirma aqui que a crise mundial não deixa nenhuma economia a salvo. Em Portugal, o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, igualmente depressivo e sem uma visão para o futuro que não seja a falta de futuro, decide aumentar o preço do acesso aos serviços públicos de saúde, mas em vez de comunicar um serviço de saúde melhor para mais portugueses, diz-nos que tem margem para aumentar ainda mais o preço da ida ao médico. Além disso, lança medidas de austeridade e diz que é preciso ir além das medidas preconizadas pelo FMI; e, como se pode ver e ouvir nesta ligação, tal como um comentador político e não um líder mandatado pelo povo para governar, anuncia ao País que, daqui a 20 anos, a mensalidade da reforma não irá além de 50 por cento do rendimento mensal que o contribuinte auferir na altura. No fundo, a cartilha de Pedro Passos Coelho é a cartilha da desesperança neoliberal que está a destruir a Europa. Foi por isso que um secretário de Estado da Juventude – e logo da Juventude – disse aos jovens portugueses que o melhor seria emigrar.
Ora, só não tem esperança no futuro quem não sabe o que é que há-de fazer no presente ou quem não sabe para onde vai. Sabe-se que nada disto acontece por desconhecimento do que é preciso fazer, nem por desconhecimento das regras de uma boa comunicação política e de um bom marketing público do País, que, no fundo, não existem, como se infere nesta observação do consultor de comunicação Rui Calafate. Assim sendo, tendo em conta que há quem esteja a ganhar com tudo isto, falta saber que interesses, obviamente privados, estarão a mover estes mensageiros da desesperança e da miséria.
Do alto de uma sabedoria de 89 anos, Gonçalo Ribeiro Telles (na foto), um dos líderes políticos portugueses que fez a Aliança Democrática com o PSD de Francisco Sá Carneiro, em 1979, dá hoje uma entrevista ao jornal “i”, que pode ser lida aqui, onde adianta uma hipótese: “Talvez os governantes queiram destruir o País.” Não acredito que seja isso. Mas parece.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

O marketing interno, segundo Jorge Remondes


A globalização, a inovação tecnológica, a democratização da informação e a abertura económica impulsionaram as empresas a obterem uma postura de aprendizagem constante que está a derrubar velhos modelos de gestão. A nova ordem, identificada há duas décadas por Peter Senge, implica uma cultura de partilha entre administradores e administrados. Partilha de objectivos e de informação. E uma capacidade de questionar a cultura e os valores da empresa, estimulando a experimentação e a aprendizagem como mecanismos de correcção do erro. Na opinião de Senge, só assim as empresas encontram uma fonte sustentável de vantagem competitiva no mundo contemporâneo. É neste contexto que ganha importância vital a comunicação interna nas empresas e nas organizações.
Vem isto a propósito do livro “Marketing Interno e Comunicação”, da autoria de Jorge Remondes, professor de Marketing da Universidade Lusíada, no Porto e em Vila Nova de Famalicão, lançado no último fim-de-semana, em Vila Nova de Gaia. Estamos perante o primeiro livro sobre marketing interno escrito por um autor português, facto que torna a obra de Jorge Remondes muito relevante. “Centra-se no estudo de uma área do marketing empresarial pouco explorada em Portugal em termos editoriais”, reconhece o autor, informando que o desenvolvimento do tema ao longo da publicação envolve uma abordagem à utilização das novas tecnologias.
O livro está dividido em duas partes: a primeira faz uma abordagem ao marketing interno, à comunicação e às novas tecnologias; na segunda parte são apresentados os resultados de um inquérito por questionário aplicado nas Pequenas e Médias Empresas do Norte de Portugal e da Galiza (Espanha). O livro, com 224 páginas, nasceu da dissertação de doutoramento do autor, em 2010, na Universidade de Vigo, facto que explica o seu cariz marcadamente académico, embora numa linguagem que está ao alcance de qualquer gestor, técnico de marketing ou estudioso de áreas como recursos humanos ou comunicação.

Escolas portuguesas podem ser alugadas para eventos


As escolas que foram alvo de obras de modernização por parte da empresa pública estatal Parque Escolar passam agora a estar disponíveis para a comunidade, com a cedência dos seus espaços para a realização de eventos em regime de aluguer. O objectivo é encontrar receitas alternativas.
A ideia é simples e faz todo o sentido, mas nunca ninguém tinha pensado nela, ou, pelo menos, nunca ninguém a tinha colocado em prática. E, no entanto, estamos perante uma excelente medida de gestão dos recursos públicos que pode resultar também num poderoso instrumento de marketing das escolas portuguesas. E também um instrumento de marketing público das cidades que tenham escolas disponíveis para eventos.
Por outro lado, ficam a ganhar os municípios, que muitas vezes são confrontadas com falta de espaços para eventos, sendo forçados a investir em infra-estruturas que depois não têm um uso tão frequente como seria desejável.
Auditórios, pavilhões desportivos, ginásios, salas de aula ou bibliotecas são apenas alguns dos espaços que passam a estar disponíveis para alugar através de uma página na Internet (http://espacosnasescolas.parque-escolar.pt) que a Parque Escolar criou para o efeito e onde a empresa pública se apresenta como “a maior oferta de espaços do País”, como salienta o diário "Público". Do catálogo constam 90 escolas secundárias, localizadas de Norte a Sul de Portugal, com fotografias e descrições dos espaços, sendo que metade das receitas revertem para as escolas e outra metade a favor da Parque Escolar, que detém a propriedade dos espaços.
Criada em 2007, a Parque Escolar, EPE é uma empresa pública sujeita à tutela dos membros do Governo responsáveis pelas áreas das Finanças e da Educação, que tem por objecto o planeamento, gestão, desenvolvimento e execução do programa de modernização da rede pública de escolas secundárias e outras afectas ao Ministério da Educação.
Na verdade, se o exemplo da Parque Escolar for replicado pelos municípios portugueses, tanto mais agora que muitas escolas foram construídas de raíz, dispondo de espaços mais amplos e mais qualificados, estaremos perante um mecanismo de poupança de recursos públicos com ganhos para todos.

domingo, 11 de dezembro de 2011

RTP. Mudar tudo para que tudo fique na mesma



“A RTP custou este ano 350 milhões de euros, sem nos dar em troca os correspondentes conteúdos de interesse público e de valorização pessoal. Para o ano vai-nos custar mais de 600 milhões! Sim, mais de 600 milhões, pois será incluída no orçamento a dívida que foi colocando a RTP numa falência técnica crónica sempre tolerada pelos governos em troca dos serviços prestados à propaganda e à desinformação.”

“O ministro Miguel Relvas pretende contas controladas por um genuíno sentido de defesa do dinheiro público num momento de crise, para ter a empresa financeiramente pronta para a privatização de um canal e para passar por salvador da RTP, tal como Morais Sarmento, que a "salvou" em 2002 para se servir dela de 2003 em diante.”

“Em 2011, pretende-se de novo emagrecer a RTP para salvar o modelo de sempre na relação com o poder político, permitindo à RTP, a qualquer momento, servir o governo e o sistema partidário (os outros partidos toleram e apoiam este modelo, porque comem as migalhas queo governo e a RTP lhes atiram ao chão).”

“Este Governo, como os anteriores, pretende algum controlo sobre aspectos da informação, como a "sugestão" de chefias e de comentadores políticos, a agenda do ‘Prós e Contras’ — que tem sido, desde há quase dez anos, o verdadeiro programa do Governo —, e as habituais "sugestões" para a agenda noticiosa normal. É isto que está em causa.”

“O ministro Relvas reconduzirá o presidente da RTP, um PS que se aprestou ao frete da recuperação financeira imposta pela ‘troika’ e a despedir umas centenas de funcionários. Uma ressalva na lei que baixou os salários das outras empresas públicas salvaguarda os altos salários desta administração. O administrador Luís Marinho, a quem não se conhece nenhum trabalho de mérito, que disse ser José Sócrates um primeiro-ministro "óptimo", que já foi director de informação em tempos de governos PSD ou PS, está "sugerido" por Relvas para director-geral da RTP, o que será, na minha opinião, um desastre para os conteúdos e para a informação. Alguém duvida dos motivos que levam Relvas a querer Marinho como director-geral?”

Eduardo CintaTorres, membro do Grupo de Trabalho nomeado pelo Governo para definir o Serviço Público de Comunicação Social, “Corrreio da Manhã”, 11-12-2011

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Merkel e Sarkozy na publicidade do Licor Beirão

 

Os criativos da agência de publicidade Uzina estão de parabéns pela campanha de Natal do Licor Beirão, cuja publicidade exterior cumpre o objectivo de chamar a atenção do público ao mostrar imagens trabalhadas em computador a partir de fotografias da chanceler alemã Angela Merkel e do Presidente francês Nicolas Sarkozy com uma garrafa de licor na mão e um cartão de boas festas. O objectivo é dar conta do esforço dos portugueses no combate à crise. O anúncio que será divulgado nas campanhas internacionais, por seu lado, faz referência às visitas do FMI a Portugal.
A ideia foi "aproveitar o momento", como explicou ao “Diário Económico” Manuel Soares de Oliveira, director-geral da Uzina, para quem o grande desafio da campanha foi "não baixar a fasquia" depois do sucesso alcançado com a campanha que colocou Paulo Futre, "concentradíssimo", a apresentar soluções para Portugal.
Com irreverência e humor, a campanha abrange imprensa, Internet e publicidade exterior. "Este Natal, ofereça o que é Nacional" é a assinatura do Licor Beirão, marca que desde sempre usou a política como fonte de inspiração, como com o célebre anúncio, na década de 1940, em que se apresentava como "O beirão de quem todos gostam", numa alusão a Oliveira Salazar, natural de Santa Comba Dão, na região da Beira Alta.
Mais recentemente, no primeiro semestre deste ano, aproveitou a visibilidade do antigo futebolista Paulo Futre, então candidato nas eleições do Sporting Clube de Portugal, e colocou-o nas ruas do País como se fosse um candidato às eleições legislativas – uma campanha realizada numa altura em que os partidos políticos, em função da austeridade, não apostaram em “outdoors” para a sua comunicação política, facto que fez aumentar a visibilidade dos outdoors do Licor Beirão.
Agora, a marca de licor português resolveu “convidar”, para este Natal, dois insuspeitos “apreciadores” da bebida: Angela Merkel e Nicolas Sarkozy. Os líderes de Alemanha e França recebem uma garrafa e um cartão, onde se lê: “Portugal está a dar o seu melhor. Boas Festas!”
“A aposta no humor que brinca com a actualidade política sempre foi ao longo da história da marca uma característica diferenciadora que permitiu ao licor Beirão atingir uma notoriedade que poucas bebidas nacionais detêm em Portugal”, explica Daniel Redondo, responsável de marketing da empresa.
Neste caso, o Licor Beirão limitou-se a explorar a popularidade mediática dos dois líderes políticos europeus. E o resultado é perfeito. Do cartaz emerge uma imagem positiva de Portugal – um País que está a dar tudo por tudo pela recuperação económica, nomeadamente produzindo licor – e dos produtos portugueses. Ao mesmo tempo, surgindo nas mãos de Merkel e Sarkozy, as garrafas do Beirão transmitem a ideia de que são um produto com valor, de tal modo que até os líderes políticos da França e da Alemanha as recebem de bom grado, como podemos deduzir do seu ar de satisfação.

domingo, 4 de dezembro de 2011

Foto inédita. Dilma Rousseff na Justiça Militar


Em primeiro plano, a revolucionária Dilma Rousseff, sentada, na cadeira dos réus, na sede da Auditoria Militar do Rio de Janeiro, em 1970, com ar de quem não deve nem teme. Em segundo plano, dois oficiais, também sentados, que a interrogavam sobre sua participação na luta armada, enquanto escondiam o rosto com a mão, com receio sabe-se lá de quê...
A foto, inédita, é publicada na edição desta semana da revista brasileira “Época”. Uma foto dos tempos da ditadura militar que se transformou num documento histórico do Brasil, em função da recente eleição de Dilma como Presidente da República. A fotografia integra o livro “A Vida Quer é Coragem”, do jornalista Ricardo Amaral, que chega este mês às livrarias brasileiras. Conta a trajectória da vida da sucessora de Lula da Silva, da guerrilha ao poder.
Ricardo Amaral, que foi assessor da Casa Civil e da campanha presidencial, descobriu a imagem no processo contra Dilma na Justiça Militar. A foto foi tirada em Novembro de 1970, quando a actual Presidente do Brasil tinha 22 anos. Após 22 dias de tortura, ela respondia a um interrogatório na sede da Auditoria Militar do Rio de Janeiro. Já lá vão 41 anos. A ditadura passou à história, a democracia está consolidada e o Brasil emerge como uma das novas potências económicas mundiais.

Extinção de freguesias. Uma guerra inútil


Uma coisa são os berros do povo nas ruas, geralmente inconsequentes, ou as greves gerais convocadas pelas vetustas centrais sindicais. Outra coisa são os protestos e as vaias num congresso de autarcas eleitos pelo povo. Por isso, as vaias com que os presidentes de Junta brindaram o ministro dos Assuntos Parlamentares, Miguel Relvas, no congresso da Associação Nacional de Freguesias (ANAFRE), em Portimão – por estarem contra a extinção de freguesias –, são muito mais do que uns berros esganiçados do povo anónimo. Pela primeira vez na legislatura, o Governo de Pedro Passos Coelho foi vaiado numa cerimónia institucional, ao ponto de um dos seus ministros, por sinal, um dos mais influentes, ter sido forçado a interromper a sua intervenção.
O Governo português tem entre mãos a tarefa hercúlea de pagar as dívidas da governação socialista dos últimos 15 anos – apenas com um interlúdio entre 2002 e 2005 –, fazer a reforma da administração pública e recuperar a economia do País. Mas precisa que a Europa também recupere do pesadelo financeiro em que vive.
A opinião pública está consciente disso e tem estado disponível para o sacrifício. Mas se não aparecer uma luz ao fundo do túnel, a paciência esgota-se. Daí que todos sejam necessários para este combate em nome da regeneração do País – inclusive os autarcas das freguesias, que são o elo mais fraco do poder local democrático.
Neste caso, parece-me que o Governo comprou uma guerra inútil. A extinção das freguesias, alegadamente proposta pelos tecnocratas do FMI (porque o Banco Central Europeu e a União Europeia são peças secundárias na chamada "troika"...), não vai diminuir em nada a despesa pública de Portugal. Por uma razão elementar: a generalidade dos autarcas das freguesias trabalha graciosamente pelas suas comunidades e as freguesias não têm dívidas, como sublinhou o líder da ANAFRE. Por isso, não sei onde é que o Governo vai poupar dinheiro com a extinção das freguesias mais pequenas, que são aqueles cujo presidente da Junta nem é remunerado.
O plano de extinção de freguesias reforça a ideia já instalada na opinião pública segundo a qual as medidas de austeridade não atingem todos por igual. As freguesias, aliás, são um dos pilares da diversidade cultural e da coesão social, em especial nas terras menos habitadas do interior. Ora, foi o pulsar do País que começou a manifestar-se em todo o seu esplendor no congresso dos presidentes de junta.
Uma grande reforma administrativa motivada pela intervenção do FMI implicaria introduzir no debate uma proposta que contribuisse, de facto, para reduzir a despesa pública. Mas para isso seria necessário pensar e produzir pensamento. Não seria difícil encontrar uma solução. Bastaria acabar, de facto, com todas as juntas de freguesia, transformando-as em extensões das respectivas câmaras municipais. O que aumentaria o número de serviços prestados às populações em cada localidade. E teria o condão de eliminar os funcionários públicos excedentes nas autarquias e nas empresas municipais. E ainda acabaria com a politiquice paroquial.

sábado, 3 de dezembro de 2011

Empresas portuguesas não aproveitam a Internet


“A Internet é uma grande prateleira para todo o mundo que não está a ser aproveitada pelas empresas portuguesas.”

“As empresas portuguesas também podem usar a Internet para aumentar as exportações porque no ‘on-line’ deixa de haver limitações físicas ou geográficas.”

“[As grandes empresas portuguesas] ainda consideram o marketing como um custo e apostam nuito no ‘off-line’. Alguns gestores não perceberam que o marketing está a evoluir para ser um custo variável através da Internet e dos motores de pesquisa. Agora a estratégia não é atingir as massas, mas sim cada uma das pessoas. Isto é uma mudança estrutural no sector publicitário.”

“No passado fomos de caravela até várias partes do mundo. Hoje temos de chegar lá outra vez através da tecnologia. [Isto implica que] as escolas, os estudantes e os empresários pensem a nível mundial. Não podemos pensar pequeno, senão vamos encolher.”

“O Governo tem de criar as condições legislativas e incentivar à criação de um ‘cluster’ na área de ‘software’; os empreendedores devem ver isto como uma fonte de receita e não como um custo; e o sistema financeiro também tem de apoiar estes empresários a crescer.”

“É muito mais fácil competir num sector que está a nascer do que nos maduros. É uma oportunidade única. A Google pode ajudar as tecnológicas portuguesas a vender os seus aplicativos no mundo inteiro.”

Henrique de Castro, presidente da Google Media, Mobilidade e Plataformas, “Expresso”, 03-12-2011

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

José Mensurado (1931-2011)

O jornalista José Mensurado, de 80 anos, faleceu nesta sexta-feira, "de morte natural", segundo revelou à agência Lusa uma fonte familiar. José Mesurado trabalhou na RTP durante 39 anos, onde "fez de tudo um pouco", segundo a estação pública portuguesa. Ainda me lembro vagamente dele como apresentador de notícias nos anos de 1980.
Ao longo de quatro décadas na RTP, Mensurado foi chefe de redacção, chefe do “Telejornal”, moderou inúmeros programas de informação. Mensurado conduziu em directo a histórica emissão da chegada do Homem à Lua em 1969, numa maratona que durou 18 horas. A última entrevista de José Mensurado foi no programa "Há Conversa", na RTP Memória. Mais informação aqui: “Instante Fatal”: José Mensurado, partiu um grande senhor da TV.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Rosental Alves. "O jornal está morto"


“O bom jornalismo é feito na rua, gastando sola de sapato, mas também com ajuda das tecnologias digitais, que abriram novas dimensões para a reportagem. É um erro colocar o webjornalismo de um lado e o jornalismo de rua do outro.”

“A audiência que outrora era passiva agora é uma rede ativa. É uma rede que está conversando entre si o tempo todo. Ou seja, criou-se uma dinâmica, uma ecologia bastante diferente. Isso não quer dizer que o jornal vá desaparecer, mas vai se transformar.”

“Nós estamos numa quarta grande revolução comunicacional [depois da invenção da escrita, da invenção da imprensa e da primeira Revolução Industrial]. É uma mudança estrutural e uma revolução como poucas que a Humanidade presenciou e como toda a grande mudança, essas transformações causam o caos e a incerteza que se vê hoje no jornalismo.”

“Ainda tem muita gente que acha que o jornal vai continuar do mesmo jeito. O jornal está morto, o que existe hoje é o híbrido do jornal (de papel sólido) e de bits, que são os canais digitais que o jornal tem.”

Rosental Calmon Alves, jornalista , professor de jornalismo na Universidade de Austin (EUA) e director do Knight Center para o Jornalismo nas Américas, numa palestra sob o tema “Revolução Digital e o Novo Ecossistema da Mídia”, promovida pelo jornal “O Povo”, na Universidade Federal do Ceará, em Fortaleza, 24-11-2011

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

A honra perdida do jornalismo

A notícia de primeira página do "Expresso" de sábado ("Deputado do BE João Semedo foi sócio do BPN numa clínica do Porto") é das mais inaceitáveis infâmias jornalísticas que vi em 40 anos de profissão.
Os factos são os seguintes: Semedo (hoje deputado do Bloco de Esquerda) e outros médicos criaram em 1994 uma clínica no Porto, tendo com sócio minoritário uma companhia de seguros, a Real Vida; cinco anos depois, em 1999, essa seguradora foi comprada pelo BPN, então apenas mais um banco; oito anos mais tarde, em 2007, soube-se que o BPN não era, afinal, apenas mais um banco e que os seus dirigentes se haviam envolvido numa gigantesca fraude que custou milhões aos contribuintes; Semedo já estava entretanto desligado da clínica desde 2000.
Em "O mundo a seus pés", de Orson Welles, Kane explica ao chefe de Redacção de um dos seus jornais que os factos podem não ter a mínima importância que o que torna uma notícia importante é o facto de ela vir na primeira página. Foi o que fez o "Expresso": pôs a notícia na primeira página e deu-lhe grande destaque no interior, fazendo com que os inócuos factos referidos se tornassem relevantes e lançando subliminarmente uma difusa suspeita (que suspeita?) sobre um homem honrado.
Quem nos rouba a honra, diz Shakespeare em "Othelo", não fica mais rico e deixa-nos irremediavelmente pobres. A notícia do "Expresso" rouba não só a honra de João Semedo mas a honra do próprio jornalismo.

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Pedro Mota Soares, a “scooter” e a “bomba”


O ministro “popular” Pedro Mota Soares, que tutela a Segurança Social, compareceu na tomada de posse do Governo pilotando a sua “scooter”. Foi notícia em todo o lado porque um ministro dispensando motorista e pilotando a sua lambreta nas ruas de Lisboa era, de facto, notícia. E uma boa notícia.
Mas ao contrário do que parecia, Pedro Mota Soares não estava a ser portador de um novo paradigma do transporte governamental. Estava apenas apostado em ser a notícia do dia, daquele dia específico da tomada de posse, ainda que a “scooter” tenha sido no seu passado de deputado o meio de transporte habitual.
Por isso, é com toda a naturalidade que Pedro Mota Soares volta agora a ser notícia, não porque tenha comprado “scooters” para os seus colaboradores no Ministério, mas porque acaba de comprar uma “bomba” automóvel pela módica quantia de 86 mil euros, quando o País é convocado para cumprir medidas de austeridade severas. É, por isso, alvo de uma notícia negativa. É o chamado “efeito boomerang ” sobre quem deu passos maiores do que a perna em termos da imagem que procurou fazer passar para a opinião pública…
No fundo, no fundo, Pedro Mota Soares, depois de ter vendido a ideia de que seria um ministro poupado, que até iria para o Ministério na sua “scooter”, foi apanhado na primeira curva do despesismo. Quanto à justificação do novo carro do ministro da Solidariedade e da Segurança Social como tendo sido uma encomenda do anterior Governo, num texto cheio de erros de português, como se pode ler aqui, foi pior a emenda que o soneto. A falta de solidariedade institucional num partido político não se nota. Já num Governo é um defeito grave. Mais a mais num ministro da dita.

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Fátima é uma marca poderosa


A extinção de feriados civis e católicos é um tema que está na agenda portuguesa e sobre o qual já escrevi neste blogue, como se pode ler aqui. Acossado pela crise e pelo FMI, o Governo quer reduzir feriados e pontes, em nome do aumento da produtividade.
Neste processo, lamento o modo birrento e corporativo dos responsáveis da Igreja Católica, ao terem dito que não abdicariam do feriado de 8 de Dezembro – Dia de Nossa Senhora da Conceição, no calendário religioso – e que só aceitariam reduzir feriados católicos se o Estado também extinguisse feriados civis. É por isso, e não por outra razão, que sobre a mesa está agora a extinção de quatro feriados, sendo 2 católicos (15 de Agosto, que celebra Nossa Senhora da Assunção, e Corpo de Deus, em Junho) e 2 civis (5 de Outubro, que evoca a instauração da República, e 1 de Dezembro, o feriado da restauração da independência, face ao domínio espanhol).
Como em muitas áreas da governação, não se vê um sentido estratégico. Vê-se a obsessão de cortar, procurando não desagradar muito a gregos e a troianos. Mas não se vislumbra um sentido, um contraponto positivo, que nos indique um caminho para o futuro. Eu insisto numa ideia: é um erro grave não aproveitar esta oportunidade para criar o feriado de 13 de Maio, dia de Nossa Senhora de Fátima. Por motivos religiosos, mas também turísticos e económicos.
Fátima é um símbolo de Portugal, um símbolo da Igreja Católica e uma marca poderosa em todo o mundo. Não tratar devidamente o fenómeno de Fátima – inclusive como elemento-âncora de um produto turístico-cultural de projecção internacional – é desperdiçar mais uma oportunidade para a economia portuguesa.

domingo, 27 de novembro de 2011

O fado património mundial e a economia portuguesa


O fado é património mundial. É um grande desafio e uma grande oportunidade para vários responsáveis do Governo português, nomeadamente da Cultura, da Economia e do Turismo. Tal como no fado, também na economia e no turismo só quem tem unhas é que toca guitarra.
“A partir de agora, o fado não é apenas a canção de Portugal, a canção de Severa, Marceneiro, Amália, Carlos do Carmo, Camané, Ana Moura e Carminho – é um tesouro do mundo”, como escreve a jornalista Lucinda Canelas, na edição digital do Ípsilon, o suplemento cultural do diário “Público”. “Um tesouro que fala de Portugal, da sua cultura, da sua língua, dos seus poetas, mas que também tem muito de universal nos sentimentos que evoca: a dor, o ciúme, a solidão, o amor.”
A partir deste domingo, por decisão do comité intergovernamental da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO), o Fado é Património Mundial da Humanidade. Este sucesso da cultura portuguesa à escala mundial, começou a ser trabalhado em 2005, culminando com a formalização da candidatura apresentada pelo Museu do Fado, em nome da Câmara Municipal de Lisboa, em 2010, dois anos apenas sobre a aprovação da Convenção para a Salvaguarda do Património Cultural Imaterial. O fado foi então apresentado à UNESCO como “símbolo da identidade nacional” e “a mais popular das canções urbanas” portuguesas, tendo por embaixadores dois intérpretes que, por motivos bem diferentes, fazem parte da sua história de forma incontestada: Carlos do Carmo e Mariza.
O fado é uma das grandes marcas de Portugal com reputação internacional, que vai muito para além das comunidades portuguesas espalhadas pelo mundo. Conheço pessoas que nunca visitaram Portugal, que não têm origens portugueseas, nem sequer têm a cultura europeia, mas que ouvem Amália Rodrigues e outros fadistas com a veneração dos grandes fãs. Por isso, a eleição do fado como património mundial significa não só uma vitória da cultura portuguesa, mas de Portugal no seu todo, em particular do seu turismo e da sua economia.
Importa agora saber o que fazer com o fado como símbolo da portugalidade. Nesse sentido, a classificação da música da saudade como património mundial constitui um grande desafio e uma grande oportunidade para vários responsáveis do Governo português, nomeadamente da Cultura, da Economia e do Turismo.
Agora quero ver as unhas que Paulo Portas, o ministro da “diplomacia económica”, Álvaro Santos Pereira, o ministro da Economia, e Francisco José Viegas, o secretário de Estado da Cultura, têm para tocar, bem afinados, a guitarra que doravante tem de ser tocada para que o património mundial do fado faça sentido e tenha utilidade. Ou seja, é preciso saber o que é que o Governo vai fazer no sentido de articular um grande plano de marketing público de Portugal que ofereça ao mundo um produto turístico fundamentado na cultura fadista, que consiga gerar ganhos de imagem internacional para muitos outros valores turísticos e culturais de um dos países mais antigos do mundo.

sábado, 26 de novembro de 2011

Marketing digital eficaz em 8 passos


Colocar no terreno um plano de marketing digital eficaz é como treinar uma equipa de  futebol. Jogadas de efeito, lances individuais e grandes golos podem ajudar a ganhar uma partida, mas só um "padrão de jogo" que garanta consistência e regularidade da defesa, no meio de campo e no ataque permitirá à equipa conquistar vitórias ao longo do campeonato e lutar pelo título. A analogia é de Sílvio Tanabe, jornalista com pós-graduação em comunicação com o mercado, empresário, consultor de Marketing Digital, autor do blog Clínica Marketing Digital e coordenador do “e-book” intitulado “Caia na Rede – 12 Maneiras de Planejar e Ter Sucesso nas Redes Socais”. Num artigo que pode ser lido clicando aqui, Sílvio Tanabe elenca 8 passos para montar uma equipa vencedora no marketing digital.

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

PT conserta avaria, mas só pelo Facebook


Trago aqui uma história doméstica que demonstra cabalmente a importância e o poder das redes sociais, tanto para os consumidores como para as próprias empresas. E demonstra como é que uma grande empresa pode estar a ser mal servida pelos seus funcionários, quando eles estão longe da sede da organização ou quando julgam que os clientes não têm acesso aos meios de comunicação.
Em 26 de Outubro de 2011, por causa do temporal, fiquei sem telefone fixo e sem acesso à Internet a partir de casa. De então para cá, a minha mulher, que é titular da conta, fartou-se de contactar com a Portugal Telecom, na loja e na linha de atendimento. Ontem, dia 24 de Novembro, quase um mês depois, ela voltou a telefonar, para tentar saber o ponto da situação. Soube, então, que a participação da avaria tinha desaparecido novamente. Parace que o sistema elimina as avarias ao fim de um certo tempo de espera, quer tenha sido consertada ou não. No fundo, a PT Comunicações – é dessa empresa sem concorrência de que estamos a falar – primava por mais um mau atentimento aos clientes, com cada funcionário a dar uma explicação diferente para o mesmo problema, não consertando a avaria e continuando a cobrar serviços não prestados.
Depois de ter contado a história na sua página no Facebook – imediatamente comentada e partilhada por dezenas de amigos –, a minha mulher resolveu ficar a “gostar” da página da PT Comunicações, deixando lá a sua queixa. Isto aconteceu ontem à noite, já fora da hora do expediente. Minutos depois, vinha a resposta da PT, dando conta que a situação iria ser resolvida, pedindo, no entanto, mais dados sobre a situação, logo enviados por e-mail. A PT demonstrava natural preocupação com o "buzz" negativo que o caso estava a provocar no Facebook.
Hoje, depois de várias pessoas da PT terem telefonado ao longo da manhã, sabendo mais detalhes da avaria e providenciando um telefone novo, eis que, pelas 14h00, um técnico da PT Comunicações batia à porta. Em poucos minutos, a avaria ficou resolvida.
Graças ao Facebook, a PT resolveu em menos de 24 horas o que várias idas à loja e inúmeros telefonemas para a linha de apoio não chegaram para resolver ao longo de 29 dias.

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Balsemão, a crise de valores e o jornalismo


“A actual crise não se resume às finanças, ao défice, à dívida ao sistema bancário, à economia, ao não crescimento, à baixa do consumo e às desigualdades das empresas. A crise é também social – as desigualdades, o desemprego, a fome – e de valores – o desânimo, a indignação, a legitimação da violência, e, por outro lado, as dúvidas quanto à democracia, o populismo, e o anti-europeismo.”

“Sem ‘media’ profissionais – e, portanto, independentes e capazes – a crise económico-financeira poderá ser ultrapassada, a crise social poderá ser disfarçada, mas a crise de valores, essa, prosseguirá e tenderá a agravar-se."

"Como no tempo do salazarismo, continuam a existir [em Portugal] políticos e empresários ou candidatos a empresários que julgam que os ‘media’ podem e devem ser meros instrumentos a utilizar para a prossecução dos seus interesses económicos ou de influência."

"Criam-se alianças estranhas: os políticos tentam usar os falsos empresários de comunicação social, para que saiam ou não saiam as notícias, as entrevistas, os artigos de opinião, as aberturas do telejornal; os falsos empresários de comunicação social vendem, por acção ou omissão, o apoio dos media que controlam a quem está no poder, em troca de favores noutras áreas. Tudo isto passando ou tentando passar por cima dos jornalistas, embora, como no tempo do salazarismo, com a colaboração activa de alguns. Tudo isto metendo o jornalismo na gaveta. (…) Quem pensa e actua assim está a mais na área dos ‘media’."

"Hoje, mais do que nunca, em plena crise, o jornalismo autêntico, não conspurcado, livre, profissional, é fundamental."

Pinto Balsemão, fundador do “Expresso”, antigo Primeiro-Ministro e presidente da Impresa, discursando no XXI Congresso da Associação Portuguesa para o Desenvolvimentodas Comunicações, 23-11-2011

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Melhor empresária da Europa é portuguesa


Enquanto a crise da dívida pública e as aventuras dos criminosos de colarinho branco, da política e dos negócios, vão fazendo as manchetes na imprensa portuguesa e ocupando as televisões, há grandes notícias quase ignoradas, que deveriam ser devidamente destacadas. Eis uma delas: a portuguesa Sandra Correia, 40 anos, presidente executiva da empresa algarvia de cortiça Pelcor, venceu o Troféu de Melhor Empresária da Europa 2011, atribuído pelo Parlamento Europeu e Conselho Europeu das Mulheres Empresárias. "Este prémio abre novas portas para a Pelcor e para a cortiça e é um caso de motivação e orgulho para Portugal", declarou a empresária algarvia, criadora da marca Pelcor, tendo aproveitado a fábrica de rolhas de cortiça do pai para se lançar no mundo da moda e do design.
Vivendo à custa de um produto genuinamente português, a Pelcor, marca de acessórios de moda, brindes para empresas e produtos de decoração de pele de cortiça, vai surgir no início de 2012 com uma nova imagem e uma colecção renovada, tendo em vista "atingir os segmentos de mercado mais altos e de luxo".
Mesmo com uma comunicação digital que à primeira vista não condiz com a dimensão internacional da marca, Sandra Correia, que não conheço de lado nenhum, é a prova viva de que é possível ter sucesso empresarial à escala global, independentemente de estarmos num País do Norte, do Centro ou do Sul da Europa. Haja competência, organização, capacidade de trabalho, conhecimento dos mercados e objectivos bem definidos. E haja meios de comunicação que levem a todos estes bons exemplos.
Ao contrário do que preconizam alguns pensadores do serviço público de comunicação social, ninguém com bom senso quer esconder informação considerada inconveniente. Mas quer, certamente, que se mostre e se valorize devidamente a informação que é conveniente para levantar a auto-estima do País.
Num momento de grave crise económica e de intervenção do FMI, a imprensa portuguesa deveria olhar para o caso da melhor empresária da Europa e tentar perceber como foi possível a Sandra Correia lá chegar e como é que outros empresários lusitanos podem fazer o mesmo caminho de sucesso. Isso também seria serviço público. FOTO: Algarvephotopress / Global Imagens

O comunicador


“A chave para a capacidade de comunicar é a perspicácia no que se refere à natureza humana. Enquanto o escritor se preocupa com o que coloca nos seus textos, o comunicador preocupa-se com o que o leitor deles retira. Por conseguinte, o comunicador torna-se um estudante da forma como as pessoas lêem e ouvem.”

William Bernbach, (1911-1982), publicitário norte-americano

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Os conselhos de Vasco Pulido Valente aos cronistas


“Primeiro, aprender a escrever. Convém. Com tudo o que isso implica. Segundo, saber algum assunto muito bem, uma disciplina muito bem, ou economia, ou história ou outra coisa qualquer. Ter uma formação básica boa. E depois, em princípio, nunca falhar, porque uma coluna é um hábito. As pessoas lêem o jornal, estão habituadas, é mais uma questão de hábito. “Deixa-me ver o que é que este diz hoje?” Se as pessoas falham ou são irregulares ou salta-pocinham muito… Por exemplo, eu começo sempre a ler a ‘Spectator’ pelo Taki [Theodoracopulos, comentador político]. Ele nunca falha. Só falhou há 30 anos quando foi preso, mas depois continuou a escrever.”

“E dizer o que se pensa. Se não disser o que se pensa, não é interessante. As pessoas vão à procura de uma diferença. Nâo se trata de fazer uma diferença. Há uns tontaços a fazer isso pelos jornais. Ninguém os leva a sério. O grande problema de se tentar ser original – não estou a falar dos que são mesmo – é inventar coisas para ser diferente e depois ter um mínimo de coerência. As coisas têm de ligar umas com as outras. Não têm que inventar discordâncias para se fazerem originais. Mas também não devem fazer o contrário.”

“Não vejo por que é que um colunista deva ser capado politicamente. O que acho é que não se pode ser as duas coisas ao mesmo tempo. Sempre que estive dentro de alguma coisa, parei [de escrever] – tanto durante o Sá Carneiro, como durante o MASP [Movimento de Apoio Soares à Presidência]. Não escrevi. Nem isso era possível com nenhum dos dois.”

Vasco Pulido Valente, historiador e cronista político, “Público”, 21-11-2011

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Comunicação. Fazer um plano é como ir ao médico


Fazer um Plano de Relações Públicas, de Marketing ou de Comunicação – sim, não são a mesma coisa, embora se complementem… – sem um diagnóstico correcto é um erro muito comum nas organizações. Os dirigentes de uma empresa, por exemplo, costumam confiar na intuição, ou nos seus conselheiros de sempre, partindo do princípio que sabem tudo sobre a sua empresa e o seu negócio.
Um dos erros mais frequentes é não ouvir as pessoas, a começar pelas pessoas da própria organização, para identificar devidamente os problemas. O normal é considerar que os trabalhadores estão na empresa para trabalhar e não para dar opiniões. Infelizmente, é assim em muitas empresas e organizações.
Ora, fazer um bom diagnóstico é essencial para que um plano seja bem feito e para que os objectivos sejam cumpridos. Se o diagnóstico não for bem feito, se tiver falhas, todo o trabalho posterior da organização fica condicionado. O mais natural é que o plano não permita que a organização cumpra os objectivos propostos. Um plano sem um bom diagnóstico é equiparável à prescrição de um medicamento por um médico que não sabe ao certo qual é o problema do doente.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

O choque da Benetton

 
 
 

Estas são algumas das imagens chocantes da nova campanha da Benetton. São imagens manipuladas por computador que tornam real uma cena impossível. Como protagonistas, alguns líderes políticos e religiosos mundiais, que se beijam na boca. Mais chocante não poderia ser. Até agora, a Benetton provocava-nos com imagens reais, da autoria de Oliviero Toscani, ainda que, muitas vezes, feitas em estúdio com a finalidade sedutora de um anúncio publicitário e protagonizadas por gente anónima. Agora, mostra-nos líderes mundiais em imagens trabalhadas pelo computador, essa máquina prodigiosa do nosso tempo, que faz milagres outrora impossíveis. Mas estamos numa era de contradições, o terreno de eleição da publicidade da Benetton, em que tudo parece ser possível. Por isso, talvez o choque provocado por estas imagens não atinja o impacto e a duração de outras campanhas da marca italiana que ficaram célebres na publicidade mundial.

João Duque, Carlos Magno e os jornalistas vendidos


O líder do "grupo de trabalho" escolhido pelo Governo para definir o serviço público de comunicação social, o economista João Duque, pensa genuinamente que os portugueses devem ter o mínimo de informação possível sobre o que se passa no País e no mundo e que o mundo só deve saber sobre Portugal aquilo que o Governo acha que deve ser notícia. Duque também acha, convictamente, que os jornalistas, editores e directores dos meios de comunicação do Estado são todos uns vendidos, partindo do princípio que todos os poderes, em particular o político, fazem deles o que querem. Até Paulo Portas, que não está para ser queimado nesta fogueira de incompetentes, fugindo das más notícias como quem foge dos pingos da chuva, já disse que não quer nada com a RTP Internacional.
Por ter falado em jornalistas, que João Duque considera que são vendidos ao poder político, um dos que serviram o Estado foi precisamente Carlos Magno (na foto), novo presidente da Entidade Reguladora da Comunicação Social (ERC) e eminência do nosso espaço mediático, tanto que terá sido escolhido directamente pelo primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, num triste e lamentável processo de "eleição".
Ora, em função das conclusões do tal "grupo de trabalho", que defende a extinção da ERC, Carlos Magno tem fortes razões para se sentir enganado, caso Miguel Relvas resolva seguir as indicações. Porém, Magno ainda não disse nada sobre o assunto, ao contrário do seu antecessor, Azeredo Lopes, embora, premonitoriamente, tenha dito que, enquanto presidente da ERC, iria privilegiar a língua portuguesa e evitar a conflitualidade com jornalistas e meios de comunicação. Isto é, a nova liderança da ERC não está para se chatear muito.
Resumindo e concluindo, se um "grupo de trabalho", que deveria ser formado por gente considerada especialmente preparada sobre um assunto em questão, pensa o que pensa sobre o serviço público de comunicação social, não custa admitir o que pensarão outros grupos de trabalho de outros sectores de actividade no País. Juntando tudo, temos Portugal no seu melhor, ou seja, o País que todos conhecemos.