terça-feira, 18 de junho de 2013

A emergência de um novo Brasil

Imagem impressionante na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro

O Brasil não é mais o mesmo e está sob os olhos internacionais, nesta altura da FIFA, que não quer ver o seu negócio prejudicado na Copa de 2014. Enquanto está sendo disputada a Copa das Confederações, emerge um outro Brasil, até agora desconhecido, que sai em peso para as ruas, enfrentando a polícia e se levantando contra os altos investimentos em estádios de futebol, contra a corrupção, contra a violência gratuita e a impunidade da justiça, contra a falta de ética na política. Um Brasil que está clamando por mais educação, por mais saúde e, principalmente, por um um País socialmente mais justo na distribuição de seus recursos. É um novo Brasil, com uma agenda social mais avançada – própria de um País que tem dado passos de gigante rumo ao desenvolvimento e de uma sociedade que toma consciência do seu papel.
Na abertura da Copa das Confederações, a Presidente Dilma Roussef foi humilhada com vaias da multidão no novo Estádio Nacional, em Brasília. Há vários dias, os brasileiros estão na rua contra o sistema. A informação, em texto, som e imagens, transita à velocidade instantânea da Internet, em liberdade, sempre à frente da mídia tradicional.  
A Internet tem tido um papel fundamental na organização das manifestações. Em São Paulo, por exemplo, o evento criado no Facebook para a manifestação desta segunda-feira teve 276 mil confirmações. Nos últimos cinco dias, a onda de protestos transformou-se quase em um tema único na rede, dominando publicações no Twitter, Facebook e também no YouTube. Segundo uma estimativa divulgada pelo jornal “Estado de São Paulo”, “os compartilhamentos impactaram potencialmente mais de 79 milhões de internautas até a noite de segunda-feira, 17”, ou seja, quase metade da população do Brasil.
Tudo começou em São Paulo com a subida do preço do bilhete de ônibus. Mas o descontentamento alastrou a todo o País, como uma mancha de óleo. Na noite desta segunda-feira, por exemplo, milhares de pessoas, em Brasília, invadiram as instalações do Congresso Nacional, gerando uma imagem simbólica de tomada de poder pelo povo. São imagens que estão correndo o mundo.
Tal como em outros pontos do globo, esta não é uma luta de esquerda nem de direita. “O povo, unido, governa sem partido”, gritam os manifestantes. É uma luta por um sistema diferente, por políticas públicas com outras prioridades e por uma sociedade mais justa na distribuição da riqueza.
A classe política brasileira parece ter sido apanhada de surpresa, ficando baralhada, a um ano das eleições presidenciais. A polícia também parece impreparada para este tempo novo, procurando ainda o registro certo para enfrentar as multidões. A situação é grave. E ninguém sabe como tudo isto vai acabar.

Um comentário:

eu sou assim disse...

Só acrescentaria que ninguém sabe qual o país que se segue. Que seja o nosso!